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  <title>+SOMA . SUA DOSE DI&#193;RIA DE CULTURA INDEPENDENTE - +GALERIA</title>
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      <name>tiago</name>
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    <published>2010-03-12T19:25:00Z</published>
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    <title>+Ensaio de Fotos . Pluracidades . Por Guilherme Maranh&#227;o</title>
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            &lt;p&gt;(Esta entrevista foi publicada na na&lt;strong&gt; +Soma &lt;/strong&gt;16/Mar-Abr 2010. Baixe &lt;a href=&quot;http://tinyurl.com/yhhr97f&quot;&gt;&amp;lt;u&gt;aqui&amp;lt;/u&gt;&lt;/a&gt; ou descubra &lt;a href=&quot;http://tinyurl.com/ycohlul&quot;&gt;&amp;lt;u&gt;aqui&amp;lt;/u&gt;&lt;/a&gt; onde conseguir uma.)&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;O olho de um scanner abandonado n&amp;atilde;o est&amp;aacute; cego. Ele apenas deixou de olhar o mundo de forma obediente conforme programa&amp;ccedil;&amp;atilde;o formulada pela ind&amp;uacute;stria. Um equipamento quebrado se transforma num marginal dentro da sociedade de consumo. A esse olhar marginal da m&amp;aacute;quina, Guilherme Maranh&amp;atilde;o sobrep&amp;otilde;e uma atitude libert&amp;aacute;ria, subversiva de reinventar o seu ponto de vista sobre o vis&amp;iacute;vel. Ao recuperar esse olho eletr&amp;ocirc;nico do lixo das lojas de sucatas e reinseri-lo no mundo, o artista ao mesmo tempo tira do autom&amp;aacute;tico a m&amp;aacute;quina, a fun&amp;ccedil;&amp;atilde;o do fot&amp;oacute;grafo e, por fim, a percep&amp;ccedil;&amp;atilde;o de quem observa tais imagens.&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Este circuito, criado por Maranh&amp;atilde;o, permite que o acaso tamb&amp;eacute;m concorra na interpreta&amp;ccedil;&amp;atilde;o da paisagem, conferindo-lhe uma visualidade que n&amp;atilde;o tem como refer&amp;ecirc;ncia a hegemonia do olhar humano, e tampouco siga a bula do programa que transforma o mundo numa mimese pasteurizada e hegem&amp;ocirc;nica, elaborado pelos engenheiros.&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;br /&gt;&amp;ldquo;Pluracidades&amp;rdquo;, gestada &amp;agrave; margem da automaticidade do olhar da ind&amp;uacute;stria eletr&amp;ocirc;nica e sob o ponto de vista desse fot&amp;oacute;grafo desobediente das regras, faz emergir no nosso olhar robotizado a paisagem reinventada de uma cidade err&amp;aacute;tica. Sem refer&amp;ecirc;ncias geogr&amp;aacute;ficas, essa estranha urbe se redesenha em geometrias l&amp;uacute;dicas, em rastros luminosos que flagram a passagem do tempo. E, assim, a vida se precipita, linha por linha, em po&amp;eacute;ticas fus&amp;otilde;es de cores, formas e associa&amp;ccedil;&amp;otilde;es que redimensionam a experi&amp;ecirc;ncia do olhar.&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;em&gt;Eder Chiodetto&lt;br /&gt;Curador do Clube de Colecionadores de Fotografia do MAM-SP&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Saiba mais: &lt;br /&gt;&amp;lt;u&gt;&lt;a href=&quot;http://tinyurl.com/yav8uv4&quot;&gt;refotografia.awardspace.com &lt;/a&gt;&amp;lt;/u&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
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    <published>2010-01-15T10:29:00Z</published>
    <updated>2010-01-15T13:30:21Z</updated>
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    <title>FOTOS EM XADREZ</title>
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            &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;em&gt;Por Marcos Diego&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Em 1983, Michael Lavine tinha 19 anos e vontade de trabalhar com anima&amp;ccedil;&amp;otilde;es. Morador da ent&amp;atilde;o pacata Seattle, onde nada de muita relev&amp;acirc;ncia acontecia, era o fot&amp;oacute;grafo da turma de skatistas, m&amp;uacute;sicos e jovens que gastavam o tempo procurando algo para fazer. Mal sabia ele que, ao registrar esses grupos, documentava o surgimento de um dos momentos centrais no rock dos anos 1990. Agora, 26 anos depois, lan&amp;ccedil;a &lt;em&gt;Grunge&lt;/em&gt;, com pref&amp;aacute;cio de Thurston Moore, em que mostra &amp;ndash; em preto e branco &amp;ndash; as bandas e as &amp;ldquo;pessoas comuns&amp;rdquo; que, influenciadas por heavy metal, punk e hardcore, mostravam em seu jeito de vestir e agir a mistura que mais tarde levou grupos como Nirvana, Mudhoney e Pearl Jam &amp;agrave; fama internacional. &amp;nbsp;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;Quando voc&amp;ecirc; decidiu ser fot&amp;oacute;grafo profissional? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Comecei a trabalhar em 1987, mas j&amp;aacute; fotografava bem antes, quando estava na escola. Acho que ganhei a primeira c&amp;acirc;mera aos 10 anos. Fotografava por hobby, e foi nessa &amp;eacute;poca que fiz as primeiras fotos do livro. &lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;Se voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o fosse fot&amp;oacute;grafo, seria o qu&amp;ecirc;?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Eu estava decidido a estudar anima&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Era o que eu gostaria de fazer, mas na &amp;uacute;ltima hora mudei de ideia e troquei as aulas de anima&amp;ccedil;&amp;atilde;o por fotografia. Sempre quis ser animador. &lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;Quais s&amp;atilde;o suas recorda&amp;ccedil;&amp;otilde;es da Seattle pr&amp;eacute;-grunge? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Eu me mudei de Seattle para Nova York em 1985, ent&amp;atilde;o n&amp;atilde;o me lembro exatamente do estilo de vida da cidade nessa &amp;eacute;poca. O que eu me lembro &amp;eacute; da m&amp;uacute;sica que veio de l&amp;aacute; quando eu trabalhava para o escrit&amp;oacute;rio da Sub Pop aqui em Nova York. As bandas vinham de l&amp;aacute; e eu as fotografava. Mas, sobre as coisas que mudaram, acho que foi uma quest&amp;atilde;o de conscientiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o. As pessoas tomaram consci&amp;ecirc;ncia da cena musical que existia por l&amp;aacute;, e de uma hora para a outra o mundo inteiro ficou sabendo. Foi muito louco. Porque antes era uma cena muito pequena e independente, underground, em que todos se conheciam. A&amp;iacute; o Nirvana apareceu com &amp;ldquo;Smells Like Teen Spirit&amp;rdquo;, explodiu no mainstream, e de repente todos estavam envolvidos. Foi chocante para quem vivia isso, algo dif&amp;iacute;cil de lidar.&amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;O que mudou na sua vida depois da explos&amp;atilde;o do grunge? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;N&amp;atilde;o sei. Acho que foi uma sensa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de perda, de que a nossa comunidade havia sido de certa forma destru&amp;iacute;da. Mas, ao mesmo tempo, sem isso eu n&amp;atilde;o teria conhecido as pessoas que conheci. Ent&amp;atilde;o &amp;eacute; uma sensa&amp;ccedil;&amp;atilde;o amarga e doce ao mesmo tempo. Agora, a ideia do livro foi mesmo pontuar o fato de que o grunge n&amp;atilde;o foi exatamente o que as pessoas pensam que foi. Esse livro &amp;eacute; a minha vis&amp;atilde;o pessoal, minha vers&amp;atilde;o pessoal, sobre o que foi o grunge. N&amp;atilde;o &amp;eacute; um livro sobre sua hist&amp;oacute;ria definitiva.&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;E o que &amp;eacute; o grunge para voc&amp;ecirc;?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Grunge foi o r&amp;oacute;tulo dado pela imprensa tradicional para um amplo leque estilo musicais que estavam rolando por todo o pa&amp;iacute;s. Eles basicamente juntaram algumas bandas de metal e punk sob esse r&amp;oacute;tulo. N&amp;atilde;o significa muita coisa, na verdade. &amp;Eacute; s&amp;oacute; um nome que algu&amp;eacute;m deu a uma cena muito diferente do que as pessoas imaginavam. As fotos ficaram no meu arm&amp;aacute;rio por 25 anos, e acho que &amp;eacute; uma boa hora para olhar para tr&amp;aacute;s e ver o que aconteceu de verdade. Existem muitos mal-entendidos e [o livro] &amp;eacute; uma forma de redefinir, esclarecer e ajudar as pessoas a entender o que rolava por l&amp;aacute;. &amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Voc&amp;ecirc; &amp;eacute; uma esp&amp;eacute;cie de Bob Gruen do grunge. Concorda com isso?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;(Risos) Eu conheci o Bob Gruen, e talvez ele n&amp;atilde;o goste dessa compara&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Ele e o trabalho dele s&amp;atilde;o uma grande influ&amp;ecirc;ncia, mas acho que para chegar l&amp;aacute; ainda preciso ganhar mais alguns cabelos brancos. &lt;br /&gt;As primeiras fotos do livro mostram jovens de Seattle e Olympia em 1983 vestidos sob influ&amp;ecirc;ncias de estilos variados. &amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;De onde vinha isso? &amp;nbsp;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;N&amp;atilde;o existia internet naquela &amp;eacute;poca, ent&amp;atilde;o as pessoas queriam se expressar de diferentes formas &amp;ndash; para questionar a autoridade, por exemplo. &amp;Eacute; uma esp&amp;eacute;cie de tradi&amp;ccedil;&amp;atilde;o usar roupas para enfrentar o sistema, se afirmar. Seja qual for a orienta&amp;ccedil;&amp;atilde;o pol&amp;iacute;tica, isso ajuda a identificar grupos diferentes. Naquela &amp;eacute;poca, em Seattle, a cena underground era bem pequena, e a m&amp;uacute;sica que se ouvia em geral era da Costa Oeste, de Londres, Nova York. O pessoal de l&amp;aacute; acabou misturando todos os estilos e criou sua pr&amp;oacute;pria vers&amp;atilde;o, que &amp;eacute; o que as pessoas no mundo chamam hoje de grunge. Voc&amp;ecirc; pega pop, heavy metal, mods, skinheads, todos os tipos de rebeldia e transforma nisso. O som de Seattle tamb&amp;eacute;m dizia isto naquela &amp;eacute;poca: &amp;ldquo;n&amp;oacute;s n&amp;atilde;o queremos ver The Go Go&amp;rsquo;s&amp;rdquo;, ou seja l&amp;aacute; o que fosse o mainstream em 1983. Havia muitas bandas de heavy metal e new wave ruins, a pol&amp;iacute;tica estava ruim, era o Rock Against Reagan, ent&amp;atilde;o a uni&amp;atilde;o chegava &amp;agrave; esfera pol&amp;iacute;tica tamb&amp;eacute;m.&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;Como voc&amp;ecirc; fazia para capturar momentos espont&amp;acirc;neos das bandas, como o Mudhoney? Voc&amp;ecirc; era amigo dos m&amp;uacute;sicos?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;No caso espec&amp;iacute;fico do Mudhoney, eu ainda n&amp;atilde;o os conhecia. Mas eu acho que, por causa da minha amizade com o Bruce [Pavitt], chefe da Sub Pop, todo mundo era amigo de algu&amp;eacute;m, ent&amp;atilde;o havia um certo conforto nas rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es. E essa &amp;eacute; um dos segredos para se tornar um bom fot&amp;oacute;grafo. Se voc&amp;ecirc; se sente &amp;agrave; vontade perto de mim, voc&amp;ecirc; me escuta, e fotografar se torna mais natural. &amp;nbsp;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;Mas ser amigo da banda &amp;eacute; importante para conseguir uma boa foto?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;N&amp;atilde;o, de jeito nenhum. &amp;Agrave;s vezes pode ser um problema, se voc&amp;ecirc; ficar conversando e n&amp;atilde;o se concentrar no trabalho. (risos)&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;O pref&amp;aacute;cio do seu livro &amp;eacute; do Thurston Moore. Como ele entrou na hist&amp;oacute;ria?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A ideia inicial do livro foi dele. Ele &amp;eacute; meu amigo h&amp;aacute; muitos anos, meu vizinho, e um dia, h&amp;aacute; uns dez anos, perguntou por que eu n&amp;atilde;o fazia um livro. H&amp;aacute; quatro anos, novamente, ele lembrou da ideia. Demorou tr&amp;ecirc;s anos para que o livro ficasse pronto, o processo de sele&amp;ccedil;&amp;atilde;o e compila&amp;ccedil;&amp;atilde;o foi bem longo. &lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;Qual foi a banda mais dif&amp;iacute;cil de fotografar?&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;A mais dif&amp;iacute;cil? Sonic Youth. (risos) Porque eles s&amp;atilde;o dif&amp;iacute;ceis, um p&amp;eacute; no saco. [Folheando o livro] Nirvana foi explosivo, Pearl Jam foi ok, Soundgarden eu fotografei um milh&amp;atilde;o de vezes e todas renderam &amp;oacute;timas imagens, Butthole Surfers tamb&amp;eacute;m... Vou te dizer, a maior parte das pessoas &amp;eacute; f&amp;aacute;cil de fotografar, voc&amp;ecirc; raramente encontra algu&amp;eacute;m dif&amp;iacute;cil. At&amp;eacute; a Courtney Love n&amp;atilde;o &amp;eacute; assim, ela &amp;eacute; divertida. Quer dizer, ela pode dar uma de louca de uma hora pra outra, mas sempre foi divertida. &lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;Pensei que sua resposta seria Kurt Cobain. Como era o relacionamento entre voc&amp;ecirc;s?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Pois &amp;eacute;, Kurt n&amp;atilde;o foi dif&amp;iacute;cil comigo porque era meu amigo. Ele me respeitava, eu acho, ent&amp;atilde;o foi uma boa rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o de trabalho. &lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;O que, para voc&amp;ecirc;, fez dele algu&amp;eacute;m t&amp;atilde;o especial?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Se eu soubesse responder isso, estaria rico! (risos) N&amp;oacute;s n&amp;atilde;o sabemos. Ele vivia em Seattle, e &amp;eacute; uma coisa m&amp;aacute;gica, &amp;eacute; magia! Se voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; numa sala com um cara desses, ele &amp;eacute; s&amp;oacute; mais um, uma pessoa doce e am&amp;aacute;vel. &amp;Eacute; exatamente como voc&amp;ecirc; e seus amigos. Quer dizer, ningu&amp;eacute;m sabia que o cara ia se tornar uma lenda. Ele era apenas um de n&amp;oacute;s.&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;Qual &amp;eacute; o seu &amp;aacute;lbum favorito daquela &amp;eacute;poca?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Daydream Nation&lt;/em&gt;, do Sonic Youth. &amp;Eacute; um disco forte. Eu trabalhei nele e sinto sua for&amp;ccedil;a at&amp;eacute; hoje. &lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;O que voc&amp;ecirc; faz hoje em dia?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Tenho um grupo de pessoas que eu fotografo e um trabalho com v&amp;iacute;deo tamb&amp;eacute;m. Acabei de finalizar o videoclipe do Heavy Trash, a banda nova do Jon Spencer. Trabalho tamb&amp;eacute;m com a Cher, a Miley Cirus, fiz as promos para o &amp;aacute;lbum do TV on the Radio. Trabalho tamb&amp;eacute;m para algumas emissoras, como a Fox. &lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;E o que voc&amp;ecirc; tem ouvido?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Muitas coisas. Peguei o Them Crooked Vultures recentemente, gosto tamb&amp;eacute;m do Spoon e do Heavy Trash. J&amp;aacute; ouviu Fever Ray? &amp;Eacute; uma garota sueca que tocou no The Knife e n&amp;atilde;o sai do meu som. N&amp;atilde;o &amp;eacute; rock, &amp;eacute; algo mais viajante. &amp;nbsp;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;Qual &amp;eacute; sua melhor foto, na sua opini&amp;atilde;o?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Todas possuem uma hist&amp;oacute;ria, mas fiquei muito feliz que as fotos dos jovens na rua tenham sa&amp;iacute;do. Porque acho que ningu&amp;eacute;m conhece de verdade esse lado de Seattle. Tempos atr&amp;aacute;s recebi um e-mail de uma das fotografadas em 1983, dizendo que o livro era o anu&amp;aacute;rio escolar que ela nunca teve.&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;Voc&amp;ecirc; planeja uma segunda edi&amp;ccedil;&amp;atilde;o do livro, ou outro com alguma banda espec&amp;iacute;fica?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O livro tem uma vers&amp;atilde;o em cores, que &amp;eacute; completamente diferente. Fiz algo parecido no meu outro livro, &lt;em&gt;Noise From the Underground: A Secret History of Alternative Rock&lt;/em&gt; (Fireside), lan&amp;ccedil;ado h&amp;aacute; 10 anos e que tem diversas bandas, de 1986 a 1996. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
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      <name>tiago</name>
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    <published>2009-12-08T20:17:00Z</published>
    <updated>2009-12-08T20:21:07Z</updated>
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    <title>Felipe Motta aka Mottilaa</title>
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Por Tiago Moraes&lt;/strong&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;H&amp;aacute; mais ou menos dez anos, &amp;eacute;poca em que dedicava cem por cento do meu tempo ao skate - seja dando meus grinds por a&amp;iacute; ou tocando a Agac&amp;ecirc;, marca que criei em 1997 junto com tr&amp;ecirc;s amigos de inf&amp;acirc;ncia -, resolvi criar e divulgar o projeto Portfolio, com o intuito de revelar jovens talentos do universo do skate e posteriormente desenvolver projetos colaborativos.&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&amp;lt;font&gt;E foi entre quase uma centena de cartas e telefonemas recebidos durante o per&amp;iacute;odo da promo&amp;ccedil;&amp;atilde;o que o tra&amp;ccedil;o de um garoto carioca impregnado de humor e sarcasmo acabou me chamando a aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Foi dessa forma que conheci Felipe Motta e a partir da&amp;iacute;, de 1999 a 2004, fizemos dezenas de trabalhos juntos e viramos grandes amigos.&amp;lt;/font&gt;    &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Se Billy Argel criou praticamente sozinho toda a est&amp;eacute;tica do skate nos anos 80, Motta &amp;eacute; sem sombra de d&amp;uacute;vida o maior nome que surgiu no universo de arte de skate desde o final da d&amp;eacute;cada de 90 at&amp;eacute; os dias de hoje, em um mercado em que, salvo raras exce&amp;ccedil;&amp;otilde;es, ainda prevalece a falta de identidade, de originalidade e de cultura de investimento em arte e conceitos originais.&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Mesmo que no mercado de skate seu tra&amp;ccedil;o seja facilmente reconhecido em shapes, camisetas, an&amp;uacute;ncios e outros trabalhos comerciais, muitos ainda n&amp;atilde;o tiveram o prazer de conhecer seu trabalho autoral, que Mottilaa compulsivamente p&amp;otilde;e para fora em seus caderninhos para depois transportar para telas, muros, banheiros e qualquer outro suporte que tiver coragem suficiente de aparecer na sua frente.&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Como amigo e f&amp;atilde; de carteirinha, sempre incentivei o seu lado autoral, e talvez seja por isso que, mesmo com vontade de entrevist&amp;aacute;-lo desde a primeira edi&amp;ccedil;&amp;atilde;o, tenha esperado o momento ideal para bater esse papo com o figura. E foi no meio da reta final de produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o para a sua primeira individual - que acontecer&amp;aacute; no fim de outubro no Espa&amp;ccedil;o +Soma - que decidi ser a hora de finalmente acertar minhas contas com ele.&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&amp;nbsp;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;Motta, conta pra mim, quando foi que voc&amp;ecirc; pegou num pincel pela primeira vez?&lt;br /&gt; &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt; (Risos) Na primeira vez que fui fazer xixi sozinho! Agora, s&amp;eacute;rio, eu tenho um quadrinho na casa dos meus pais que fiz em 84, com 6 anos. Entre um monte de profiss&amp;otilde;es, meu pai se formou em arquitetura e, apesar de n&amp;atilde;o ter seguido profissinalmente a carreira de artista, pintava uns quadros quando tinha a idade que eu tenho agora. E ele sempre me incentivou muito a desenhar, esse primeiro quadrinho que eu fiz ele tava do meu lado, me ensinando como mexer com aquarela. E [quando se &amp;eacute;] crian&amp;ccedil;a, al&amp;eacute;m de pegar as coisas r&amp;aacute;pido, esses acontecimentos marcam muito. Lembro desse momento como se fosse hoje, &amp;eacute; muito louco!&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Voc&amp;ecirc; era um daqueles moleques que ficava na sala de aula fazendo caricaturas de todo mundo, dos amigos, do professor?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Era uma desgra&amp;ccedil;a, cara! Tomei bomba duas vezes na escola e sinceramente nem sei como n&amp;atilde;o repeti mais, me passavam de ano! E eu n&amp;atilde;o era um aluno burro, at&amp;eacute; porque quando sentava pra estudar tirava at&amp;eacute; uns 10, mas tava mais preocupado em desenhar como se n&amp;atilde;o houvesse amanh&amp;atilde;! Mais tarde, no terceiro ano, antes de entrar pra faculdade, na sala de aula tinha dois murais, o da esquerda e o da direita. E o da esquerda era meu! (Risos) No fim do ano, tinha umas setenta caricaturas e charges de coisas que rolavam na sala de aula! Eu chegava do recreio e tinha gente de outras turmas vendo, &amp;agrave;s vezes at&amp;eacute; visitante de fora do col&amp;eacute;gio!&amp;lt;/font&gt;  &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&amp;nbsp;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;Fala um pouco das tuas influ&amp;ecirc;ncias (e m&amp;aacute;s influ&amp;ecirc;ncias). &lt;/strong&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&amp;nbsp;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Eu geralmente n&amp;atilde;o curto focar em fulano, cicrano, mas tem algumas pessoas que me influenciaram e influenciam muito. Meu pai sempre esteve l&amp;aacute;, me deu apoio, at&amp;eacute; hoje quando vou pra casa dos meus pais pintar no terra&amp;ccedil;o do sobrado ele n&amp;atilde;o reclama quando eu cago tudo! (Risos) O Bruno Shulyba, amigo de inf&amp;acirc;ncia, desenhava comigo desde crian&amp;ccedil;a e, apesar de n&amp;atilde;o ter seguido carreira, desenhava demais, tinha um tra&amp;ccedil;o animal. O [Don] Torelly &amp;eacute; um grande amigo e uma inspira&amp;ccedil;&amp;atilde;o at&amp;eacute; hoje, passo mal com ele. J&amp;aacute; o Billy Argel me mostrou que shape brasileiro podia ser lindo tamb&amp;eacute;m. Tem o Evan Hecox, que &amp;eacute; foda tamb&amp;eacute;m, sei l&amp;aacute;... tem v&amp;aacute;rios! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;object height=&quot;385&quot; width=&quot;480&quot;&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;embed src=&quot;http://www.youtube.com/v/HMFDk-5OGSU&amp;amp;amp;hl=en_US&amp;amp;amp;fs=1&amp;amp;amp;&quot; height=&quot;385&quot; width=&quot;480&quot;&gt;&amp;lt;/embed&gt;&amp;lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como (e quando) voc&amp;ecirc; se envolveu com o skate, e que estrago isso fez na sua vida da&amp;iacute; em diante?&lt;/strong&gt;&amp;lt;/font&gt;  &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&amp;nbsp;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;(Risos) Ganhei o meu primeiro skate com uns 10 anos. Essa hist&amp;oacute;ria acabou ficando famosa por causa da minha parte no &lt;em&gt;RE:BOARD&lt;/em&gt; (document&amp;aacute;rio rec&amp;eacute;m-lan&amp;ccedil;ado sobre arte de skate no Brasil em que Motta foi um dos destaques). Pedi pra minha av&amp;oacute; um skate com um desenho de drag&amp;atilde;o no meu anivers&amp;aacute;rio e ela viajou pro Paraguai e me trouxe um que tinha uma lagartixa rosa beb&amp;ecirc; de &amp;oacute;culos escuros em cima de um skate! De l&amp;aacute; pra c&amp;aacute;, eu simplesmente n&amp;atilde;o sei como seria minha vida sem o skate junto. Tudo o que o skate me trouxe de brinde, no pacote, mudou minha vida. Arte, amigos, experi&amp;ecirc;ncias de vida, roupa, gosto musical, tudo, cara... Minha carreira profissional &amp;eacute; cal&amp;ccedil;ada na cultura de rua, mais especificamente do skate. E n&amp;atilde;o tem como negar isso, nem quero!&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&amp;nbsp;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;E a sua hist&amp;oacute;ria com os shapes, s&amp;oacute; esse assunto renderia mais uma entrevista... fala um pouco disso.&lt;/strong&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&amp;nbsp;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;A minha hist&amp;oacute;ria com os shapes &amp;eacute; de longa data. Desde que ganhei meu primeiro skate, eu era vidrado nos desenhos. Colocava grabber nos shapes s&amp;oacute; pra n&amp;atilde;o arranhar os desenhos e falava que era pra &amp;lsquo;grebar&#39;! (Risos) Quando a primeira s&amp;eacute;rie de shapes que desenhei saiu pela Agac&amp;ecirc;, eu desacreditei! Foi um marco na minha vida, de verdade! Depois, desenvolvi em conjunto contigo na Agac&amp;ecirc; muitas outras s&amp;eacute;ries, foi uma &amp;eacute;poca muito divertida. Desde moleque sempre tive em mente que o meu maior desejo era de um dia andar com um shape que eu tinha desenhado, e ver gente andando na rua ent&amp;atilde;o, nem se fala! &lt;br /&gt; At&amp;eacute; hoje tento sempre fazer um shape t&amp;atilde;o inspirado quanto o primeiro que fiz. Por mais que pare&amp;ccedil;a clich&amp;ecirc;, essa primeira s&amp;eacute;rie me mostrou que aquele sonho de moleque meio improv&amp;aacute;vel poderia rolar. Por isso &amp;eacute; sempre bom olhar pra tr&amp;aacute;s e n&amp;atilde;o esquecer dessa sensa&amp;ccedil;&amp;atilde;o que senti quando abri o pacote e vi os shapes finalmente prontos ali na minha frente!&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&amp;nbsp;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;Voc&amp;ecirc; tamb&amp;eacute;m tem um trabalho forte com o rap carioca e j&amp;aacute; emprestou seu tra&amp;ccedil;o a v&amp;aacute;rios artistas da cena, como De Leve, A Filial, BNeg&amp;atilde;o e Marcelo D2, n&amp;atilde;o necessariamente nessa ordem. Como rolaram essas parcerias?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Tudo amigo! O lance da m&amp;uacute;sica sempre foi muito presente na cultura do skate e sem querer a gente acaba conhecendo e ficando amigo de muita gente do meio musical, meio que uma coisa puxa a outra. O Edu [Lopes, do grupo A Filial] eu conhe&amp;ccedil;o desde moleque, do skate mesmo, o De Leve foi o Serginho que me apresentou, sempre me dizia que eu tinha que conhecer ele de quaquer jeito e acabou virando um amig&amp;atilde;o tamb&amp;eacute;m. O B&amp;ecirc; [BNeg&amp;atilde;o] morava no mesmo lugar que o Edu, em Santa Teresa, da&amp;iacute; acabou rolando o convite pra fazer o logo, o site dele. O Marcelo [D2] eu conhecia de vista, mas s&amp;oacute; fui conhecer mesmo quando ele quis samplear uns di&amp;aacute;logos de filme da Pepa Filmes, de que eu participava na &amp;eacute;poca. Da&amp;iacute; o tempo passou, a gente acabou ficando amigo e rolaram v&amp;aacute;rios trabalhos juntos, fiz a cole&amp;ccedil;&amp;atilde;o da Manisfesto pra ele, e tem uns projetos a&amp;iacute; pra rolar.&amp;lt;/font&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&amp;nbsp;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;J&amp;aacute; que voc&amp;ecirc; citou a Pepa Filmes, fale um pouco dessa &amp;eacute;poca.&lt;/strong&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&amp;nbsp;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Foi uma &amp;eacute;poca engra&amp;ccedil;ada da minha vida. Eu estudava e namorava, j&amp;aacute; trabalhava, mas n&amp;atilde;o tinha muitas obriga&amp;ccedil;&amp;otilde;es na vida! Morava a uns quinze minutos a p&amp;eacute; da casa do Pepa e do Renatim, e chegava l&amp;aacute;, nego de bobeira e a gente: &amp;quot;Porra, vamo fazer um filme?&amp;quot; N&amp;atilde;o tinha roteiro e, na minha opini&amp;atilde;o, a parada era essa, o descompromisso. Depois o Pepa fez faculdade de cinema e, normal, quis deixar as coisas mais organizadas, marcava reuni&amp;otilde;es etc. E a onda dele eram mesmo os efeitos especiais, as s&amp;aacute;tiras com fic&amp;ccedil;&amp;atilde;o cientifica, e a minha pegada era outra, do humor. Fora que depois j&amp;aacute; n&amp;atilde;o tinha mais o tempo livre que a coisa demandava, da&amp;iacute; acabei desencanando. Mas, sem resentimentos, foi uma &amp;eacute;poca animal, de chorar de tanto rir, a gente n&amp;atilde;o ganhava porra nenhuma, mas se divertia!&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&amp;nbsp;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;Mas o Cara de Cavalo t&amp;aacute; na ativa at&amp;eacute; hoje, n&amp;eacute;?&lt;/strong&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;&amp;nbsp;&lt;/strong&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;O Cara de Cavalo &amp;eacute; um personagem que saiu do &lt;em&gt;Coronel Cabelinho vs Graja&amp;uacute; Soldiaz&lt;/em&gt;, o longa metragem da Pepa Filmes, que era pra ter trinta minutos e acabou com quase uma hora e meia! Tenho uma rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o meio maluca com ele, t&amp;aacute; na ativa, mas aparece quando d&amp;aacute; na telha, n&amp;atilde;o manda e-mail nem liga antes (risos)!&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;&amp;nbsp;&lt;/strong&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;&amp;Eacute; tipo um esp&amp;iacute;rito que baixa em voc&amp;ecirc; de vez em quando?&lt;/strong&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&amp;nbsp;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&amp;Eacute;, tem uma parada engra&amp;ccedil;ada que minha m&amp;atilde;e e minha v&amp;oacute; me contam. Meu av&amp;ocirc; materno morreu antes de eu nascer, e elas falam que ele tamb&amp;eacute;m tinha essa coisa, do nada dava uma ziquizira e ele aparecia na sala, incorporando um personagem. E desde moleque eu sou assim, tem at&amp;eacute; filmagem minha pequenininho todo montado, incorporando personagem... E com o Cara de Cavalo rola isso tamb&amp;eacute;m, ele acabou ganhando vida pr&amp;oacute;pria, ainda mais depois da vinhetinha que gravei pro disco do Quinto Andar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;object height=&quot;385&quot; width=&quot;480&quot;&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;embed src=&quot;http://www.youtube.com/v/ecraIigQqls&amp;amp;amp;hl=en_US&amp;amp;amp;fs=1&amp;amp;amp;&quot; height=&quot;385&quot; width=&quot;480&quot;&gt;&amp;lt;/embed&gt;&amp;lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&amp;nbsp;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;Voc&amp;ecirc; tem um pequeno arsenal de personagens que criou, e alguns deles j&amp;aacute; te acompanham por um bom tempo, como o Negolindo, o Abarreta, o Theo22. Como nascem esses personagens? S&amp;atilde;o inspirados em pessoas que voc&amp;ecirc; conhece ou s&amp;atilde;o fic&amp;ccedil;&amp;atilde;o? Conta um pouco a hist&amp;oacute;ria de cada um deles.&lt;/strong&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&amp;nbsp;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Muita coisa eu tiro da vida real mesmo. O Negolindo &amp;eacute; meio que uma tira&amp;ccedil;&amp;atilde;o de sarro com os personagens bonitinhos que pipocaram no graffiti nos ultimos tempos. Ele &amp;eacute; a s&amp;iacute;ntese do que as pessoas mal resolvidas na vida acham de ruim: &amp;eacute; um pivete preto, zarolho, desdentado, descal&amp;ccedil;o e sem camisa. Mas tem cara de feliz. O Abarreta &amp;eacute; uma tira&amp;ccedil;&amp;atilde;o com os famosos &lt;em&gt;wannabes&lt;/em&gt;, como s&amp;atilde;o chamados na gringa. Ele n&amp;atilde;o faz nada de bom, n&amp;atilde;o sabe cantar, &amp;eacute; um mimado, mas se fantasia de rapper e vive uma vida de glamour que n&amp;atilde;o existe. O Theo22 &amp;eacute; um cara que existe na ZN, num condom&amp;iacute;nio na Vila Isabel. &amp;Eacute; um cara sinistr&amp;atilde;o! J&amp;aacute; fiz uns graffitis dele na frente da sua casa, ele j&amp;aacute; virou at&amp;eacute; shape pra uma marca alem&amp;atilde; (Subvert). Fiz o cara saindo duma tumba no cemit&amp;eacute;rio. E tenho alguns outros personagens que criei e ainda n&amp;atilde;o fiz nada com eles, pretendo um dia, mas por enquanto est&amp;atilde;o na minha cabe&amp;ccedil;a, bem guardados.&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&amp;nbsp;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;Seu trabalho parece ter sempre uma dose de humor impregnado. Voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o consegue levar nada na vida a s&amp;eacute;rio?&lt;/strong&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&amp;nbsp;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Por incr&amp;iacute;vel que pare&amp;ccedil;a, eu levo essa sacanagem muito a s&amp;eacute;rio (risos)! Tenho um prazer muito grande em provocar o riso, mesmo que interno, nas pessoas. Pintei um banheiro qu&amp;iacute;mico no Circo Voador um tempo atr&amp;aacute;s, que era um boneco do lado de fora e dentro s&amp;oacute; bilhete sacana! E t&amp;aacute; l&amp;aacute; at&amp;eacute; hoje. As pessoas entram e saem rindo. Isso pra mim n&amp;atilde;o tem pre&amp;ccedil;o.&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&amp;nbsp;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;Voc&amp;ecirc; &amp;eacute; do tipo que perde o amigo, mas n&amp;atilde;o perde a piada?&lt;/strong&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&amp;nbsp;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Cara, pior que n&amp;atilde;o! Eu n&amp;atilde;o curto o humor que parte pro plano da humilha&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Dei apelido pra um monte de gente j&amp;aacute;, apelidos que ficaram at&amp;eacute; hoje, mas n&amp;atilde;o lembro de nada humilhante. Tenho esse sarcasmo que n&amp;atilde;o larga de mim, gosto de dar umas alfinetadas, mas acho que d&amp;aacute; pra ser sacana sem ter que humilhar. &amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&amp;nbsp;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;Falando em apelidos, voc&amp;ecirc; um tempo atr&amp;aacute;s andou mudando a grafia do seu nome, primeiro de &amp;quot;Felipe&amp;quot; para &amp;quot;Felipe&amp;quot;, e depois come&amp;ccedil;ou a assinar seus trabalhos como Mottilaa, com dois &amp;quot;a&amp;quot; no final... Qual foi o motivo dessas mudan&amp;ccedil;as? Numerologia, esoterismo ou porque j&amp;aacute; tinha Felipe Motta demais por a&amp;iacute;, de campe&amp;atilde;o de snowboard a dono de loja de vinhos online?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; [A Mari, mulher de Felipe responde por ele] Todas as respostas acima! (Risos) &lt;br /&gt; Todas e mais um pouco! &amp;Eacute; um assunto delicado, que mexe com for&amp;ccedil;as ocultas, prefiro n&amp;atilde;o comentar mais sobre isso! (Risos)&amp;lt;/font&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&amp;nbsp;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;(Risos) Ok, vamos esquecer esse assunto. Me explica ent&amp;atilde;o por que quase todos os teus personagens t&amp;ecirc;m m&amp;atilde;os de pinguim, sem dedos? Faltou na aula no dia que ensinaram a desenhar dedos ou &amp;eacute; pura pregui&amp;ccedil;a mesmo?&lt;/strong&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&amp;nbsp;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;(Risos) Na real os meus personagens t&amp;ecirc;m dedos, sim, &amp;eacute; que de longe eles n&amp;atilde;o aparecem! E se precisar eu boto dedos neles, sim, quando eles t&amp;ecirc;m que mandar um fuck ou um joinha... Outro dia rolou um lance engra&amp;ccedil;ado, fui a uma reuni&amp;atilde;o de um trabalho em que me contrataram como ilustrador mostrar o layout dos personagens e o diretor de arte falou: &amp;quot;O Motta fez as m&amp;atilde;os aqui no layout sem dedos para agilizar, n&amp;eacute;?&amp;quot;, e eu: &amp;quot;N&amp;atilde;o, n&amp;atilde;o, &amp;eacute; assim mesmo!&amp;quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;  &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;(Risos) Vai, chegou a hora de vender o seu peixe! Fala um pouco do Petit-Pois Studio.&lt;/strong&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&amp;nbsp;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Opa! Essa a Mari responde! (Risos) O Petit Pois Studio nem era um projeto, mas acabou rolando. Como a Mari tamb&amp;eacute;m &amp;eacute; designer, a gente come&amp;ccedil;ou a pegar uns trabalhos juntos e, quando a gente viu, precisamos alugar um lugar pra trabalhar. O nome do est&amp;uacute;dio &amp;eacute; o nome do nosso cachorro, e o logo &amp;eacute; a cara dele. A gente fala que criou o conceito de &amp;quot;Live Logo&amp;quot;: ele fica aqui junto com a gente, ent&amp;atilde;o &amp;eacute; o logo andando pelo est&amp;uacute;dio o dia inteiro! (Risos) Na real, o Pois &amp;eacute; o nosso chefe, a gente s&amp;oacute; obedece!&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&amp;nbsp;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;E o graffiti, voc&amp;ecirc; considera mais como uma t&amp;eacute;cnica ou leva a parada a s&amp;eacute;rio, toda a quest&amp;atilde;o da ideologia, da tradi&amp;ccedil;&amp;atilde;o e das regras, de ter que fazer bomb, letras etc?&lt;/strong&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;&amp;nbsp;&lt;/strong&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Eu tenho uma rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o engra&amp;ccedil;ada com o graffiti. Comecei com os caras do FleshBeck aqui no Rio, me pilhando pra colocar meus desenhos no muro, da&amp;iacute; fui me interessando, ficando vidrado nessa coisa da escala, do tamanho das coisas. &amp;Eacute; muito louco ver um personagem teu com quatro metros de altura na entrada de um viaduto por onde passam milhares de pessoas por dia. Voc&amp;ecirc; fica pensando &amp;quot;o que todas essas pessoas devem pensar quando passam por aqui?&amp;quot; Acho legal essa coisa do graffiti, de deixar lugares horrorosos mais bonitos. Fiquei um tempo sem pintar, pintando uma coisinha aqui e outra ali, mas da metade do ano pra c&amp;aacute; acho que me deu um estalo e voltei com pique! Essa coisa de as pessoas se reunirem pra pintar tamb&amp;eacute;m &amp;eacute; meio que uma terapia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;object height=&quot;385&quot; width=&quot;480&quot;&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;param&gt;&amp;lt;/param&gt;&amp;lt;embed src=&quot;http://www.youtube.com/v/POB-awUHxwI&amp;amp;amp;hl=en_US&amp;amp;amp;fs=1&amp;amp;amp;&quot; height=&quot;385&quot; width=&quot;480&quot;&gt;&amp;lt;/embed&gt;&amp;lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;  &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;Voc&amp;ecirc; j&amp;aacute; &amp;eacute; bem conhecido no cen&amp;aacute;rio do skate e da m&amp;uacute;sica, mas pouca gente conhece o seu trabalho autoral. Agora que est&amp;aacute; se preparando para a sua primeira individual, no fim de outubro, onde vai poder mostrar esse seu outro lado que nem todos conhecem, fala um pouco sobre a tem&amp;aacute;tica da exposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o e o que pretende mostrar por l&amp;aacute;.&lt;/strong&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&amp;nbsp;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Ent&amp;atilde;o, eu viajei em abril com a Mari pro Peru. Passamos s&amp;oacute; 10 dias l&amp;aacute;, mas a quantidade de coisas que vimos foi absurda! Rodamos meio sem destino, mal sab&amp;iacute;amos pra onde a gente ia no dia seguinte. E &amp;eacute; um pa&amp;iacute;s com muita diversidade, a fauna, a flora, as pessoas, cores pra tudo quanto &amp;eacute; lado. E a gente, que trabalha com isso, n&amp;atilde;o tem como n&amp;atilde;o voltar com a cabe&amp;ccedil;a pipocando de ideias! Ent&amp;atilde;o essa exposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o ser&amp;aacute; a minha leitura, a minha interpreta&amp;ccedil;&amp;atilde;o do que vi por l&amp;aacute;. Sempre com essa pegada bem-humorada, nem que seja apenas no tra&amp;ccedil;o. E &amp;eacute; uma puta oportunidade pra eu dar um g&amp;aacute;s nesse meu lado autoral, que sempre esteve latente. Sempre pintei e ilustrei autoralmente, mas ainda tem todo um trabalho que tem que ser feito... Estou na maior expectativa, t&amp;aacute; chegando, mas eu funciono bem na press&amp;atilde;o... pelo menos nos &amp;uacute;ltimos 31 anos! (Risos)&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&amp;nbsp;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;E no geral, como voc&amp;ecirc; cria? Parte de uma ideia ou de um conceito pr&amp;eacute;-definido, se inspira em fatos ao seu redor ou simplesmente sai desenhando?&lt;/strong&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&amp;nbsp;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Geralmente tenho a ideia e quando boto no papel, mesmo que seja s&amp;oacute; pra rascunhar, ela j&amp;aacute; est&amp;aacute; bem definida na cabe&amp;ccedil;a. Mas &amp;agrave;s vezes n&amp;atilde;o, &amp;eacute; um processo que nem sempre &amp;eacute; linear. Saio na rua e ou&amp;ccedil;o um cara falando uma merda, acho engra&amp;ccedil;ado e aquilo me lembra de alguma outra coisa, que me d&amp;aacute; uma ideia que &amp;agrave;s vezes n&amp;atilde;o tem nada a ver com a merda que o cara falou! (Risos)&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&amp;nbsp;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;Defina seu trabalho em uma frase curta, estilo frase de msn ou twitter.&lt;/strong&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;&amp;nbsp;&lt;/strong&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;(Risos) [Mari diz] Voc&amp;ecirc; faz esse tipo de tortura com todo mundo que entrevista, tipo Mar&amp;iacute;lia Gabriela?&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&amp;nbsp;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;(Risos) N&amp;atilde;o, mas quando &amp;eacute; com amigo tem que dar uma judiada, n&amp;eacute;? Quem vai ao programa dela j&amp;aacute; sabe que tem que chegar com uma frase pronta na ponta da l&amp;iacute;ngua. Ent&amp;atilde;o, assim, de surpresa &amp;eacute; mais divertido!&lt;/strong&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;&amp;nbsp;&lt;/strong&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;A Mari mandou outro dia uma que me define bem: &amp;quot;Se Deus escreve certo por linhas tortas porque eu &amp;eacute; que vou ter que fazer linhas retas?&amp;quot; (risos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;  &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;Para terminar, gostaria de dizer mais alguma coisa em sua defesa?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;/strong&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;(Risos) Deixa eu pensar...&amp;nbsp; &amp;quot;Quem n&amp;atilde;o deve n&amp;atilde;o treme!&amp;quot;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;&amp;lt;font&gt;&amp;nbsp;&amp;lt;/font&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;&amp;lt;font&gt;Veja Mais:&amp;lt;/font&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://www.mottamobil.blogspot.com&quot;&gt;&amp;lt;u&gt;&amp;lt;font&gt;www.mottamobil.blogspot.com&amp;lt;/font&gt;&amp;lt;/u&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&amp;nbsp;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&amp;nbsp;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
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    <author>
      <name>tiago</name>
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    <published>2009-11-04T12:01:00Z</published>
    <updated>2009-11-04T13:03:32Z</updated>
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    <title>Fabio Zimbres</title>
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Fotos Marina Camargo &amp;lt;/font&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;&amp;nbsp;&lt;/strong&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;Contar a piada: Meio&lt;/strong&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Em 2000, Fabio Zimbres lan&amp;ccedil;ou um daqueles divertidos livros animados, em que as figuras se mexem enquanto folheamos rapidamente. Trata-se de uma narrativa muito simples, na verdade uma gag, t&amp;iacute;pica de antigos programas humor&amp;iacute;sticos. Acredito que a pequena pe&amp;ccedil;a seja exemplar da linguagem de Zimbres nos desenhos, quadrinhos e ilustra&amp;ccedil;&amp;otilde;es.&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;O livro dedicava-se ao decoro, aos bons costumes e ao respeito ao pr&amp;oacute;ximo. N&amp;atilde;o por acaso, foi intitulado &lt;em&gt;Bem Educado&lt;/em&gt;. O artista gosta do assunto. Tanto que reuniu alguns dos seus desenhos e pinturas em um volume chamado &lt;em&gt;Guia Pr&amp;aacute;tico de Boas Maneiras&lt;/em&gt;. Alguns de seus personagens, como Hugo, das tiras do &amp;aacute;lbum &lt;em&gt;Vida Boa &lt;/em&gt;(2009), e Alcides, em &lt;em&gt;M&amp;uacute;sica Para Antropomorfos&lt;/em&gt; (2007) perdem um temp&amp;atilde;o escutando ou se auto-punindo pela inadequa&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave;s regras do &amp;quot;bom comportamento&amp;quot;. &amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Em &lt;em&gt;Bem Educado&lt;/em&gt;, dois personagens de chap&amp;eacute;u se encontravam e se cumprimentavam. Um deles era a caricatura do homem sem qualidades. Desenhado esquematicamente, n&amp;atilde;o tinha maiores caracter&amp;iacute;sticas e nem detalhes que o singularizassem. Por isso, poderia estar tanto na margem direita superior de um convite de festa junina, como ocupar a estampa daqueles belos pijamas confeccionados na cidade de Borda da Mata (MG). Tal como as figuras eg&amp;iacute;pcias nos hier&amp;oacute;glifos e nas tumbas da antiguidade, era desenhado com a cabe&amp;ccedil;a de perfil, o corpo de frente e os dois p&amp;eacute;s, lado a lado, id&amp;ecirc;nticos, sem parte de dentro e nem parte de fora. Era uma forma idealizada, sem carne nem particularidades. Zimbres n&amp;atilde;o dava pista de quem era o sujeito, mas colocava bot&amp;otilde;ezinhos no que parecia ser sua camisa e um chap&amp;eacute;u na sua cabe&amp;ccedil;a. O figurino transformava aquelas formas simples e d&amp;oacute;ceis, aquela silhueta achatada, com membros como ap&amp;ecirc;ndices, em um caipira, vestido como os homens de respeito se apresentavam no Brasil antes da d&amp;eacute;cada de 50 e continuam a se apresentar nas zonas rurais. Diante dele, um rob&amp;ocirc;, feito com pe&amp;ccedil;as quadriculadas, de chap&amp;eacute;u na cabe&amp;ccedil;a e sunga nas partes pudorentas. Ele aparecia de frente, olhando para n&amp;oacute;s, que manuseamos o caderninho, e n&amp;atilde;o voltava o olhar para o seu interlocutor. &amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Como muitos dos personagens de Zimbres - sejam eles humanos, cachorros que falam, vestem terno, desenhos que se destacaram do papel - o rob&amp;ocirc; parecia uma montagem de blocos coloridinhos a andar pelas ruas. Mecanicamente, guardava semelhan&amp;ccedil;as com o homem, e fazia um gesto banal, mas recomend&amp;aacute;vel quando algu&amp;eacute;m que merece respeito aparece diante de voc&amp;ecirc;. O caipira tirava o chap&amp;eacute;u da cabe&amp;ccedil;a e saudava a m&amp;aacute;quina, demonstrando cortesia. O rob&amp;ocirc;, t&amp;atilde;o simples e cort&amp;ecirc;s quanto seu interlocutor, notava a boa vontade e repetia o cumprimento. Not&amp;aacute;vamos a&amp;iacute; que o decoro era um gesto autom&amp;aacute;tico, como se o rob&amp;ocirc; estivesse aprendendo a ser gentil - ao retirar o chap&amp;eacute;u, retribuindo uma gentileza, ele n&amp;atilde;o notava que tirava fora sua cabe&amp;ccedil;a. A m&amp;aacute;quina pifava e o caipira se assustava com o suic&amp;iacute;dio cometido pelo rob&amp;ocirc; em nome dos bons modos. Como boa parte das hist&amp;oacute;rias de Zimbres, o desfecho era ao mesmo tempo tr&amp;aacute;gico e c&amp;ocirc;mico.&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;De forma condensada, o trabalho parece revelar alguns assuntos recorrentes na obra do artista. O primeiro, e mais evidente, &amp;eacute; colocar, em um espa&amp;ccedil;o meio indistinto, figuras que n&amp;atilde;o parecem pertencer ao mesmo mundo. Ningu&amp;eacute;m espera que um rob&amp;ocirc; conviva com um caipira a ponto de cumpriment&amp;aacute;-lo na rua. Outra coisa que interessa Zimbres &amp;eacute; remover a cabe&amp;ccedil;a e outras partes do corpo de seus personagens. Agora mesmo, em 2009, ele mostrou uma s&amp;eacute;rie de desenhos &amp;agrave; caneta em que figuravam disquetes, fitas cassete e outros objetos desmontados. As pe&amp;ccedil;as, afastadas umas das outras por linhas tracejadas, pareciam dispon&amp;iacute;veis para fazer qualquer coisa. Como em suas hist&amp;oacute;rias, ele desmonta e remonta, faz da narrativa o que quer.&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;Desmontar: Come&amp;ccedil;o&lt;/strong&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Em outros momentos, Zimbres deu sentidos diferentes &amp;agrave; mutila&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Come&amp;ccedil;amos do meio, ent&amp;atilde;o voltemos ao come&amp;ccedil;o. &amp;nbsp;Ainda na d&amp;eacute;cada de oitenta, Zimbres editava a revista &lt;em&gt;Animal&lt;/em&gt; junto com Newton Foot, Priscila Farias e Rog&amp;eacute;rio de Campos. J&amp;aacute; no primeiro exemplar, ilustrava o &amp;iacute;ndice com uma s&amp;eacute;rie de nove desenhos em que aproveitava a cabe&amp;ccedil;a de um rato e a colocava sobre nove corpos diferentes, separados &amp;agrave; mesma dist&amp;acirc;ncia; um padr&amp;atilde;o de fazer inveja a quem arranja as prateleiras dos melhores supermercados e a qualquer artista do minimalismo. &amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;A cabe&amp;ccedil;a de rato se parecia muito com a cabe&amp;ccedil;a do Mickey, mas sem os tra&amp;ccedil;os de neotenia que nos fazem ver no personagem de Walt Disney uma figura bonitinha que nunca envelhece. Em cada uma de suas nove apari&amp;ccedil;&amp;otilde;es, o rato era uma coisa diferente. Surgia com a blusa do Pato Donald e os membros inferiores de um rato de esgoto; com as luvas e sapatos do Mickey, mas nu, com o sexo exposto; como rob&amp;ocirc;, executivo, super-her&amp;oacute;i, super-her&amp;oacute;i decadente e dan&amp;ccedil;arina havaiana.&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Ao deslocar uma parte do corpo de um &amp;iacute;cone dos quadrinhos e mont&amp;aacute;-lo nas partes de outros personagens, Zimbres subvertia o sentido daquelas figuras e mostrava a que a sua gera&amp;ccedil;&amp;atilde;o vinha. No seu desenho, o rato continua a ser Mickey, mas menos idealizado e mais tr&amp;aacute;gico, como se tirasse a fantasia e largasse com ela toda a seguran&amp;ccedil;a de um desenrolar previs&amp;iacute;vel e feliz. Agora a vida dele era vivenciada como a nossa. Essa nova abordagem dos personagens e das narrativas dos quadrinhos era almejada por boa parte dos autores e editores da &lt;em&gt;Animal&lt;/em&gt;. Figuraram, naquelas p&amp;aacute;ginas, gigantes como Vuillemin, Andrea Pazienza, Jaca, Gary Panter, Filipo Scozzari etc. Buscavam uma renova&amp;ccedil;&amp;atilde;o da narrativa e do desenho nos quadrinhos. Desde o uso de bal&amp;otilde;es at&amp;eacute; a disposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos quadros na p&amp;aacute;gina, tudo podia ser repensado. &amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&amp;lt;font&gt;&amp;lt;font&gt;Zimbres e seus parceiros de jornada buscavam o mesmo tipo de liberdade narrativa e de desenho livre, sem nem a infantiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do tra&amp;ccedil;o nem o kitsch musculoso das revistas de her&amp;oacute;i. A ideia hegem&amp;ocirc;nica de underground ainda tinha algum sentido contestador. Procurava-se afirmar um gosto que n&amp;atilde;o &amp;eacute; o estabelecido e n&amp;atilde;o quer ser refinado, mas que procura contar algo novo, que at&amp;eacute; ent&amp;atilde;o n&amp;atilde;o interessava a ningu&amp;eacute;m. Mas, ao contr&amp;aacute;rio dos comix dos anos sessenta, que criaram a HQ underground, os quadrinhos de Zimbres n&amp;atilde;o buscavam uma rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o com as alucina&amp;ccedil;&amp;otilde;es e nem com realidades subterr&amp;acirc;neas, cheias de aspectos repugnantes, sexo e excrementos. Sua abordagem n&amp;atilde;o era de um realismo ao modo de Daumier ou os Freak Brothers, de Gilbert Shelton. Como na hist&amp;oacute;ria do caipira e do rob&amp;ocirc;, lhe interessam situa&amp;ccedil;&amp;otilde;es corriqueiras - ali&amp;aacute;s, absurdas de t&amp;atilde;o corriqueiras.&amp;lt;/font&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Uma de suas primeiras p&amp;aacute;ginas, de 1990, foi a s&amp;eacute;rie &lt;em&gt;Minha Vida de Cachorro&lt;/em&gt;. Nela, um personagem com cara de cachorro e corpo de gente, como o Pateta, aparecia flutuando sob um feixe de luz, como em um programa de TV, e dizia: &amp;quot;levitar &amp;eacute; f&amp;aacute;cil, basta tirar os p&amp;eacute;s do ch&amp;atilde;o&amp;quot;. Nada de fato acontecia e ele n&amp;atilde;o nos ensinava nada. &amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Em vez de recriar as alucina&amp;ccedil;&amp;otilde;es, o artista desfazia a ilus&amp;atilde;o e, com o tempo, passou a se ocupar de ilus&amp;otilde;es cada vez mais complexas. Fez formas de desenhar mais simples e modos ainda mais sofisticados de dispor as figuras na p&amp;aacute;gina. Em 1991, com a &lt;em&gt;Animal&lt;/em&gt; na raspa do tacho e o amor no peito, Fabio Zimbres mudou-se para Porto Alegre. L&amp;aacute;, se aproximou das artes pl&amp;aacute;sticas e aprofundou sua pesquisa. Sua abordagem dos quadrinhos passou a lidar com o espa&amp;ccedil;o da p&amp;aacute;gina e distribuir narrativas simult&amp;acirc;neas, que muitas vezes se sobrepunham umas &amp;agrave;s outras. As formas de decompor e desconstruir, antes tem&amp;aacute;ticas, passaram a se ocupar com a narrativa e o modo como ordenar a passagem de uma p&amp;aacute;gina &amp;agrave; seguinte. Por isso, ele passou a se dedicar cada vez mais ao desenho, &amp;agrave; pintura e &amp;agrave; ilustra&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Curiosamente, o racioc&amp;iacute;nio trabalhou com algumas quest&amp;otilde;es que perpassaram boa parte da produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o pict&amp;oacute;rica da d&amp;eacute;cada de oitenta. Muito da pintura feita naquela &amp;eacute;poca se dedicava a sobrepor e relacionar figuras que pareciam pertencer a momentos diferentes. O trabalho de David Salle foi o exemplo mais caricato desse tipo de trabalho. L&amp;aacute;, duas inst&amp;acirc;ncias de pintura falam de forma c&amp;iacute;nica sobre uma moralidade sexual. Uma camada &amp;eacute; mais realista, outra um desenho transparente que aparece sobreposto &amp;agrave; imagem mais convencional. Embora essa sobreposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o tenha &amp;oacute;timos resultados na pintura de um Julian Schnabel, considero fraco o modo como Salle associa uma parte &amp;agrave; outra. O artista usa uma imagem como esp&amp;eacute;cie de sentido oculto da cena pintada com mais rigor. A figura mais apagada explica e condena a outra.&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Salle n&amp;atilde;o inventou isso e nem estava sozinho: era o esp&amp;iacute;rito de uma &amp;eacute;poca, e &amp;oacute;timos artistas brasileiros trabalharam a quest&amp;atilde;o muito bem. No trabalho de Zimbres, acredito que isso tenha aparecido por ele trabalhar no entrecruzar de diversas po&amp;eacute;ticas. Agora, nada mais distante da produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Zimbres do que essa inten&amp;ccedil;&amp;atilde;o did&amp;aacute;tica. O que ele consegue com essa sobreposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; criar associa&amp;ccedil;&amp;otilde;es livres. A ideia, creio eu, veio dos quadrinhos. Como ele tem uma cultura de quadrinhos maior que a biblioteca de Alexandria, seu racioc&amp;iacute;nio em pintura e em desenho sempre acompanhou uma reflex&amp;atilde;o sobre a linguagem. O artista tamb&amp;eacute;m foi editor, por anos, da coluna Maudito Fanzine, em que acompanhava a produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o de zines de todos os cantos. Talvez por isso ele tenha encontrado na produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o de livros de artista a melhor forma de reunir aquele racioc&amp;iacute;nio de pintura e ilustra&amp;ccedil;&amp;atilde;o com o das narrativas sequenciais. J&amp;aacute; em suas primeiras tiras, havia uma esp&amp;eacute;cie de indefini&amp;ccedil;&amp;atilde;o do lugar onde acontecem as cenas e uma omiss&amp;atilde;o do que acontece no intervalo entre um quadrinho e outro. &amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Quando o desenhista come&amp;ccedil;ou a trabalhar os seus &lt;em&gt;livros de artista&lt;/em&gt;, como &lt;em&gt;Adelante&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;A Luta Entre o Bem e o Mal&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Balan&amp;ccedil;o Anual&lt;/em&gt;, os assuntos passaram a ser a forma de o desenho ocupar a p&amp;aacute;gina, a falta de sentido de signos soltos e mesmo a tentativa de retirar qualquer sentido moral das figuras. O tra&amp;ccedil;o do artista tentava diminuir a zero o grau de interpreta&amp;ccedil;&amp;atilde;o. N&amp;atilde;o se tratava mais de quadrados que criavam uma narrativa no tempo, mas figuras que ocupavam um espa&amp;ccedil;o e faziam algo naquelas p&amp;aacute;ginas por se associarem de uma forma meio solta.&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;&amp;lt;font&gt;Livros como &lt;em&gt;As F&amp;eacute;rias de H&amp;eacute;rcules&lt;/em&gt; e o trabalho magistral feito a partir do poema &lt;em&gt;Panam&amp;aacute;&lt;/em&gt; (2004), de Blaise Cendrars, aproveitam o car&amp;aacute;ter gr&amp;aacute;fico e intercambi&amp;aacute;vel das figuras, que muitas vezes s&amp;atilde;o tratadas como caracteres soltos no espa&amp;ccedil;o, que mudam de sentido de acordo com o contexto. Como palavras que, utilizadas em um lugar diferente, aludem a sentidos diversos. &amp;nbsp;Em seu gibi &lt;em&gt;M&amp;uacute;sica Para Antropomorfos&lt;/em&gt; (2007), um homem esquisito &amp;eacute; apresentado como um sujeito solit&amp;aacute;rio, a criar bichos de sucata e atribuir vida a eles, e depois &amp;eacute; mostrado como um pr&amp;eacute;dio. Torna-se um grande empreendimento imobili&amp;aacute;rio, onde acontecem golpes de estado, programas culturais e todo o tipo de absurdo da raz&amp;atilde;o. &amp;lt;/font&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;A partir desse momento, o artista estabelece uma rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o solta entre os elementos. As cenas s&amp;atilde;o sugeridas, mas cheias de interfer&amp;ecirc;ncias. A ilus&amp;atilde;o feita e refeita pela proximidade das figuras. Quando refaz as imagens de Cendrars em &lt;em&gt;Panam&amp;aacute;&lt;/em&gt;,&lt;em&gt; &lt;/em&gt;Zimbres procura isso. Aqui, permito-me aproximar alguns desses procedimentos po&amp;eacute;ticos de decis&amp;otilde;es das primeiras vanguardas modernistas. Por um lado, a associa&amp;ccedil;&amp;atilde;o vem do trabalho feito a partir do poema de Cendrars, mas essa dissolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o da cena cria rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es soltas entre as figuras e mesmo entre os elementos de cada figura. &amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Mal comparando, quando Picasso e Braque, em 1908, durante o chamado cubismo anal&amp;iacute;tico, resolveram desmanchar o volume e dissociar os contornos e cores do desenho, criaram outras rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es e trouxeram liberdade para a arte. Logo, as faces de uma paisagem eram t&amp;atilde;o planas quanto as letras da tipografia e, assim, passavam a se relacionar como elementos superficiais. Esses elementos por vezes sugeriam imagens, por vezes apenas uma coisa ao lado da outra. Mas se tratava de um per&amp;iacute;odo her&amp;oacute;ico da modernidade, com confian&amp;ccedil;a na raz&amp;atilde;o e no seu potencial de colocar as coisas juntas.&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Fabio Zimbres trabalha em outro per&amp;iacute;odo, a partir de outros elementos. Por exemplo, figura material obsoleto, fitas, disquetes. Imagens gastas, como a do Mickey. Desenhos e figuras se parecem com res&amp;iacute;duos de um futuro que j&amp;aacute; passou. Por isso, ainda se trata da ilus&amp;atilde;o. Em &lt;em&gt;M&amp;uacute;sica Para Antropomorfos&lt;/em&gt;, a manuten&amp;ccedil;&amp;atilde;o da primeira edi&amp;ccedil;&amp;atilde;o de alguns livros e a audi&amp;ccedil;&amp;atilde;o de discos na prensagem original faz toda a diferen&amp;ccedil;a. Os personagens, que acreditam viver em um ambiente superior - quando vivem enclausurados em um rob&amp;ocirc; -, acreditam que um disco de vinil modificar&amp;aacute; a vida de um sujeito de um modo que a c&amp;oacute;pia digital jamais far&amp;aacute;. Enquanto vivem um golpe de Estado, perdem tempo com discuss&amp;otilde;es vitais sobre as diferen&amp;ccedil;as de tradu&amp;ccedil;&amp;atilde;o do s&amp;aacute;bio Undraganah por Junda&amp;iacute; e Thelonious Monk.&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;Juntar as pe&amp;ccedil;as: Final&lt;/strong&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Para encerrarmos com o fim, em 2009 Fabio Zimbres lan&amp;ccedil;a &lt;em&gt;Vida Boa&lt;/em&gt;. Nele, o artista reuniu as tiras que ele publicou entre 1999 e 2001 na &lt;em&gt;Folha de S Paulo&lt;/em&gt;, fez mais quarenta tiras e arrumou tudo em uma hist&amp;oacute;ria. Acompanhamos as desventuras de um cachorro antropomorfizado a lamentar sua falta de sorte, seu fracasso e celebrar as suas conquistas para um copo.&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;O objeto come&amp;ccedil;a a falar depois que um dos amigos de Hugo, tamb&amp;eacute;m com cara de cachorro, diz que &amp;quot;Deus poderia ser um copo&amp;quot;. E o copo responde. Depois disso, n&amp;atilde;o sabemos se os di&amp;aacute;logos com o copo s&amp;atilde;o o superego do protagonista ou um objeto bem acabado a ca&amp;ccedil;oar da vida pat&amp;eacute;tica dele. O fato &amp;eacute; que Hugo passa a depender completamente da interlocu&amp;ccedil;&amp;atilde;o com o objeto, tal como muitas outras formas de or&amp;aacute;culo ou de manias que criamos para a vida. Mas a maior ilus&amp;atilde;o de Hugo &amp;eacute; a de que amanh&amp;atilde;, tudo bem. Pouco a pouco ele perde quase tudo, menos a esperan&amp;ccedil;a de dias felizes. O tema tamb&amp;eacute;m aparece nos desenhos que o artista exp&amp;ocirc;s este ano em uma coletiva em Porto Alegre. Em trabalhos feitos a caneta, peda&amp;ccedil;os de figura&amp;ccedil;&amp;atilde;o parecem inventar espa&amp;ccedil;os dom&amp;eacute;sticos e paisagens quase primitivas. Tudo parece meio falso, como as promessas que fazemos pra n&amp;oacute;s mesmos deitados na cama.&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Em 2006, Zimbres publicou um artigo no jornal da Sociedade dos Ilustradores do Brasil. Nele, conclu&amp;iacute;a: &amp;quot;Se o mercado de ilustra&amp;ccedil;&amp;atilde;o se resumisse a fazer sempre o que o editor quer, eu estaria fazendo outra coisa. N&amp;atilde;o porque ache isso menor, mas porque &amp;eacute; uma forma de trabalhar que n&amp;atilde;o me interessa pessoalmente. O mercado de ilustra&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; vasto e h&amp;aacute; muita coisa diferente para se fazer. O importante &amp;eacute; cada artista achar seu lugar.&amp;quot; Fabio Zimbres achou o seu, e &amp;eacute; um universo.&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&amp;nbsp;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;Saiba mais:&lt;/strong&gt; &amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;lt;u&gt;&lt;a href=&quot;http://www.fzimbres.com.br&quot;&gt;&amp;lt;font&gt;www.fzimbres.com.br&amp;lt;/font&gt;&lt;/a&gt;&amp;lt;/u&gt;&lt;/p&gt;
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    <author>
      <name>tiago</name>
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    <published>2009-09-15T19:16:00Z</published>
    <updated>2009-09-15T22:17:24Z</updated>
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    <title>Fef&#234; Talavera</title>
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            &lt;p&gt;&amp;nbsp;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;&amp;lt;font&gt;Lil Monsta &amp;ndash; Entrevista com Fef&amp;ecirc; Talavera&amp;lt;/font&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;em&gt;Por Tiago Moraes&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo mundo tem seus monstros. Sentimentos como medo, raiva, e culpa que, para n&amp;atilde;o serem somatizados e atingirem propor&amp;ccedil;&amp;otilde;es gigantescas, precisam ser exteriorizados de alguma forma. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernanda Salinas Talavera, ou simplesmente &lt;strong&gt;Fef&amp;ecirc; Talavera&lt;/strong&gt;, usa a sua arte para colocar para fora todos os seus, e pouco a pouco vai se libertando de sentimentos que a cutucam e incomodam. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brasileira de ra&amp;iacute;zes mexicanas, essa artista de 29 anos formada na FAAP, e p&amp;oacute;s-graduada nas ruas, reside atualmente em Madri com o marido, o tamb&amp;eacute;m artista franc&amp;ecirc;s Remed. Mas seu esp&amp;iacute;rito livre e inquieto faz com que possa ser encontrada em qualquer parte do mundo, seja pintando um muro na It&amp;aacute;lia, expondo num museu em Ottawa ou cantando num palco para milhares de pessoas na Mal&amp;aacute;sia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;Voc&amp;ecirc; se lembra de quando e como come&amp;ccedil;ou a se interessar por arte? &lt;/strong&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;br /&gt;Sempre me interessei, desde pequena, meu pai costumava me ensinar a pintar com aquarela e pastel seco. Eu ficava maravilhada com as cores, os cheiros e a facilidade que ele tinha pra fazer qualquer coisa. Acredito que tenha sido o meu maior exemplo. Os meus pais sempre me apoiaram, a casa deles &amp;eacute; cheia de arte. Tamb&amp;eacute;m tive aula com a Leda Catunda, foi com ela que fiz meu primeiro quadro, e depois de um tempo me interessei em come&amp;ccedil;ar a fazer coisas na rua&amp;hellip;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;Voc&amp;ecirc; se formou em artes pl&amp;aacute;sticas na FAAP, uma das escolas de arte mais tradicionais e renomadas do pa&amp;iacute;s. Paralelamente, experimentou muito nas ruas, e se envolveu com a cena de arte urbana justamente em um momento em que o graffiti tradicional come&amp;ccedil;ou a dividir os muros com outros tipos de interven&amp;ccedil;&amp;otilde;es. O que voc&amp;ecirc; aprendeu de importante na faculdade que nunca aprenderia na rua e o que aprendeu na rua que nunca aprenderia numa faculdade?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Aprendi que para ser artista voc&amp;ecirc; precisa ser livre, n&amp;atilde;o precisa de uma faculdade. Ela me limitou muito, eu entrei l&amp;aacute; livre e sa&amp;iacute; completamente bloqueada. Voc&amp;ecirc; at&amp;eacute; aprende coisas importantes, como Hist&amp;oacute;ria da Arte uma pequena no&amp;ccedil;&amp;atilde;o das t&amp;eacute;cnicas, mas &amp;eacute; s&amp;oacute; isso. De resto, eu me irritava muit&amp;iacute;ssimo em ter que fazer o que o professor queria e n&amp;atilde;o o que eu queria. Quem &amp;eacute; ele para dizer se minha arte est&amp;aacute; certa ou errada? Na FAAP est&amp;aacute; cheio de professor/artista fajuto, muita panelinha, muita arrog&amp;acirc;ncia, muito conceito&amp;hellip;blah!! N&amp;atilde;o aguento!!!&lt;br /&gt;J&amp;aacute; na rua &amp;eacute; outra hist&amp;oacute;ria, n&amp;atilde;o existem regras. Se voc&amp;ecirc; quiser expor seu trabalho voc&amp;ecirc; vai l&amp;aacute;, faz e pronto, est&amp;aacute; l&amp;aacute;, &amp;agrave; disposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o de quem quiser ver. A quantidade de gente que v&amp;ecirc; o seu trabalho &amp;eacute; enorme, e o mais legal &amp;eacute; que n&amp;atilde;o &amp;eacute; s&amp;oacute; a galera que frequenta galerias de arte, mas o jornaleiro, a senhorinha que lava os banheiros do hospital, o porteiro, e at&amp;eacute; mesmo o curador da Bienal. Na rua a gente tem mais possibilidades de aproveitar o espa&amp;ccedil;o, de fazer cada vez maior e de experimentar diferentes tipos de superf&amp;iacute;cies.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Voc&amp;ecirc; teve uma fase bem marcante com os seus bichos (ou monstros) tipogr&amp;aacute;ficos, feitos com tipos recortados de cartazes de lambe-lambe, e com isso conseguiu respeito e reconhecimento n&amp;atilde;o s&amp;oacute; na comunidade de arte urbana como tamb&amp;eacute;m entre os tip&amp;oacute;grafos. Fale um pouco dessa fase e do que essas criaturas representavam para voc&amp;ecirc;. &lt;/strong&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;br /&gt;Fazer os bichos tipogr&amp;aacute;ficos para mim foi um grande passo na minha carreira de artista. Comecei pintando em p&amp;ocirc;steres velhos e colando na rua, da&amp;iacute; percebi que esses p&amp;ocirc;steres por si s&amp;oacute; j&amp;aacute; eram uma obra de arte. Aquelas letras tinham vida para mim, eram t&amp;atilde;o bonitas que eu comecei a recort&amp;aacute;-las em grande quantidade e, como eu j&amp;aacute; fazia os monstros, resolvi tentar com a colagem, e deu certo. Essa fase foi super boa, porque foi a &amp;eacute;poca em que conheci os meus mais queridos amigos. O Flip me convidou pra expor na Most, foi a minha primeira individual, e na sequ&amp;ecirc;ncia as coisas come&amp;ccedil;aram a acontecer. Comecei a fazer mais exposi&amp;ccedil;&amp;otilde;es na Choque Cultural, e depois come&amp;ccedil;aram as rolar os convites para exposi&amp;ccedil;&amp;otilde;es no exterior.&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Voc&amp;ecirc; ainda pretende acordar essas criaturas de novo um dia ou aquilo foi s&amp;oacute; uma fase que n&amp;atilde;o pretende retomar? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Claro, elas continuam vivas, s&amp;oacute; preciso arranjar um tempo para cortar letras &amp;ndash; demora muito e eu me desespero. Gosto de mudar sempre, de descobrir novas t&amp;eacute;cnicas, de ir reciclando tudo que eu j&amp;aacute; fiz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;Li em algum lugar que esses seus monstros s&amp;atilde;o a sua maneira de exteriorizar toda a raiva, o medo, os sonhos e desejos. O que deixa voc&amp;ecirc; com raiva hoje? E com medo? Com o que voc&amp;ecirc; mais sonha? E o que mais deseja?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;O que mais me deixa com raiva &amp;eacute; a ignor&amp;acirc;ncia, a prepot&amp;ecirc;ncia e a crueldade. Tenho medo da dor de perder algu&amp;eacute;m que eu amo. Sonho em ter mais paci&amp;ecirc;ncia com as pessoas&amp;hellip; e desejo conseguir sobreviver mais alguns anos fazendo arte.&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Sua arte traz influ&amp;ecirc;ncias astecas e maias, e isso faz todo o sentido, j&amp;aacute; que voc&amp;ecirc; tem ra&amp;iacute;zes no M&amp;eacute;xico, ber&amp;ccedil;o dessas culturas . Por outro lado, voc&amp;ecirc; cresceu e passou toda a inf&amp;acirc;ncia e adolesc&amp;ecirc;ncia em S&amp;atilde;o Paulo. Qual das duas culturas mais influenciou e moldou o seu trabalho at&amp;eacute; chegar ao que &amp;eacute; hoje?&lt;/strong&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;As duas culturas s&amp;atilde;o uma grande influ&amp;ecirc;ncia. Dentro de casa a minha cultura sempre foi a mexicana, j&amp;aacute; fora de casa foi a brasileira, ent&amp;atilde;o fica meio dif&amp;iacute;cil&amp;hellip; Mas acho que no geral a cultura mexicana me influenciou mais&amp;hellip;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Hoje voc&amp;ecirc; mora em Madri. Quais as principais diferen&amp;ccedil;as que voc&amp;ecirc; v&amp;ecirc; na cena cultural de Madri e da Europa como um todo em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o ao Brasil?&lt;/strong&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;A cena cultural aqui &amp;eacute; incr&amp;iacute;vel, os europeus t&amp;ecirc;m sorte nisso, t&amp;ecirc;m sempre shows, espet&amp;aacute;culos, t&amp;ecirc;m sempre milh&amp;otilde;es de coisas interessantes para ver, coisa que no Brasil n&amp;atilde;o tem. Acho muito prazeroso sentar num parque super bem cuidado, ir aos museus, no ver&amp;atilde;o tem muita coisa pra fazer, tem cinema ao ar livre, tem pracinha onde todo mundo senta pra bater um papo e tomar cerveja, tem festa de bairro, tem uns lagos para andar de canoa com o namorado&amp;hellip;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Voc&amp;ecirc; se casou recentemente com o Remed, um franc&amp;ecirc;s que tamb&amp;eacute;m &amp;eacute; artista. Onde e como se conheceram? Foi no Brasil ou na Europa? &lt;/strong&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Nos conhecemos em Barcelona, numa exposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o dele na Montana Gallery. Quando vi a arte dele pela primeira vez, me apaixonei pelo tra&amp;ccedil;o e principalmente pelas letras e significados. Logo depois a gente foi pintar juntos na rua e foi a&amp;iacute; que o nosso amor nasceu.&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;br /&gt;Vi que voc&amp;ecirc;s t&amp;ecirc;m pintado muito juntos&amp;hellip; N&amp;atilde;o s&amp;oacute; diversos murais nas ruas como tamb&amp;eacute;m telas. Como funciona o processo criativo de voc&amp;ecirc;s? E como &amp;eacute; pintar em conjunto? Quando voc&amp;ecirc; pinta com ele &amp;eacute; diferende de quando pinta com algum outro artista?&amp;lt;/font&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Pintar com o Remed &amp;eacute; bem dif&amp;iacute;cil. A gente &amp;eacute; muito diferente, e tem uma grande intimidade de marido e mulher, e esse tipo de intimidade &amp;eacute; bem diferente de quando eu pinto com algum outro artista, a n&amp;atilde;o ser que seja algu&amp;eacute;m muito meu amigo tamb&amp;eacute;m. A gente sempre briga quando pinta junto, n&amp;atilde;o tem jeito! Eu n&amp;atilde;o entendo por que ele n&amp;atilde;o me deixa &amp;agrave; vontade, coisa que com qualquer outro artista n&amp;atilde;o acontece&amp;hellip; Sinto que ele n&amp;atilde;o me d&amp;aacute; espa&amp;ccedil;o, que &amp;eacute; ele que sempre tem as id&amp;eacute;ias, e quando sinto que estou conseguindo me liberar ele vai e apaga a minha pintura&amp;hellip; Que raiva!&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;br /&gt;Em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave;s pinturas que voc&amp;ecirc; faz na rua, muitas pessoas relacionam diretamente ao graffiti, quando sei que prefere relacionar o seu trabalho na rua com o muralismo. Fale um pouco sobre isso, explique essa diferen&amp;ccedil;a. &amp;lt;/font&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;A real &amp;eacute; que eu nunca fui grafiteira, pintar com o spray para mim &amp;eacute; s&amp;oacute; mais uma t&amp;eacute;cnica como qualquer outra. As pessoas &amp;eacute; que adoram classificar tudo, dizer que a Fef&amp;ecirc; &amp;eacute; isso ou aquilo&amp;hellip; Eu pinto junto com artistas que grafitam h&amp;aacute; anos, e nunca pensei em me tornar uma grafiteira, primeiro porque n&amp;atilde;o fa&amp;ccedil;o bomb, segundo porque a minha t&amp;eacute;cnica no graffiti &amp;eacute; p&amp;eacute;ssima! Tamb&amp;eacute;m n&amp;atilde;o sigo nenhuma doutrina do graffiti, acho muito pequeno se fechar num mundinho em que voc&amp;ecirc; s&amp;oacute; pinta com essas pessoas ou s&amp;oacute; escuta esse tipo de m&amp;uacute;sica, ou s&amp;oacute; sai com essa galera&amp;hellip; fica muito vazio. &amp;Eacute; t&amp;atilde;o mais interessante conhecer outras t&amp;eacute;cnicas, outras culturas, outras ideias, do que ficar nesse c&amp;iacute;rculo vicioso que n&amp;atilde;o ensina nada. Eu n&amp;atilde;o s&amp;oacute; pinto muro como pinto qualquer suporte que eu encontre. Prefiro ser chamada de artista do que de muralista, ou grafiteira, ou qualquer outra coisa.&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;br /&gt;No ano passado voc&amp;ecirc; fez uma exposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o em Amsterdam junto com o Doze Green, uma das maiores lendas do graffiti mundial. Como rolou essa conex&amp;atilde;o e como foi a experi&amp;ecirc;ncia?&amp;lt;/font&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;A conex&amp;atilde;o que rolou com o Doze foi quando o conheci em Nova York, em uma exposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o de que participei junto com outros artistas brasileiros. A gente se viu uma vez e j&amp;aacute; rolou uma liga&amp;ccedil;&amp;atilde;o muito forte, ent&amp;atilde;o decidimos fazer uma expo juntos. Come&amp;ccedil;amos a trocar ideias pela internet e descobrimos que havia muito em comum no que pens&amp;aacute;vamos e no que a gente fazia, at&amp;eacute; que um dia ele me chamou pra fazer uma expo com ele em Amsterdam.&lt;br /&gt;A experi&amp;ecirc;ncia da exposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o com ele foi bem intensa, ele j&amp;aacute; &amp;eacute; mais velho e tem umas manias a que eu n&amp;atilde;o estava acostumada. Como sou uma pessoa de forte car&amp;aacute;ter, n&amp;atilde;o suportava muita coisa que ele fazia, n&amp;atilde;o estou acostumada com esse tipo de macho e &amp;agrave;s vezes a gente sa&amp;iacute;a no pau. Passamos um m&amp;ecirc;s trabalhando juntos, e no final deu no que deu&amp;hellip; Fizemos uma puta tela legal juntos, mas a rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o acabou a&amp;iacute;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;Pelo seu flickr d&amp;aacute; pra perceber que voc&amp;ecirc; est&amp;aacute; viajando muito, pintando com diversos artistas, expondo seu trabalho em diversos pa&amp;iacute;ses. &amp;Eacute; a vida que voc&amp;ecirc; sempre quis ou ainda falta alguma coisa?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Eu penso que n&amp;atilde;o poderia ser outra coisa na vida sen&amp;atilde;o artista. &amp;Eacute; o que sempre quis, at&amp;eacute; de pa&amp;iacute;s eu mudei, acho que tenho muita sorte por tudo que tem acontecido&amp;hellip; O que falta para tudo sair perfeito mesmo agora &amp;eacute; come&amp;ccedil;ar a vender mais. A crise aqui na Europa est&amp;aacute; super forte, ent&amp;atilde;o a vida fica bem mais dif&amp;iacute;cil, e n&amp;atilde;o rola ficar trabalhando para os outros de gra&amp;ccedil;a, isso eu n&amp;atilde;o fa&amp;ccedil;o, exijo o respeito que todo artista deveria exigir sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;Voc&amp;ecirc; parece transitar com facilidade por diversas t&amp;eacute;cnicas, como o desenho, a pintura, as colagens e os carvings. Tem alguma que &amp;eacute; a sua predileta ou depende muito do dia, do humor?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Toda t&amp;eacute;cnica me fascina, e tem aquelas para que a gente leva mais jeito&amp;hellip; Acho que vai muito do dia, &amp;agrave;s vezes s&amp;oacute; quero desenhar, outras s&amp;oacute; quero riscar, outras colar&amp;hellip; E tem aqueles dias que nada sai do jeito que voc&amp;ecirc; quer. Muitas vezes prefiro pintar quando estou muito triste, assim coloco toda a minha energia naquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;Fale um pouco do seu projeto musical, Lil Monsta. &amp;Eacute; mais uma v&amp;aacute;lvula de escape para soltar os monstros, colocar a raiva pra fora? &lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Total, &amp;eacute; mais uma t&amp;eacute;cnica! Mas com m&amp;uacute;sica &amp;eacute; bem diferente. Eu amo m&amp;uacute;sica, e respeito muito. Comecei a cantar porque tinha um namorado que era produtor na &amp;Aacute;ustria. Ele dividia o est&amp;uacute;dio com o Stereotyp, e um dia eles me pediram para fazer um freestyle em portugu&amp;ecirc;s. E eu comecei a rir, sou bem t&amp;iacute;mida, mas pensei que n&amp;atilde;o tinha nada a perder e tentei. Lembro que sentia as minhas bochechas bem quentes (risos), devia estar roxa de vergonha. E eles gostaram do resultado e mandaram o acapella para uma porrada de produtores pelo mundo. Foi assim que eu comecei, e depois alguns m&amp;uacute;sicos come&amp;ccedil;aram a me chamar pra cantar&amp;hellip; Achei tudo isso muita loucura, porque nem pensava nisso, que um dia isso pudesse acontecer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;Qual a influ&amp;ecirc;ncia que a m&amp;uacute;sica exerce no seu trabalho como artista? E, agora que voc&amp;ecirc; tamb&amp;eacute;m tem esse projeto musical, o que leva da sua arte para a sua m&amp;uacute;sica? &lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Sempre fui muito ligada &amp;agrave; m&amp;uacute;sica, sempre gostei de trabalhar com m&amp;uacute;sicos que admiro, como Stereotyp, Al Haca e The Bug. Colaborei com eles fazendo som e arte, &amp;agrave;s vezes s&amp;oacute; para uma mixtape, e outras fazendo a capa do disco.&lt;br /&gt;Fa&amp;ccedil;o parte de um projeto que se chama Crunchtime junto com diversos artistas de diferentes &amp;aacute;reas e de diferentes culturas, e sempre nos reunimos para criar juntos. E n&amp;atilde;o importa se algu&amp;eacute;m n&amp;atilde;o sabe pintar, ou cantar, ou dan&amp;ccedil;ar, todo mundo faz tudo. Basicamente a ideia &amp;eacute; se divertir e entreter quem est&amp;aacute; assistindo. As pessoas que fazem parte desse projeto s&amp;atilde;o muito talentosas, e vale a pena trabalhar com elas porque sempre rola uma troca musical ou art&amp;iacute;stica muito forte.&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Voc&amp;ecirc; sempre acompanhou de perto a cena underground de m&amp;uacute;sica e arte aqui no Brasil. O que tem ouvido e visto de bom e novo a&amp;iacute; pelas suas andan&amp;ccedil;as na Europa?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Sempre conhe&amp;ccedil;o muita gente por cada lugar que passo. Recentemente conheci duas artistas incr&amp;iacute;veis, italianas, uma &amp;eacute; a Pona e a outra &amp;eacute; a Arianna Vairo. Elas s&amp;atilde;o bem jovens, e ambas t&amp;ecirc;m um talento incr&amp;iacute;vel, vale a pena dar uma olhada. J&amp;aacute; na m&amp;uacute;sica o que eu t&amp;ocirc; mais ouvindo agora &amp;eacute; Major Lazer, projeto do Diplo com o Switch, uma mistura de dancehall com eletr&amp;ocirc;nico. Outros que n&amp;atilde;o saem do meu ipod s&amp;atilde;o o Boxcutter, que &amp;eacute; mais tranquilo, tem bastante dub, dubstep, glitch e minimal e o Sa-Ra, mais pro electrosoul, hip-hop, s&amp;atilde;o 3 produtores americanos foda!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;O que podemos esperar da Fef&amp;ecirc; num futuro pr&amp;oacute;ximo? Exposi&amp;ccedil;&amp;otilde;es? Shows? Pretende visitar o Brasil em breve?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Brasil sim, possivelmente ainda esse ano. Exposi&amp;ccedil;&amp;otilde;es tenho uma em outubro em Ottawa, na Canteen Gallery, e tamb&amp;eacute;m uma em Bilbao, na SC Gallery&amp;hellip; Sobre shows, nenhum marcado no momento.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;Quer mandar alguma mensagem final? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;Um &amp;ldquo;big up&amp;rdquo; para toda a minha fam&amp;iacute;lia, para o marid&amp;atilde;o e para os amigos mais pr&amp;oacute;ximos que nunca me abandonaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;em&gt;Veja e ou&amp;ccedil;a mais:&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;u&gt;&lt;a href=&quot;www.flickr.com/fefe_talavera&quot;&gt;flickr.com/fefe_talavera&lt;/a&gt;&amp;lt;/u&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;u&gt;&lt;a href=&quot;http://fefetalavera.blogspot.com&quot;&gt;fefetalavera.blogspot.com/&lt;/a&gt;&amp;lt;/u&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;u&gt;&lt;a href=&quot;http://myspace.com/lilmonstaff&quot;&gt;myspace.com/lilmonstaff&lt;/a&gt;&amp;lt;/u&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;u&gt;&lt;a href=&quot;http://www.crunchtime-records.com&quot;&gt;crunchtime-records.com&lt;/a&gt;&amp;lt;/u&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
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    <author>
      <name>tiago</name>
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    <published>2009-07-24T14:16:00Z</published>
    <updated>2009-07-24T18:35:44Z</updated>
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    <title>Billy Argel</title>
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            &lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&amp;lt;font&gt;&amp;lt;font&gt;S&amp;oacute; os mortos n&amp;atilde;o reclamam&amp;lt;/font&gt; &amp;lt;/font&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;em&gt;Por Tiago Moraes&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adherbal &amp;ldquo;Billy&amp;rdquo; Argel era, at&amp;eacute; alguns anos atr&amp;aacute;s, um her&amp;oacute;i praticamente esquecido. Uma injusti&amp;ccedil;a para algu&amp;eacute;m que criou, praticamente sozinho, toda a est&amp;eacute;tica do skate, do surf e do punk no Brasil na d&amp;eacute;cada de 1980.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro at&amp;eacute; hoje da sensa&amp;ccedil;&amp;atilde;o incr&amp;iacute;vel que era, no auge da minha pr&amp;eacute;-adolesc&amp;ecirc;ncia, entrar em uma loja de skate e olhar para aquelas paredes imensas, forradas de shapes incrivelmente coloridos, com desenhos de cruzes, adagas, drag&amp;otilde;es, morcegos, caveiras e todos os tipos de monstros e criaturas bizarras. Billy sabia como ningu&amp;eacute;m representar graficamente a verdadeira atitude e rebeldia que o skate representava, em um mercado em que muito se copiava e pouco se criava. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprendi com o skate e com o punk-rock muito mais do que qualquer professor poderia me ensinar na escola, e o mais interessante &amp;eacute; que a arte sempre esteve presente nisso tudo, seja na capa de um disco, num p&amp;ocirc;ster de show ou na parte de baixo de um skate.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ano passado, no suntuoso espa&amp;ccedil;o Santander Cultural em Porto Alegre, um dos segredos mais bem guardados da arte underground brasileira foi finalmente revelado para o mundo. As artes de Billy, que antes eram literalmente massacradas em corrim&amp;atilde;os e bordas at&amp;eacute; praticamente sumirem, ganharam agora status de obra de arte.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Quando que voc&amp;ecirc; come&amp;ccedil;ou a desenhar skates? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Eu j&amp;aacute; desenhava desde moleque. Foi uma coisa natural, eu ficava desenhando na classe &amp;ndash; quando voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o tem muita motiva&amp;ccedil;&amp;atilde;o na aula, fica desenhando. J&amp;aacute; tinha feito algo embaixo de um skate, mas nada s&amp;eacute;rio. Quando eu vi os skates da Dogtown, achei do caralho. Aquelas cruzes eram um s&amp;iacute;mbolo muito forte.&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como rolou o seu primeiro desenho para um shape? Foi o model do Porqu&amp;ecirc; para a Urgh, n&amp;atilde;o foi?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Foi. Conheci o Porqu&amp;ecirc; na &amp;eacute;poca da Wave Park, quando deram esse apelido. Ele ficava o dia inteiro na pista fazendo perguntas do tipo &amp;ldquo;por que essa roda &amp;eacute; boa?&amp;rdquo;, &amp;ldquo;ah, porque &amp;eacute; boa&amp;rdquo;, &amp;ldquo;mas por que &amp;eacute; boa?&amp;rdquo;, &amp;ldquo;porque tem rolamento?&amp;rdquo;, &amp;ldquo;por que isso?&amp;rdquo;, &amp;ldquo;por que aquilo?&amp;rdquo;, e a gente &amp;ldquo;&amp;Ocirc;, Porqu&amp;ecirc;, d&amp;aacute; um tempo&amp;rdquo;. Outro dia ele apareceu com o irm&amp;atilde;o, a&amp;iacute; todo mundo falou, &amp;ldquo;esse a&amp;iacute; ent&amp;atilde;o &amp;eacute; o Pois&amp;eacute;&amp;rdquo;. O pessoal n&amp;atilde;o perdoava (risos). O Porqu&amp;ecirc; me deu o shape e falou: &amp;ldquo;o model n&amp;atilde;o est&amp;aacute; definido, mas eu quero que voc&amp;ecirc; fa&amp;ccedil;a um desenho&amp;rdquo;. Eu topei, s&amp;oacute; que trabalhava numa ag&amp;ecirc;ncia e n&amp;atilde;o dei muita aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Eu ia fazer quando tivesse uma folga. Um dia ele me ligou e perguntou se j&amp;aacute; estava pronto. Eu disse que sim. A&amp;iacute; ele disse: &amp;ldquo;t&amp;ocirc; passando a&amp;iacute;, o shape j&amp;aacute; vai ser lan&amp;ccedil;ado e estamos em cima da hora&amp;rdquo;. Peguei um papel na hora e desenhei umas caveiras. Fui colocando embaixo do vegetal, copiando com um pincel, escrevi o Porqu&amp;ecirc;, fiz a outra cor no pincel, com tra&amp;ccedil;os grossos. Pra &amp;eacute;poca ficou muito bom, tanto &amp;eacute; que o Jorge [Kuge, dono da Urgh!] me encomendou uma nova s&amp;eacute;rie logo depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Foi a&amp;iacute; que come&amp;ccedil;ou a Highgraph?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Isso, eu sa&amp;iacute; da ag&amp;ecirc;ncia e montei o est&amp;uacute;dio. A&amp;iacute; n&amp;atilde;o parou mais de chegar trabalho. Tamb&amp;eacute;m montei uma marca, a Mr. Fink. A minha ideia era vender por reembolso postal, em revistas como a Bizz. A marca vendia bem, chegou at&amp;eacute; a ser vendida na [extinta rede de lojas] Fruto Verde. Eu atendia muitas marcas de skate e surf, como Urgh!, Lifestyle, Caos, Stanley, Superphen, Cush, Anarquia, Slide, Varial, Billabong, Mango. Pensei &amp;ldquo;eu entendo desse mercado, sei do que ele precisa: de tudo que &amp;eacute; contr&amp;aacute;rio, contracultura&amp;rdquo;. Na &amp;eacute;poca eu nem sabia o que era isso, mas eu vivia, saca? Depois chegamos at&amp;eacute; a trabalhar para empresas maiores, como a Vasp e a Hobby (antiga rede de clubes esportivos de S&amp;atilde;o Paulo). Tinha umas dez pessoas comigo, mas o meu neg&amp;oacute;cio era o skate. Quer coisa melhor do que fazer o que gosta e ainda ganhar uma grana?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os caras pagavam bem por esse tipo de trabalho na &amp;eacute;poca?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Pagavam, a gente vivia bem. Eu costumava dizer que brincava de ganhar dinheiro. Al&amp;eacute;m de ter uma demanda muito grande, o mercado estava favor&amp;aacute;vel, e nossos trabalhos efetivamente faziam as vendas aumentar, ent&amp;atilde;o os caras sempre voltavam. Al&amp;eacute;m disso, rolava identifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o, porque a gente falava a mesma l&amp;iacute;ngua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Voc&amp;ecirc; ia atr&amp;aacute;s de trabalho ou essas marcas vinham at&amp;eacute; voc&amp;ecirc;? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Elas vinham. No come&amp;ccedil;o simplesmente n&amp;atilde;o tinha concorrente. Depois come&amp;ccedil;ou a pintar gente querendo ensaiar algumas coisas no computador, e eu falava: &amp;ldquo;meu, o neg&amp;oacute;cio &amp;eacute; fazer na m&amp;atilde;o mesmo!&amp;rdquo; Mas a real &amp;eacute; que eu tamb&amp;eacute;m queria ter um computador, s&amp;oacute; que n&amp;atilde;o tinha grana, nem sabia onde comprar. E eu sempre pirei em letras, para mim a tipografia &amp;eacute; 80, 90% do design. Ent&amp;atilde;o [com o surgimento do computador], eu pensei: &amp;ldquo;agora vou poder pegar todos esses livros de fontes, jogar no computador e sair escrevendo o que eu quiser&amp;rdquo;. E agora a minha pira &amp;eacute; criar fontes. Fiquei uns seis meses s&amp;oacute; fazendo fonte, sem botar a cara fora de casa. Queria fazer uma quantidade legal e sentir a resposta na internet. Tenho muitas in&amp;eacute;ditas, estou para montar um site.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Qual foi a sensa&amp;ccedil;&amp;atilde;o quando voc&amp;ecirc; viu algu&amp;eacute;m usando um shape que desenhou pela primeira vez?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sabe o que eu pensava? Eu quero mais! Queria ver a minha parede cheia de skate. Coleciono v&amp;aacute;rias coisas, como voc&amp;ecirc; pode ver: guitarra, anel de caveira, moto, lata de spray. Acho que &amp;eacute; um pouco de medo, porque quando eu era moleque n&amp;atilde;o tinha as coisas. Lembro que a gente j&amp;aacute; passou dificuldades &amp;ndash; n&amp;atilde;o fome, mas sa&amp;iacute;a do col&amp;eacute;gio pago e ia pro do governo, n&amp;atilde;o tinha grana pra comer lanche no recreio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quais eram suas maiores influ&amp;ecirc;ncias e inspira&amp;ccedil;&amp;otilde;es na &amp;eacute;poca?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sem d&amp;uacute;vida alguma todas as artes do Jim Phillips para a Santa Cruz, as da Powell... Meu estilo at&amp;eacute; hoje &amp;eacute; o que eu via quando moleque, arte que pegava na veia mesmo. Eu gostava de coisa horrorosa, impressionante. A revista Heavy Metal, que veio quando eu j&amp;aacute; era adolescente, tinha tudo que estava rolando de mais foda: Moebius, Ranxerox... Era a b&amp;iacute;blia do desenho. Na &amp;eacute;poca n&amp;atilde;o tinha internet, precisava juntar uma puta grana para comprar um livro e ter acesso. Outra influ&amp;ecirc;ncia sem d&amp;uacute;vida foi o Big Daddy (Ed Roth), com aqueles carros envenenados, os dragsters e o Rat Fink. E depois veio o punk.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como foi a tua incurs&amp;atilde;o no punk?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Foi uma coisa de identifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o mesmo. Lembro quando eu li a primeira mat&amp;eacute;ria sobre os Sex Pistols, na Manchete, falando de um novo fen&amp;ocirc;meno na Europa. Vi as fotos dos caras e falei &amp;ldquo;caralho&amp;rdquo;. E n&amp;atilde;o era aquele som pesado, hardcore, que veio um pouco depois. Era um som mais com ideias. Nessa &amp;eacute;poca eu estava ligado numa coisa mais imediata, eu vinha do rock pesado anterior ao metal e percebi que tinha a ver com os desenhos em nanquim do punk. Foi um neg&amp;oacute;cio do caralho, voc&amp;ecirc; via um Duane Peters, um Steve Olson Olson (skatistas ligados ao movimento skate-punk). Eu j&amp;aacute; gostava de All Star, e os caras usavam. Quando voc&amp;ecirc; vai ver, est&amp;aacute; tudo interligado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E a&amp;iacute; voc&amp;ecirc; j&amp;aacute; quis montar banda, tocar?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Eu queria tocar Black Sabbath, mas como andava com os punks n&amp;atilde;o podia falar que gostava de Ozzy, AC/DC. S&amp;oacute; que eu gostava muito. Depois de um puta tempo, fiquei sabendo que os punks que andavam comigo tamb&amp;eacute;m gostavam de Sabbath, s&amp;oacute; que ningu&amp;eacute;m falava. Nessa &amp;eacute;poca n&amp;atilde;o podia, sen&amp;atilde;o voc&amp;ecirc; era execrado (risos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E de bandas nacionais, o que voc&amp;ecirc; curtia?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ratos de Por&amp;atilde;o foi uma puta refer&amp;ecirc;ncia pra mim, Olho Seco, Desordeiros, Fogo Cruzado. Sabe o que foi legal do punk? Foi a primeira galera que eu vi fazer sem ter condi&amp;ccedil;&amp;atilde;o nenhuma. Todo mundo pode fazer o que quiser, basta querer! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Teve um per&amp;iacute;odo em que voc&amp;ecirc; se afastou um pouco da cena. Algum motivo em especial?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;N&amp;atilde;o foi nada com rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave; minha arte, foram problemas pessoais. Nem gosto muito de falar disso. Fui embora porque me decepcionei com muita gente, mas quero deixar claro que n&amp;atilde;o foi nada em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave; minha arte e ao skate. Foi um lance muito foda, de trai&amp;ccedil;&amp;atilde;o mesmo. N&amp;atilde;o que eu tenha raiva de algu&amp;eacute;m hoje, mas algumas pessoas n&amp;atilde;o precisavam ter feito o que fizeram. Mas acho que o mais legal de tudo &amp;eacute; que eu dei a volta por cima e hoje acredito nas pessoas como acreditava antes. Acho que a verdade prevalece sempre. Eu fechei a Highgraff, mandei todo mundo embora, vendi meu apartamento e fui pro interior. Fiquei numa fazenda, junto com os pe&amp;otilde;es, trabalhando, dormindo cedo, acordando de madrugada. Apartava o gado, levava pro leil&amp;atilde;o, ia comprar alfafa no Paran&amp;aacute;... Mudei completamente de vida. Continuei desenhando, s&amp;oacute; que para aquele mercado: fiz logotipo de Haras, fiz logotipo da R&amp;aacute;dio Cultura de Dois C&amp;oacute;rregos, que &amp;eacute; o mesmo at&amp;eacute; hoje, fiz o logotipo da prefeitura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E Floripa, foi depois disso?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Isso, quando nasceu meu segundo filho. Eu j&amp;aacute; estava de volta, trabalhando com v&amp;aacute;rias marcas de novo &amp;ndash; Billabong, Stanley. O pessoal da Stanley estava em Floripa e eu ia l&amp;aacute; duas vezes por ano. A&amp;iacute; meu casamento n&amp;atilde;o deu certo. J&amp;aacute; tinha nascido o segundo filho, eu tinha um apartamento, estava estruturado de novo. Fiz uma mala de roupa e fui pra l&amp;aacute; dar um tempo. Acabei ficando quase 5 anos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Voc&amp;ecirc; acompanhava o que estava rolando por aqui? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;N&amp;atilde;o. N&amp;atilde;o que tenha esquecido, &amp;eacute; dif&amp;iacute;cil esquecer a origem. E eu tinha um patrim&amp;ocirc;nio, minha m&amp;atilde;e sempre morou aqui e cuidou das minhas coisas. Tenho originais guardados, fotolitos, letrasets, at&amp;eacute; xerox. Procurei sempre ser correto, n&amp;atilde;o tenho vergonha de nada que fiz. Meu espa&amp;ccedil;o j&amp;aacute; estava conquistado, n&amp;atilde;o tinha que provar nada pra ningu&amp;eacute;m, sacou? Ent&amp;atilde;o eu pensei, &amp;ldquo;as pr&amp;oacute;ximas gera&amp;ccedil;&amp;otilde;es v&amp;atilde;o escrever a hist&amp;oacute;ria delas&amp;rdquo;. Agora eu voltei porque conheci o Farofa, Danielone, voc&amp;ecirc;, Pex&amp;atilde;o. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A Transfer, por sinal, foi uma das maiores, sen&amp;atilde;o a maior mostra de arte urbana no Brasil at&amp;eacute; hoje. Voc&amp;ecirc; teve uma forte participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o nela. Fale um pouco a respeito. &lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Ali havia pessoas que vivenciaram aquela &amp;eacute;poca, mas do outro lado. Achei legal a oportunidade de poder mostrar o lado de quem produziu, e a raz&amp;atilde;o disso. N&amp;atilde;o fui com o intuito de vender um produto a mais para um moleque, porque a melhor fase da minha juventude foi fazendo tudo aquilo. Hoje, eu me sinto novamente na melhor fase da minha vida. Estou com dois filhos crescidos, meu! Um est&amp;aacute; com 23, outro com 16, e eles est&amp;atilde;o na rua. Isso &amp;eacute; tudo fruto do qu&amp;ecirc;? De um sonho de crian&amp;ccedil;a. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eu, que comecei a andar de skate em 85, 86, fui profundamente impactado pela sua arte e pela est&amp;eacute;tica de skate que voc&amp;ecirc; ajudou a moldar. Antes de presenciar isso na Transfer, voc&amp;ecirc; tinha no&amp;ccedil;&amp;atilde;o da for&amp;ccedil;a das coisas que tinha criado e do impacto que isso teve em toda uma gera&amp;ccedil;&amp;atilde;o?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Eu sabia que tinha, sim, exercido algum impacto. Mas n&amp;atilde;o tinha no&amp;ccedil;&amp;atilde;o do quanto. Na abertura da Transfer eu n&amp;atilde;o conhecia ningu&amp;eacute;m, n&amp;atilde;o tinha nem convite. Cheguei e falei &amp;quot;sou o Billy, t&amp;ocirc; entrando a&amp;iacute;&amp;quot;. Entrei e n&amp;atilde;o dava pra andar l&amp;aacute; dentro. Dei uma volta, vi as minhas coisas, um monte de gente olhando, apontando. Pensei, &amp;ldquo;N&amp;atilde;o &amp;eacute; poss&amp;iacute;vel que essas pessoas tenham isso na hist&amp;oacute;ria delas&amp;rdquo;. Depois encontrei o Herbert [Baglione], que veio, me abra&amp;ccedil;ou e come&amp;ccedil;ou a me apresentar para todo mundo &amp;ndash; para o Trampo, para o Kiko (Nunca), Tinho. S&amp;oacute; passando por uma experi&amp;ecirc;ncia dessas pra ter no&amp;ccedil;&amp;atilde;o, me emocionou muito mesmo. Quando eu vi, estava que nem popstar, um monte de holofote, c&amp;acirc;meras, tirando foto com artistas consagrados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quais outros artistas dessa nova gera&amp;ccedil;&amp;atilde;o voc&amp;ecirc; admira? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sou f&amp;atilde; do Sesper, Speto, Pato, Tinho, Herbert... Tem um monte de gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E l&amp;aacute; fora?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Robert Williams, Rick Griffin, esses caras pra mim est&amp;atilde;o no c&amp;eacute;u. Quando eu era moleque, fiz uma viagem e voltei com um livro do Griffin. Vi aquele livro com um olho na capa e falei: &amp;ldquo;Olha s&amp;oacute;, igual ao que eu fa&amp;ccedil;o! Esse livro &amp;eacute; meu!&amp;rdquo; Foi um neg&amp;oacute;cio impressionante!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A receptividade que voc&amp;ecirc; teve na Transfer te deu um g&amp;aacute;s pra falar &amp;ldquo;agora &amp;eacute; hora de fazer uma produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o nova, cravar de vez meu nome nessa hist&amp;oacute;ria que est&amp;aacute; rolando e crescendo?&amp;rdquo;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Nos &amp;uacute;ltimos anos, experimentei bastante com novos estilos, tentei f&amp;oacute;rmulas mirabolantes, mas a real &amp;eacute; que n&amp;atilde;o posso sair do meu riscado, sabe? Estou fazendo produ&amp;ccedil;&amp;otilde;es novas, l&amp;oacute;gico, mas um tipo de desenho que eu sei fazer &amp;ndash; usando novas influ&amp;ecirc;ncias, t&amp;eacute;cnicas, mas tem aquela espinha dorsal. O meu estilo &amp;eacute; o meu estilo, eu n&amp;atilde;o vou mudar. Fiz umas experi&amp;ecirc;ncias, simplifiquei, e agora voltei a criar nessa pegada mais old school mesmo, preto no branco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, n&amp;atilde;o dou tanto valor para exposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o na m&amp;iacute;dia, essas coisas, mas sim para amizades verdadeiras. &amp;Eacute; muito f&amp;aacute;cil se perder, como eu j&amp;aacute; me perdi, envolto em ego, essas besteiras de querer ser melhor que os outros. Precisa tomar muito cuidado com isso, porque a fama &amp;eacute; ef&amp;ecirc;mera. O principal &amp;eacute; a arte em si, que tem que vir da alma, ser visceral. Fazer um bonequinho qualquer, um personagem, qualquer um pode. &amp;Eacute; s&amp;oacute; um desenho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Qual a import&amp;acirc;ncia do Farofa (Sesper) nessa sua nova fase?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;P&amp;ocirc;, o cara &amp;eacute; foda! Ele me levantou de verdade na &amp;eacute;poca que eu mais precisava, me fez ter coragem de sair de um emprego em que eu estava ganhando uma puta grana, mas estava infeliz. O Farofa chegou e disse: &amp;ldquo;Mano, voc&amp;ecirc; t&amp;aacute; perdendo tempo!&amp;rdquo; Eu n&amp;atilde;o entendia o que ele falava, mas a real &amp;eacute; que eu estava vivendo que nem um merda. Perdi minha mulher e de repente me vi sozinho &amp;ndash; voltei de Floripa, com dois filhos pra cuidar e completamente sem nada. Vendi minhas coisas l&amp;aacute;, paguei as contas e vim embora. E pra aprender a ser pai? E de repente o Farofa chega do nada, falando um monte de coisas... O cara me deu uma li&amp;ccedil;&amp;atilde;o de vida muito fodida, come&amp;ccedil;ou a me apresentar coisas, pessoas, me deu uma aula sobre a import&amp;acirc;ncia do meu trabalho. Foi quando eu vi que estava longe, enterrado numa firma, resignado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Que tipo de mensagens voc&amp;ecirc; quer passar com a sua arte?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;N&amp;atilde;o que eu seja um cara pessimista, me considero mais para realista, e eu vejo que o buraco &amp;eacute; bem mais embaixo. O maior problema que vivemos hoje &amp;eacute; a quantidade de gente no mundo: merda pra caramba, polui&amp;ccedil;&amp;atilde;o pra caramba, n&amp;atilde;o tem emprego para todo mundo, n&amp;atilde;o tem comida para todo mundo. Eu n&amp;atilde;o tenho nenhuma mensagem mirabolante para passar, meu ber&amp;ccedil;o &amp;eacute; o punk, o inconformismo. S&amp;oacute; os mortos n&amp;atilde;o reclamam, j&amp;aacute; dizia aquela m&amp;uacute;sica do Lobotomia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Saiba mais:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;u&gt;&lt;a href=&quot;http://billyargel.com&quot;&gt;billyargel.com&lt;/a&gt;&amp;lt;/u&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;u&gt;&lt;a href=&quot;http://billyargel.blogspot.com&quot;&gt;billyargel.blogspot.com&lt;/a&gt;&amp;lt;/u&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
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    <published>2009-06-08T21:32:00Z</published>
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    <title>Bruno Kurru e Renan Cruz</title>
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            &lt;p&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;Bruno Kurru e Renan Cruz &amp;ndash; Brigando com Desenhos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Por Tiago Moraes e Arthur Dantas . Fotos Fernando Martins&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes da populariza&amp;ccedil;&amp;atilde;o da internet, para se ver graffitis e outras manifesta&amp;ccedil;&amp;otilde;es de arte urbana voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o tinha op&amp;ccedil;&amp;atilde;o sen&amp;atilde;o ir para as ruas. Pela janela de um &amp;ocirc;nibus ou trem, andando de skate pelas ruas, aqueles enormes desenhos e letras coloridas destoam do concreto cinza da cidade e fascinam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a democratiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o da rede mundial de computadores, as fronteiras entre cidades, pa&amp;iacute;ses e continentes desapareceram. Se antes a arte feita na rua era apreciada por um n&amp;uacute;mero restrito de pessoas, agora ela poderia ser vista por pessoas no mundo inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi em meio a milh&amp;otilde;es de computadores interligados mundo afora que a vida de Bruno Kurru, 24 anos, e Renan Cruz, 23 anos, se cruzaram. &amp;ldquo;Lembro que queria fazer uns p&amp;ocirc;steres e em S&amp;atilde;o Bernardo ainda n&amp;atilde;o tinha ningu&amp;eacute;m que fazia essas coisas. Eu tinha visto algumas coisas do Obey na internet e na seq&amp;uuml;&amp;ecirc;ncia comecei a descobrir outras coisas. Um dia entrei no fotolog do [coletivo] SHN e vi que ali tinha um movimento rolando. Na &amp;eacute;poca tinha rolado algum evento em que o Stephan [Doitschinoff], o SHN e o pr&amp;oacute;prio Renan tinham participado. Foi quando decidi mandar um e-mail no mesmo dia para os tr&amp;ecirc;s, perguntando mais ou menos as mesmas coisas. E lembro que o Renan, j&amp;aacute; no primeiro contato, foi o mais receptivo, e a conversa evoluiu para outras id&amp;eacute;ias&amp;rdquo;, conta Kurru. &amp;ldquo;Quando eu vinha l&amp;aacute; de Mogi das Cruzes, ou com o meu pai ou de trem [...] e via aquele monte de picha&amp;ccedil;&amp;atilde;o, arte d&amp;rsquo;OSGEMEOS, Onesto... A&amp;iacute; eu pensava: &amp;lsquo;Caramba, o que que t&amp;aacute; acontecendo aqui?&amp;rsquo;&amp;rdquo;, relembra Renan sobre seus primeiros contatos com o graffiti e a picha&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante alguns meses, Kurru e Renan mantiveram sua amizade no campo virtual at&amp;eacute; que logo surgiu a primeira chance de finalmente se conhecerem e pintarem juntos pela primeira vez. A amizade e o conv&amp;iacute;vio cresceram, mesmo com a dist&amp;acirc;ncia geogr&amp;aacute;fica que os separava, um em S&amp;atilde;o Bernardo do Campo e o outro em Mogi das Cruzes. Renan teoriza: &amp;ldquo;Acho que o que rolou foi que a gente cresceu em lugares diferentes, mas com influ&amp;ecirc;ncias pr&amp;oacute;ximas e quest&amp;otilde;es pr&amp;oacute;ximas, e juntou com o desenho, ent&amp;atilde;o quando a gente se encontrou meio que est&amp;aacute;vamos preparados pra poder trabalhar outras paradas&amp;rdquo;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Kurru come&amp;ccedil;ou a trabalhar na cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de uma marca de streetwear e, na seq&amp;uuml;&amp;ecirc;ncia, Renan passou a ser seu colega de trabalho, a rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos dois se intensificou ainda mais e o conv&amp;iacute;vio passou a ser di&amp;aacute;rio. Renan conta um pouco sobre a &amp;eacute;poca: &amp;ldquo;Foi a&amp;iacute; que a gente se juntou mesmo. Nessa &amp;eacute;poca trabalhava l&amp;aacute; eu, o Cabelo, o Kurru e o Doze. A gente fazia uns fanzines, ficava um puxando o outro para fazer trabalhos juntos, desenhar mais, conversar um pouco mais sobre desenho&amp;rdquo;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Curioso que o elo principal entre os dois se d&amp;ecirc; na forma como pensam e sentem o desenho, conferindo a ele uma dimens&amp;atilde;o espiritual, em que colocar o l&amp;aacute;pis ou pincel no papel se torna um ritual sagrado, de encantamento.&amp;nbsp; &amp;ldquo;Estou em um momento de tentar organizar minha produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o, de decidir se eu quero direcion&amp;aacute;-la para uma est&amp;eacute;tica mais fechada, que seja uma coisa que eu v&amp;aacute; carregar, ou se &amp;eacute; o caso de abrir, criar sistemas pelos quais eu possa falar algumas coisas, pelos quais possa, mais do que falar, receber o desenho. Essa &amp;eacute; uma coisa de que a gente conversa bastante, esse &amp;lsquo;poder&amp;rsquo; que o desenho tem, quando voc&amp;ecirc; o respeita e vai o levando de maneira constante na sua vida. Muitas vezes ele te surpreende nesse sentido, ele apresenta pra voc&amp;ecirc; algumas coisas. Dificilmente a gente faz um desenho em um dia. &amp;Eacute; um neg&amp;oacute;cio que voc&amp;ecirc; come&amp;ccedil;a, d&amp;aacute; uma parada, porque tem a coisa est&amp;eacute;tica, voc&amp;ecirc; quer que aquilo fa&amp;ccedil;a parte de voc&amp;ecirc;, que voc&amp;ecirc; goste daquilo. Nesse processo, na maioria dos casos, eu fico uma semana angustiado, porque na hora em que volto pro desenho j&amp;aacute; &amp;eacute; uma outra situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o. &amp;Eacute; um neg&amp;oacute;cio louco, mas acontece muito&amp;rdquo;, diz Kurru. Renan complementa: &amp;ldquo;S&amp;atilde;o aquelas coisas que n&amp;atilde;o podem ser ditas, n&amp;eacute;? S&amp;atilde;o manifesta&amp;ccedil;&amp;otilde;es que falam como se fossem uma coisa que n&amp;atilde;o &amp;eacute; sua, o desenho cria vida e fala: &amp;lsquo;Olha, toma cuidado com essa situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o&amp;rsquo; ou &amp;lsquo;Presta aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o nisso&amp;rsquo;&amp;rdquo;. Ambos, nas palavras de Kurru, tem &amp;ldquo;vontade de enxergar o desenho como um neg&amp;oacute;cio maior, conseguir enxergar o desenho com essa riqueza de vida que ele tem&amp;rdquo;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O Desenho e Sua Express&amp;atilde;o Plena&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma caracter&amp;iacute;stica forte no trabalho deles &amp;eacute; a pesquisa e o estudo. Kurru fez faculdade de design e Renan estudou design publicit&amp;aacute;rio. Ambos estudaram gravura e h&amp;aacute; mais de dois anos freq&amp;uuml;entam as aulas de desenho do artista pl&amp;aacute;stico Rubens Matuck, um personagem importante para entender a evolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o de ambos. &amp;ldquo;Ele concretizou a nossa vis&amp;atilde;o. Eu estudo j&amp;aacute; faz uns tr&amp;ecirc;s anos com ele, que &amp;eacute; pintor, artista, estudioso, cabe&amp;ccedil;ud&amp;atilde;o, cientista das artes visuais. Ele leva a quest&amp;atilde;o do desenho muito forte na vida dele. Ent&amp;atilde;o l&amp;aacute; a gente aprendeu muito a valorizar isso tamb&amp;eacute;m, o desenho. A gente vai tentando ver no desenho uma freq&amp;uuml;&amp;ecirc;ncia de vida, de encontrar pessoas, valorizar as coisas que o desenho aproxima. Eu tenho muita vontade de que o desenho se socialize. N&amp;atilde;o ter esse poder t&amp;atilde;o grande de obra de arte, do tipo &amp;lsquo;isso n&amp;atilde;o pode ser tocado&amp;rsquo;. N&amp;atilde;o: que seja uma parada que eu aprenda com uma crian&amp;ccedil;a&amp;rdquo;, define Renan. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kurru se entusiasma e fala sobre a forma como o mestre de ambos enxerga o desenho. &amp;ldquo;Ele usa o termo &amp;lsquo;express&amp;atilde;o plena&amp;rsquo;. De usar o desenho completamente, uma avers&amp;atilde;o absoluta ao esquema de mercado de arte, desse esquema de pensamento de arte com marchand embutido, que &amp;eacute; o lance que vem da Europa etc. Ele &amp;eacute; a favor do desenho em sua ess&amp;ecirc;ncia, e n&amp;atilde;o preso &amp;agrave; est&amp;eacute;tica, nem ao que se vai desenhar. Para ele, a &amp;uacute;nica maneira de voc&amp;ecirc; conseguir a express&amp;atilde;o plena &amp;eacute; com o desenho de observa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, que &amp;eacute; ter essa percep&amp;ccedil;&amp;atilde;o, entender o espa&amp;ccedil;o. Esses nossos desenhos que voc&amp;ecirc;s conhecem... ele quase n&amp;atilde;o conhece nenhum. A gente mostrou para ele pouqu&amp;iacute;ssimas vezes. E a gente n&amp;atilde;o leva mais como uma forma de respeito mesmo.&amp;rdquo; Estranhamos essa id&amp;eacute;ia, o que faz com que Kurru nos explique que &amp;ldquo;esse tipo de desenho nosso &amp;eacute; um neg&amp;oacute;cio muito curto, n&amp;atilde;o chega nele. Muito diferente de eu levar algo desenhado agora, feito rapidamente. Ele vai ver e vai falar que tem um di&amp;aacute;logo entre espa&amp;ccedil;o, entre pensamento. Uma coisa que a aula tem me ajudado muito &amp;eacute; entender o trabalho de arte. Por exemplo, um desenho, uma pintura. Ele passa muito essa coisa de &amp;agrave;s vezes a gente ficar preso ao tema. Percebo isso hoje em dia quando vou a uma exposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o, independente do tema ou da est&amp;eacute;tica do trabalho, tenho interesse na composi&amp;ccedil;&amp;atilde;o, na cor, &amp;eacute; uma coisa que me aproxima, que cria di&amp;aacute;logo, e &amp;eacute; o que busco no meu trabalho. N&amp;atilde;o ficar s&amp;oacute; preso ao tema, n&amp;atilde;o ficar s&amp;oacute; preso a uma forma est&amp;eacute;tica. Enxergar a arte como um todo e conseguir dialogar em cima disso&amp;rdquo;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A juventude de ambos reflete no permanente questionamento e na experimenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o evidente em suas obras. Por enquanto, ainda encaram a arte como uma estrada cheia de bifurca&amp;ccedil;&amp;otilde;es, com diversas trilhas a serem seguidas. O esp&amp;iacute;rito contestador faz com que ambos tenham, obviamente, uma posi&amp;ccedil;&amp;atilde;o paradoxal e considera&amp;ccedil;&amp;otilde;es a fazer a respeito do mercado de arte. Kurru acredita que se pautar pelo mercado &amp;ldquo;leva &amp;agrave; estagna&amp;ccedil;&amp;atilde;o, porque o pr&amp;oacute;prio mercado, como todos os outros mercados, tem um tempo de vida &amp;uacute;til, ele usa voc&amp;ecirc; e o descarta. Se voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o tiver uma produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o firme, se o seu trabalho n&amp;atilde;o for forte dentro de voc&amp;ecirc; e voc&amp;ecirc; deixar que o mercado ou outras pessoas te guiem, daqui a cinco, dez anos, o mercado vai procurar outro artista e o seu trabalho vai pro fosso junto com outros, e voc&amp;ecirc; vai ficar vazio. Minha busca &amp;eacute; essa: me estruturar e conseguir me manter equilibrado dentro disso. O que ainda &amp;eacute; muito dif&amp;iacute;cil&amp;rdquo;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Renan, por sua vez, acredita em um estilo de vida asc&amp;eacute;tico, que pode tornar a inevit&amp;aacute;vel rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o com o mercado menos dolorosa. &amp;ldquo;A gente precisa saber do que precisa e viver de forma bem simples. Eu preciso de papel, caneta, alimenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o, umas coisas assim. Penso em um dia viver num quarto, s&amp;oacute; papel, caneta, prancheta e um colch&amp;atilde;o. Eu trabalhei em um esquema diferente e o que eu vi era isso: se voc&amp;ecirc; ganha mil, vai mil. Se voc&amp;ecirc; ganha 2 mil, vai 2 mil. Voc&amp;ecirc; tem que se estruturar para dizer: &amp;lsquo;Eu tenho que viver com isso&amp;rsquo;. Tenho estudado permacultura, que &amp;eacute; uma filosofia que resgata t&amp;eacute;cnicas de vida sustent&amp;aacute;vel. Ent&amp;atilde;o &amp;eacute; isso. Acho que voc&amp;ecirc; pensar &amp;eacute; a primeira das etapas. Voc&amp;ecirc; incorpora para depois aplicar. Eu n&amp;atilde;o preciso ganhar muita grana e quero achar formas sustent&amp;aacute;veis e simples de fazer um ambiente prop&amp;iacute;cio ao desenho. &amp;Eacute; o pr&amp;oacute;prio modo como voc&amp;ecirc; mesmo lida com o seu trabalho. O externo &amp;eacute; uma desculpa, voc&amp;ecirc; pode reclamar dele ou n&amp;atilde;o. Mas &amp;eacute; voc&amp;ecirc; que lida com ele. Voc&amp;ecirc; &amp;eacute; quem fala: &amp;lsquo;Eu quero isso? Eu aceito?&amp;rsquo; N&amp;atilde;o quero apresentar s&amp;oacute; uma forma f&amp;iacute;sica, mas tamb&amp;eacute;m uma forma de energia, de sentimento. Uma pessoa pode falar: &amp;lsquo;Ah, eu quero dez quadros&amp;rsquo;. Tudo bem, vamos lidar com isso. Mas prefiro sistemas que sejam mais simples. Eu n&amp;atilde;o quero ver o desenho com uma supervaloriza&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&amp;rdquo; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Organizando para desorganizar?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A influ&amp;ecirc;ncia da arte urbana paulistana se d&amp;aacute; muito mais pelo meio e pela forma de encarar o trabalho do que pela est&amp;eacute;tica propriamente dita. Artistas como Stephan, Onesto, Herbert Baglione e OSGEMEOS s&amp;atilde;o citados como pessoas que exerceram algum tipo de influ&amp;ecirc;ncia sobre ambos. Na gram&amp;aacute;tica visual de ambos podemos identificar poss&amp;iacute;veis rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es com vanguardas art&amp;iacute;sticas do s&amp;eacute;culo XX, como o dada&amp;iacute;smo ou o Fluxus, dado o gosto pela assemblage, colagem e publica&amp;ccedil;&amp;otilde;es. No fim de 2007, eles criaram a editora &amp;Ocirc;rganiza (com acento mesmo), interessada no processo de experimenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o e intersec&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre o design gr&amp;aacute;fico e a ilustra&amp;ccedil;&amp;atilde;o, em que a forma &amp;eacute; um elemento din&amp;acirc;mico no processo de composi&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Cada livro ou revista tem tiragem m&amp;iacute;nima de duas edi&amp;ccedil;&amp;otilde;es, com exce&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos &amp;ldquo;Livros dos Livros Objetos&amp;rdquo;, que s&amp;atilde;o &amp;uacute;nicos. Em novembro do mesmo ano, realizaram exposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o na Sala Cega, da loja Trezeta Musik, em S&amp;atilde;o Paulo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kurru conta que o interesse por publica&amp;ccedil;&amp;otilde;es come&amp;ccedil;ou quando trabalharam juntos em 2005 e realizavam experimentos com a m&amp;aacute;quina de x&amp;eacute;rox do trabalho. Passaram-se dois anos at&amp;eacute; que Marcelo Fusco, propriet&amp;aacute;rio da Trezeta Musik, convidasse ambos para uma exposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o em sua loja. &amp;ldquo;Naquela &amp;eacute;poca est&amp;aacute;vamos com questionamentos sobre exposi&amp;ccedil;&amp;otilde;es, n&amp;atilde;o curt&amp;iacute;amos o que est&amp;aacute;vamos vendo. Era uma forma de dizer para a gente mesmo o que quer&amp;iacute;amos. O Fusco nos convidou, mas achamos que n&amp;atilde;o era hora para exposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Ficamos semanas batendo a cabe&amp;ccedil;a. Um dia l&amp;aacute; em casa rolou o papo: &amp;lsquo;Mano, que voc&amp;ecirc; acha de fazer uma editora?&amp;rsquo;&amp;rdquo;. E havia um interesse pr&amp;eacute;vio de ambos pelo objeto livro &amp;ndash; a fam&amp;iacute;lia de Renan inclusive teve uma gr&amp;aacute;fica: &amp;ldquo;Eu sempre curti muito livro. Tem a quest&amp;atilde;o artesanal de se fazer o livro, a coisa do registro&amp;rdquo;. Kurru, que havia feito um livro de artista como trabalho de conclus&amp;atilde;o na faculdade, explica que a editora era tamb&amp;eacute;m &amp;ldquo;uma forma de desenhar de maneira mais livre, falar mais coisas. A nossa vontade era que a editora por si s&amp;oacute; fosse convidativa. Que as pessoas vissem que era um neg&amp;oacute;cio amig&amp;aacute;vel, que tivesse como uma das coisas principais essa coisa de deixar aberto para as pessoas&amp;rdquo;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A exposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o era mais do que um espa&amp;ccedil;o expositivo &amp;ndash; era uma extens&amp;atilde;o da vida. &amp;ldquo;A gente ficou l&amp;aacute; dois meses, fizemos uma zona. Levamos prensa, guilhotina, papel, computador &amp;ndash; era um espa&amp;ccedil;o vivo. A exposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o come&amp;ccedil;ou antes e rola at&amp;eacute; hoje em dia, ela t&amp;aacute; viva&amp;rdquo;, filosofa Renan. E o nome peculiar, de onde surgiu? Kurru explica que &amp;ldquo;o nome veio de duas coisas: de organizar os desenhos e de organizar tamb&amp;eacute;m as id&amp;eacute;ias que a gente tinha. De n&amp;atilde;o fazer uma exposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Pelo contr&amp;aacute;rio: fazer uns caderninhos cheios de desenho, desglamorizar um pouco, e o acento a gente colocou como forma de dizer que a &amp;Ocirc;rganiza n&amp;atilde;o organiza no sentido de ordem, mas no de criar um instrumento que desse &amp;ldquo;&amp;oacute;rg&amp;atilde;o&amp;rdquo; para coisas que estavam mortas, desde material at&amp;eacute; id&amp;eacute;ias, desenhos. Havia desenhos nossos que estavam parados, eram originais, mas em folhas de sulfite, coisas que a gente nem queria comercializar, nem nada disso, mas que diziam alguma coisa.&amp;rdquo;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&amp;ldquo;Um bom desenho &amp;eacute; uma boa briga&amp;rdquo;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pr&amp;oacute;ximo passo de Renan Cruz e Bruno Kurru &amp;eacute; uma exposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o a se realizar entre fevereiro e mar&amp;ccedil;o de 2009, em uma nova galeria na cidade de S&amp;atilde;o Paulo. Ao que tudo indica, a exposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o dar&amp;aacute; sentido e raz&amp;atilde;o de ser para a produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o de ambos &amp;ndash; ontem, hoje e amanh&amp;atilde;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kurru explica que pensa em criar uma estrutura visual com a qual consiga expressar pensamentos e desejos. &amp;ldquo;Um trabalho que pode ser uma coisa aparentemente abstrata, com elementos soltos. N&amp;atilde;o quero ter uma marca, n&amp;atilde;o quero que algu&amp;eacute;m fale: &amp;lsquo;Ah, aquilo ali foi o que o Kurru fez&amp;rsquo;. E eu j&amp;aacute; tava meio que negando isso. Por outro lado, vamos supor que eu ficasse desenhando o c&amp;eacute;u at&amp;eacute; morrer. Se eu levasse isso a s&amp;eacute;rio, podia ser um trabalho cabuloso, porque tem uma po&amp;eacute;tica muito forte nesse sentido da liberdade, do movimento, de uma coisa que nunca &amp;eacute; igual e que &amp;eacute; uma for&amp;ccedil;a por si s&amp;oacute;. O momento dessa exposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; isso: o in&amp;iacute;cio de tentar expandir para uma coisa mais ampla, uma coisa que n&amp;atilde;o seja fechada, pode at&amp;eacute; ser um trabalho feio para os outros. Mas eu n&amp;atilde;o me preocupo com isso.&amp;rdquo; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz parte da vis&amp;atilde;o de Renan de crer em uma intera&amp;ccedil;&amp;atilde;o total entre artista e desenho e ver seu of&amp;iacute;cio como &amp;ldquo;uma desculpa para viver a vida, para conhecer pessoas, assim como pintar na rua &amp;eacute; uma desculpa para andar por a&amp;iacute;&amp;rdquo;. Renan acredita em um per&amp;iacute;odo de inflex&amp;atilde;o e crescimento: &amp;ldquo;Durante muito tempo, rolou um fluxo grande de produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o, sem uma certa consci&amp;ecirc;ncia, e hoje em dia sinto que tenho um pouco mais de controle. Essa exposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o tem a ver com a minha vida, como eu estou mudando. Hoje em dia, o que importa para mim &amp;eacute; como me apresentar, como me valorizar como artista. Aquele lance do Homem-Aranha, de que &amp;lsquo;grandes poderes trazem grandes responsabilidades&amp;rsquo;. Penso no Aldemir Martins &amp;ndash; ele foi premiado na Bienal de Veneza. &amp;Eacute; meio isso, uma meta: ser o campe&amp;atilde;o mundial de desenho (risos). Posso conseguir isso e ver que tudo n&amp;atilde;o passou de uma cenoura na frente do coelho, s&amp;oacute; para fazer ele correr. Posso descobrir ao me tornar campe&amp;atilde;o mundial que vencer &amp;eacute; desenhar todo dia a minha filha. &amp;Eacute; isso: eu quero ser campe&amp;atilde;o mundial de desenho. Um bom desenho &amp;eacute; uma boa briga&amp;rdquo;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kurru acredita que, pelo desenho, &amp;eacute; poss&amp;iacute;vel encontrar problemas a serem resolvidos por toda uma vida e isso o estimula a produzir. &amp;ldquo;Esse turbilh&amp;atilde;o que percebo hoje em dia &amp;eacute; valioso. Eu tento ficar tranq&amp;uuml;ilo dentro dele, sentir o que t&amp;aacute; acontecendo. Por isso eu acho que a gente n&amp;atilde;o est&amp;aacute; muito apegado &amp;agrave; est&amp;eacute;tica, porque acaba limitando esse tipo de viv&amp;ecirc;ncia, que &amp;eacute; o que mais interessa para n&amp;oacute;s.&amp;rdquo; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;strong&gt;Servi&amp;ccedil;o:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Chaves e Portas &amp;ndash; Exposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o de Bruno Kurru e Renan Cruz &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;De 26 de Maio a 11 de Julho de 2009&lt;br /&gt;Abertura 26 de Maio das 19 &amp;agrave;s 23h &lt;br /&gt;Pocket-show com Projeto Nave&lt;br /&gt;Apoio Cultural: &amp;lt;u&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href=&quot;http://www.pintar.com.br/&quot;&gt;Pintar!&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&amp;lt;/u&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Espa&amp;ccedil;o +Soma&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Rua Fidalga, 98 &amp;ndash; Vila Madalena &amp;ndash; S&amp;atilde;o Paulo &amp;ndash; SP&lt;br /&gt;De ter&amp;ccedil;a a quinta-feira das 12 &amp;agrave;s 20h, sexta e s&amp;aacute;bado das 12 &amp;agrave;s 22hs&lt;br /&gt;Informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es: 11 3034-0515&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&amp;lt;u&gt;&lt;a href=&quot;http://www.maissoma.com/&quot;&gt;www.maissoma.com&lt;/a&gt;&amp;lt;/u&gt;&lt;/strong&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
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    <author>
      <name>fernanda</name>
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    <title>Jim Houser</title>
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            &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O c&amp;oacute;digo Jim Houser . por Tiago Moraes&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;(Entrevista publicada na Revista +Soma#10) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ano &amp;eacute; 2100 d.C. PhDs de diversas &amp;aacute;reas da ci&amp;ecirc;ncia e historiadores juntam todas as for&amp;ccedil;as e conhecimentos para tentar decifrar um dos &amp;uacute;ltimos c&amp;oacute;digos do s&amp;eacute;culo XXI ainda n&amp;atilde;o quebrado, nem pelas mentes mais brilhantes, nem pelos softwares mais avan&amp;ccedil;ados da tecnologia moderna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltamos para o presente. Essa Babel moderna foi despretensiosamente criada por Jim Houser, um jovem artista norte-americano oriundo do universo do skate e que come&amp;ccedil;a a despontar e cair nas gra&amp;ccedil;as da cr&amp;iacute;tica e p&amp;uacute;blico. Sua obra, autobiogr&amp;aacute;fica e baseada em associa&amp;ccedil;&amp;otilde;es livres de palavras, pictogramas, desenhos, texturas e cores, pode at&amp;eacute; enganar os mais desavisados pela aparente ingenuidade dos tra&amp;ccedil;os, mas &amp;eacute; exatamente a&amp;iacute; que se esconde um dos maiores segredos de Jim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conhe&amp;ccedil;a um pouco mais do que passa na cabe&amp;ccedil;a desse brilhante artista autodidata &amp;ndash; que veio recentemente a S&amp;atilde;o Paulo expor seu trabalho na Galeria Choque Cultural &amp;ndash; em um bate-papo que tivemos com ele em um caf&amp;eacute; na Vila Madalena.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o tem educa&amp;ccedil;&amp;atilde;o art&amp;iacute;stica formal, mas frequentava os pr&amp;eacute;dios da RISD (Rhode Island School of Design) em Providence, Rhode Island. Voc&amp;ecirc; tinha amigos que estudavam l&amp;aacute;, certo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Eu estava estudando na Universidade da Pensilv&amp;acirc;nia havia um ano, mas n&amp;atilde;o estava gostando, decidi abandonar o curso. Estava morando na Filad&amp;eacute;lfia, superinfeliz, sem saber o que fazer da vida. Um dos meus melhores amigos tinha acabado de se mudar para Providence para estudar na Escola de Design de Rhode Island (RISD) e ent&amp;atilde;o eu decidi me mudar para l&amp;aacute;. Eu precisava de uma grande mudan&amp;ccedil;a em minha vida.&lt;br /&gt;Tinha alguns amigos que estudavam l&amp;aacute; e era bem tranquilo, voc&amp;ecirc; podia andar por todos os andares do pr&amp;eacute;dio, frequentar as oficinas e ningu&amp;eacute;m te pedia nenhuma identifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o, pod&amp;iacute;amos usar os computadores para fazer trabalhos de design, os equipamentos de impress&amp;atilde;o etc. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Se voc&amp;ecirc; tivesse estudado e se graduado em artes, o seu trabalho seria diferente do que &amp;eacute; hoje? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Acho que sim. Diversas pessoas graduadas em arte que conhe&amp;ccedil;o tamb&amp;eacute;m j&amp;aacute; me disseram isso. Me lembro do come&amp;ccedil;o, de quando comecei a expor em galerias e entrar nesse universo de arte mesmo, e na &amp;eacute;poca ainda n&amp;atilde;o era muito comum pessoas que trabalhavam como eu. Ouvi muito isso de artistas e galeristas que olhavam meu trabalho e diziam:&amp;nbsp; &amp;ldquo;Uau, se voc&amp;ecirc; tivesse estudado arte voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o estaria fazendo isso, eles [os professores] teriam tirado isso de voc&amp;ecirc;!&amp;rdquo; Eu n&amp;atilde;o sou dos caras mais f&amp;aacute;ceis para aceitar conselhos, prefiro aprender com meus pr&amp;oacute;prios erros, e foi por esse motivo que larguei a faculdade no primeiro ano &amp;ndash; n&amp;atilde;o me sentia confort&amp;aacute;vel quando me diziam o que fazer e como fazer. Em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o a minha arte, eu sentia que era uma coisa minha, que me pertencia e cabia s&amp;oacute; a mim decidir como que ela deveria ser, n&amp;atilde;o queria ter pessoas me dizendo: &amp;ldquo;Voc&amp;ecirc; tem que fazer isso ou aquilo&amp;rdquo;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O Shepard Fairey estudou l&amp;aacute; na mesma &amp;eacute;poca e voc&amp;ecirc; chegou a trabalhar com ele no come&amp;ccedil;o do projeto Obey, certo? Voc&amp;ecirc;s j&amp;aacute; se conheciam?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Eu j&amp;aacute; conhecia o Shepard enquanto ainda morava na Filad&amp;eacute;lfia. Andava de skate e ele tinha come&amp;ccedil;ado uma marca de skate pequena (Giant) e me dava alguns shapes, eu tinha um apoio. Quando me mudei para Providence, a gente j&amp;aacute; se conhecia e ele tinha montado um est&amp;uacute;dio e me deu emprego. Meus amigos da Filad&amp;eacute;lfia, Ben (Woodward) e o Andrew Jeffrey Wright, que tamb&amp;eacute;m s&amp;atilde;o artistas, trabalhavam l&amp;aacute; com o Shepard. Era basicamente um est&amp;uacute;dio de serigrafia e eu ficava cortando adesivos, milh&amp;otilde;es de adesivos do Andre the Giant...(risos). &amp;Agrave;s vezes tamb&amp;eacute;m ficava dobrando e empacotando camisetas, eu era o faz-de-tudo l&amp;aacute;, limpava as telas, varria... Mas era divertido, trabalhava com os meus amigos e tive a oportunidade de conhecer muita gente bacana, muitos outros artistas por meio do Shepard.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quando estava come&amp;ccedil;ando, quais artistas voc&amp;ecirc; admirava? O que e quem te inspirou e motivou em sua carreira art&amp;iacute;stica?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Eu diria que os primeiros grandes artistas que me chamaram aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o foram Jean Michel Basquiat, Cy Twombly, David Hockney e Alice Neil. Foi nessa &amp;eacute;poca que comecei a comprar livros de arte, se via alguma obra que me chamava a aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o eu ia at&amp;eacute; a livraria e tentava encontrar livros do artista para aprender mais, isso antes da populariza&amp;ccedil;&amp;atilde;o da internet... E muitas pessoas que eu conheci por meio do Shepard, da cena de Nova York, da Alleged Gallery... Voc&amp;ecirc; tem familiaridade com essa cena toda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sim, claro, inclusive j&amp;aacute; entrevistamos o Aaron Rose.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O Shepard era amigo do Aaron e eles fizeram um pequeno projeto de p&amp;ocirc;steres chamado &amp;ldquo;Subliminal&amp;rdquo; muito tempo atr&amp;aacute;s. Pelo Shepard eu conheci o Aaron, Phil Frost, Thomas Campbell, Barry McGee, Margaret Kilgallen, Christian Hampton, Ed Templeton, muitos artistas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Isso foi no final dos anos 90?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&amp;Eacute;, foi a partir de 1997... Em 2000 eu participei de uma exposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o coletiva chamada &amp;ldquo;East Meets West&amp;rdquo;, da qual participaram tr&amp;ecirc;s artistas locais da Filad&amp;eacute;fia: o Joy Feasley, a Clare Rojas e eu, junto com tr&amp;ecirc;s artistas de San Francisco, o Scott Hewicker, a Margaret Kilgallen e o Chris Johanson. O Chris at&amp;eacute; hoje &amp;eacute; o meu artista preferido, em quem mais me espelho e me inspiro, como artista e como pessoa. Logo que me mudei para Providence,&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; em Rhode Island, eu andava pra cima e pra baixo desenhando em um caderninho e sempre guardava s&amp;oacute; para mim &amp;ndash; &amp;agrave;s vezes mostrava para um ou outro amigo, mas nunca tinha conhecido ningu&amp;eacute;m que levava a arte a s&amp;eacute;rio, que fazia exposi&amp;ccedil;&amp;otilde;es. Mas da&amp;iacute; as coisas foram evoluindo e comecei a pensar: &amp;ldquo;Porque n&amp;atilde;o? Talvez tenha algu&amp;eacute;m interessado em ver tudo isso&amp;rdquo;. No come&amp;ccedil;o minha motiva&amp;ccedil;&amp;atilde;o n&amp;atilde;o foi dinheiro, foi muito mais para ver se eu era capaz, descobrir o que outras pessoas pensariam sobre o que estava fazendo. Por exemplo, hoje eu tamb&amp;eacute;m estou fazendo m&amp;uacute;sicas e as pessoas me perguntam: &amp;ldquo;Mas voc&amp;ecirc; toca em alguma banda, faz show?&amp;rdquo;, e digo que n&amp;atilde;o. Gosto de tocar na minha casa, meus amigos aparecem e de vez em quando fazemos m&amp;uacute;sica, mas eu n&amp;atilde;o saio para tocar, fazer shows, essas coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Que tipo de m&amp;uacute;sica voc&amp;ecirc; toca?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Eu toco rock instrumental. N&amp;atilde;o fa&amp;ccedil;o shows, mas em minhas &amp;uacute;ltimas exposi&amp;ccedil;&amp;otilde;es tenho feito instala&amp;ccedil;&amp;otilde;es enormes com v&amp;aacute;rios amplificadores de guitarra conectados por cabos, e eles ficam tocando as m&amp;uacute;sicas que eu componho e gravo em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quando voc&amp;ecirc; come&amp;ccedil;a a produzir para uma exposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o, se o espa&amp;ccedil;o permitir, voc&amp;ecirc; j&amp;aacute; incorpora no processo criativo a quest&amp;atilde;o da m&amp;uacute;sica?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A composi&amp;ccedil;&amp;atilde;o das m&amp;uacute;sicas faz parte da exposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o, porque elas s&amp;atilde;o feitas na mesma &amp;eacute;poca em que as pinturas. Se eu acordo um dia e n&amp;atilde;o estou a fim de pintar, fa&amp;ccedil;o m&amp;uacute;sica e fico gravando, gravando e, quando a exposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o chega, pego todas as pinturas, as m&amp;uacute;sicas e monto a exposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Voc&amp;ecirc; pretende lan&amp;ccedil;ar um disco com essas m&amp;uacute;sicas um dia?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Eu tenho um disco pronto para ser prensado, que deve sair em breve. Ser&amp;atilde;o seis m&amp;uacute;sicas. Venho trabalhando nisso h&amp;aacute; quase dois anos, ent&amp;atilde;o espero que consiga lan&amp;ccedil;ar em breve. Tem um selo local aqui na Filad&amp;eacute;lfia, chamado Free News Projects, que est&amp;aacute; interessado em lan&amp;ccedil;ar, eles lan&amp;ccedil;am livros, discos e p&amp;ocirc;steres com tiragem limitada. Eles lan&amp;ccedil;am bastante coisa, acabaram de publicar um livro do Matt Leines que &amp;eacute; muito bacana, vale a pena ir atr&amp;aacute;s e conhecer o trabalho dele.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;A arte folk tradicional norte-americana faz parte de suas influ&amp;ecirc;ncias ou voc&amp;ecirc; foi mais influenciado por artistas contempor&amp;acirc;neos que j&amp;aacute; bebiam nessa fonte, como a Margaret e o Barry por exemplo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Acho que na verdade ao conhecer eles (Margaret Kilgallen e Barry McGee), tive a confirma&amp;ccedil;&amp;atilde;o de ideias que tinha na minha cabe&amp;ccedil;a sobre arte e sobre como vejo tudo isso. &amp;Eacute; meio dif&amp;iacute;cil para eu explicar, mas gosto de ver a pessoa que fez uma arte dentro da pr&amp;oacute;pria arte, n&amp;atilde;o deveria haver separa&amp;ccedil;&amp;otilde;es. O estilo de arte folk, mais bagun&amp;ccedil;ada, imperfeita, nos d&amp;aacute; uma sensa&amp;ccedil;&amp;atilde;o direta de que a pessoa fez aquilo &amp;agrave; m&amp;atilde;o ao inv&amp;eacute;s de uma m&amp;aacute;quina ou um computador, como a diferen&amp;ccedil;a de valor art&amp;iacute;stico entre um enorme painel de pl&amp;aacute;stico ou banner e uma placa de madeira pintada &amp;agrave; m&amp;atilde;o. Acho que a principal li&amp;ccedil;&amp;atilde;o que tirei dos artistas folk foi ver que a ideia &amp;eacute; a coisa mais importante e n&amp;atilde;o &amp;eacute; preciso ficar tentando fazer com que tudo saia perfeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Voc&amp;ecirc; cresceu andando de skate e existem muitos outros skatistas que tamb&amp;eacute;m se tornaram artistas, como o Mark Gonzales, Thomas Campbell, Ed Templeton, Don Pendleton, Michael Leon, entre muitos outros. N&amp;atilde;o seria bacana se no futuro a hist&amp;oacute;ria da arte considerasse &amp;ldquo;Skatismo&amp;rdquo; como um forte movimento art&amp;iacute;stico da virada do s&amp;eacute;culo XX para XXI, assim como hoje existem o Cubismo, o Modernismo e a Pop Art? N&amp;atilde;o &amp;eacute; louco pensar que existem tantos artistas bem sucedidos hoje, em sua maioria autodidatas, que vieram do universo do skate?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Eu acho que todos n&amp;oacute;s temos em comum duas coisas. A primeira s&amp;atilde;o os desenhos dos shapes e as artes das revistas de skate, que marcaram muito, voc&amp;ecirc; &amp;eacute; exposto &amp;agrave; arte muito cedo e carrega aquelas lembran&amp;ccedil;as por toda sua vida. Outra coisa &amp;eacute; o lado criativo do skate, ent&amp;atilde;o &amp;eacute; natural que skatistas tamb&amp;eacute;m fa&amp;ccedil;am m&amp;uacute;sica, pintem e escrevam poesias, j&amp;aacute; que voc&amp;ecirc; come&amp;ccedil;a a andar de skate porque tem essa veia criativa. O skate &amp;eacute; apenas uma das formas de express&amp;atilde;o, de colocar para fora a sua criatividade. Na verdade, sempre fico chocado quando conhe&amp;ccedil;o skatistas que n&amp;atilde;o fazem mais nenhuma arte, que simplesmente andam de skate, porque a grande maioria dos skatistas que eu conhe&amp;ccedil;o tem mais de uma atividade criativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como foi para voc&amp;ecirc;, que cresceu andando de skate, passar para o outro lado e come&amp;ccedil;ar a fazer artes para skate para marcas como a Toy Machine e influenciar os garotos mais novos?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&amp;Eacute; muito bacana. Isso sem d&amp;uacute;vida foi uma das coisas mais importantes que fiz porque, como voc&amp;ecirc; falou, foi um ciclo que se completou. A primeira vez que encontrei com um garoto usando um shape com uma arte minha foi uma das emo&amp;ccedil;&amp;otilde;es mais incr&amp;iacute;veis que j&amp;aacute; senti em toda a minha vida, porque eu sei como &amp;eacute; quando voc&amp;ecirc; &amp;eacute; um garoto e entra numa loja de skate e olha para aquela parede repleta de shapes com os mais variados desenhos e marcas. Para aquele garoto ter escolhido o meu &amp;eacute; porque ele achou que era o melhor de todos! Eu faria esse trabalho at&amp;eacute; de gra&amp;ccedil;a! O skate &amp;eacute; de onde eu venho, ent&amp;atilde;o &amp;eacute; muito legal poder fazer projetos com marcas de skate. At&amp;eacute; hoje continuo colaborando com a Toy Machine, al&amp;eacute;m de ser superamigo do Ed Templeton, um cara muito bacana, superdivertido e que, por tamb&amp;eacute;m ser artista, me d&amp;aacute; toda a liberdade para eu fazer o que bem entender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Passar do desenho para a pintura &amp;eacute; geralmente um grande passo para a maioria dos artistas. Como foi essa transi&amp;ccedil;&amp;atilde;o para voc&amp;ecirc;?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Aconteceu bem devagar, porque eu estava fazendo meus desenhos e com o tempo comecei a colocar mais cores e, quando vi, estava pintando e desenhando em cima das pinturas. Depois comecei a deixar o desenho um pouco de lado no meu trabalho &amp;ndash; n&amp;atilde;o foi uma grande ruptura, e sim uma evolu&amp;ccedil;&amp;atilde;o natural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E voc&amp;ecirc; saltou das paredes para praticamente tudo. Em suas &amp;uacute;ltimas exposi&amp;ccedil;&amp;otilde;es, voc&amp;ecirc; tem investido em instala&amp;ccedil;&amp;otilde;es com prateleiras, vasos de flores, amplificadores, bolas de basquete, viol&amp;otilde;es feitos &amp;agrave; m&amp;atilde;o...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;No come&amp;ccedil;o foi meio que uma brincadeira, porque parei de pintar shapes por um tempo, e as pessoas iam &amp;agrave;s minhas exposi&amp;ccedil;&amp;otilde;es, ficavam tristes e reclamavam que eu n&amp;atilde;o tinha pintado nenhum shape. Elas falavam: &amp;ldquo;Voc&amp;ecirc; &amp;eacute; um skatista, ent&amp;atilde;o pinte em skates!&amp;rdquo; Come&amp;ccedil;ar a pintar outros objetos foi a forma que encontrei de dizer que existem outros lados do Jim Houser al&amp;eacute;m do skatista. Por exemplo, eu jogo basquete e pintei uma bola de basquete, eu gosto de um modelo de t&amp;ecirc;nis, ent&amp;atilde;o vou pint&amp;aacute;-lo. O que come&amp;ccedil;ou como brincadeira foi crescendo dentro de mim e comecei a me interessar por construir coisas, como pequenos viol&amp;otilde;es feitos com caixas de charuto, inspirados naqueles feitos por m&amp;uacute;sicos de blues pobres, que n&amp;atilde;o tinham dinheiro para comprar um viol&amp;atilde;o. Eu tinha acabado de ler um livro sobre a hist&amp;oacute;ria dos instrumentos de corda, havia um cap&amp;iacute;tulo que falava s&amp;oacute; disso e pensei: &amp;ldquo;Ser&amp;aacute; que sou capaz de fazer um?&amp;rdquo; Acabei me divertindo muito fazendo o primeiro e depois acabei fazendo outros e incorporando &amp;agrave; minha arte, eles (os objetos) ajudam a construir esse meu universo que desejo compartilhar em minhas exposi&amp;ccedil;&amp;otilde;es.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Alguns de seus trabalhos apresentam uma mistura rica de elementos: palavras, frases, personagens e texturas. Eles se parecem com uma colcha de retalhos de imagens e pensamentos. Voc&amp;ecirc; pensa no conceito, no que quer transmitir em cada pe&amp;ccedil;a como se estivesse tentando juntar todas essas pe&amp;ccedil;as para comunicar algo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Tanto esses meus trabalhos que se parecem mais com mosaicos ou colagens de pe&amp;ccedil;as menores como as telas em que trabalho com um tema central fazem parte, na verdade, de um mesmo conceito. O que eu quero, no fim, &amp;eacute; que as pessoas olhem para uma exposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o minha e percebam que tudo ali est&amp;aacute; interligado. Todas as minhas pinturas s&amp;atilde;o fragmentos da hist&amp;oacute;ria da minha vida. &amp;Eacute; por isso que eu trabalho com a mesma paleta de cores em todos os trabalhos, e algumas imagens e palavras acabam aparecendo em mais de um trabalho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ia falar sobre isso, pois muitos de seus trabalhos e instala&amp;ccedil;&amp;otilde;es apresentam imagens e palavras que se repetem. O que sinto ao ver seu trabalho &amp;eacute; que voc&amp;ecirc; parece ter criado uma enorme fam&amp;iacute;lia de pictogramas, como o polvo, o elefante, o chap&amp;eacute;u e tamb&amp;eacute;m palavras como &amp;ldquo;egg&amp;rdquo;, &amp;ldquo;rumor&amp;rdquo;, &amp;ldquo;eyes&amp;rdquo;, &amp;ldquo;system go&amp;rdquo;, o n&amp;uacute;mero 68, entre outros que aparecem com certa frequ&amp;ecirc;ncia em seus trabalhos. Cada um desses pictogramas tem um significado para voc&amp;ecirc;?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;M&amp;uacute;ltiplos significados. Assim como o azul parece diferente ao lado do verde do que ao lado do vermelho, as palavras que eu uso t&amp;ecirc;m significados diferente dependendo da imagem ao lado, de como elas est&amp;atilde;o relacionadas. Ent&amp;atilde;o essas imagens e palavras t&amp;ecirc;m mais de um significado... Uma coisa que vim a descobrir recentemente, mas n&amp;atilde;o tenho certeza se me influenciou, foi o fato de a minha irm&amp;atilde; mais velha ser uma egiptologista e estudar hier&amp;oacute;glifos. Quando eu era moleque, tinha sempre um monte de livros por perto sobre o assunto, cheios de imagens e palavras misturadas, e sempre curti muito essas coisas e acho que acabei trazendo um pouco disso para o meu trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Provavelmente, no futuro teremos egiptologistas estudando o seu trabalho e decifrando esses c&amp;oacute;digos todos... (risos).&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;(Risos) &amp;Eacute;, seria bem legal... Algumas palavras eu paro de usar um tempo e, quando elas voltam, j&amp;aacute; t&amp;ecirc;m outro significado para mim... O nome do meu livro, Babel, &amp;eacute; sobre a dificuldade em se comunicar, da hist&amp;oacute;ria da B&amp;iacute;blia, da diversidade de l&amp;iacute;nguas e culturas. N&amp;atilde;o sou religioso, mas essa &amp;eacute; uma hist&amp;oacute;ria superinteressante. Muito da minha arte &amp;eacute; sobre essa dificuldade das pessoas se comunicarem, quais os diferentes significados por tr&amp;aacute;s de uma palavra. No meu trabalho, as palavras s&amp;atilde;o t&amp;atilde;o ou at&amp;eacute; mais importantes do que as imagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eu tive a oportunidade de ver na Choque Cultural alguns dos seus trabalhos ao vivo pela primeira vez e fiquei impressionado, especialmente com as telas que t&amp;ecirc;m todas aquelas colagens, principalmente pelo tamanho de cada pequeno peda&amp;ccedil;o que comp&amp;otilde;e essas telas e o acabamento impecavelmente refinado.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Cada fragmento dessas telas s&amp;atilde;o pequenos peda&amp;ccedil;os de papel, superfinos, quase como papel de cigarro. Eu pinto cada um desses pequenos quadrados individualmente at&amp;eacute; conseguir juntar uma boa quantidade deles, depois pego uma tela e come&amp;ccedil;o a colar cada um &amp;ndash; no come&amp;ccedil;o de forma meio aleat&amp;oacute;ria, mas depois come&amp;ccedil;o a me ater mais na mensagem, na composi&amp;ccedil;&amp;atilde;o de cores. Acabou virando meio que um quebra-cabe&amp;ccedil;a para mim. Eu vou colocando para fora tudo o que vem &amp;agrave; mente, fico no meu est&amp;uacute;dio, ouvindo m&amp;uacute;sica e desenhando o dia todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E como a tipografia entrou em seu trabalho? Voc&amp;ecirc; costuma inserir v&amp;aacute;rios tipos de letra no seu trabalho, alguns nos remetem diretamente &amp;agrave; cultura de placas pintadas &amp;agrave; m&amp;atilde;o, cursivas, manuscritas, e outros j&amp;aacute; s&amp;atilde;o mais contempor&amp;acirc;neos, como o feito de ossos...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Eu comecei com isso meio que para dar mais personalidade no que estava escrevendo e querendo dizer. De certa forma, o tipo de letra que desenho est&amp;aacute; relacionado diretamente com o que eu quero dizer. Por exemplo, quando escrevo com letras pequenas, arredondadas e simples, similares &amp;agrave; minha caligrafia pessoal, trato de coisas autobiogr&amp;aacute;ficas ou que fazem parte daquele momento. Quando escrevo com letras mais quadradas, que lembram fontes de computador, trato de coisas que j&amp;aacute; analisei e pensei muito sobre. E, finalmente, o que escrevo com ossos s&amp;atilde;o coisas mais vinculadas ao emocional, geralmente mais s&amp;eacute;rias e mortais, n&amp;atilde;o no sentido de morte, mas assuntos s&amp;eacute;rios como a morte. A forma como escrevo cada palavra faz parte do que est&amp;aacute; sendo dito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Para finalizar, algumas perguntas sobre sua visita ao Brasil. &amp;Eacute; sua primeira vez aqui, certo? Como tem sido a experi&amp;ecirc;ncia?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sim, &amp;eacute; a primeira vez. Tem sido &amp;oacute;timo! Gostaria muito de ter mais tempo, eu estou exausto, realmente cansado e tem tanta coisa para visitar que eu estou me sentindo sobrecarregado. Gostaria mesmo de poder ficar mais tempo aqui, mas definitivamente quero voltar logo e passar um tempo maior, pois sinto que vi t&amp;atilde;o pouco e S&amp;atilde;o Paulo &amp;eacute; o tipo de cidade de que gosto, ca&amp;oacute;tica e enorme. Alguns lugares me lembram San Francisco, outras Sidney (Austr&amp;aacute;lia), &amp;agrave;s vezes Nova York...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E o quanto voc&amp;ecirc; conhece sobre a cena de arte brasileira, voc&amp;ecirc; conheceu alguns artistas locais?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sim, eu conheci muitos por meio da Gale-ria (Choque Cultural) e do Jonathan (LeVine), e gostei muito da energia deles. Sinto que os artistas daqui est&amp;atilde;o realmente correndo atr&amp;aacute;s, de uma forma positiva, e me lembram de uma &amp;eacute;poca na Filad&amp;eacute;lfia quando a cena de p&amp;ocirc;steres, de sair para colar coisas na rua, estava muito forte e em todo lugar que voc&amp;ecirc; ia havia algo bacana e original. Aqui, todo lugar que voc&amp;ecirc; olha na rua tem algo muito legal e isso &amp;eacute; realmente inspirador!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saiba Mais:&lt;br /&gt;www.jonathanlevinegallery.com&lt;br /&gt;www.choquecultural.com.br &lt;/p&gt;
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    <author>
      <name>tiago</name>
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    <published>2009-01-08T13:47:00Z</published>
    <updated>2009-01-09T14:43:16Z</updated>
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    <title>Bruno Kurru</title>
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    <title>Titi Freak</title>
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            &lt;p&gt;O artista paulistano de 34 anos &amp;eacute; um dos destaques da oitava edi&amp;ccedil;&amp;atilde;o da revista +Soma. Aqui, voc&amp;ecirc; pode conferir um pouquinho do trabalho do artista que vem ganhando as galerias de todo o planeta. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;
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    <author>
      <name>tiago</name>
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    <published>2008-10-31T18:32:00Z</published>
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    <title>Tim Festival 2008 Por Fernando Martins </title>
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            &lt;p&gt;Fernando Martins &amp;eacute; fot&amp;oacute;grafo e skatista carioca. Faz algumas edi&amp;ccedil;&amp;otilde;es da revista +Soma que vem fotografando para n&amp;oacute;s. Ele acompanhou a cobertura do tim Festival junto conosco e clicou alguns bons momentos de um festival com poucas grande estrelas e pouco p&amp;uacute;blico. Voc&amp;ecirc; pode ver seu trabalho &lt;strong&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;a href=&quot;http://www.flickr.com/photos/fernandomartins/&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt;&amp;lt;/font&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;cite&gt; &lt;/cite&gt;&lt;/p&gt;
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    <author>
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    <published>2008-09-13T02:49:00Z</published>
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    <title>Maya Hayuk</title>
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            &amp;lt;font&gt;Confira mais algumas artes da multi artista norte-americana de origem Ucraniana Maya Hayuk, que mostrou o seu trabalho na nova edi&amp;ccedil;&amp;atilde;o impressa da Revista +Soma (007). Ainda no site voc&amp;ecirc; tamb&amp;eacute;m pode ler a entrevista na &amp;iacute;ntegra, sem cortes, &lt;a href=&quot;http://www.maissoma.com/2008/9/12/entrevista-maya-hayuk&quot;&gt;&lt;span&gt;clicando aqui&lt;/span&gt;.&lt;/a&gt; Se voc&amp;ecirc; ainda n&amp;atilde;o garantiu o seu exemplar impresso com a mat&amp;eacute;ria com a Maya, corra em algum dos pontos de distribui&amp;ccedil;&amp;atilde;o ou baixe agora a revista em PDF na se&amp;ccedil;&amp;atilde;o &lt;a href=&quot;http://www.maissoma.com/2008/9/12/revista-soma-7-download-free&quot;&gt;Somacast&lt;/a&gt; do site. &lt;br /&gt;&amp;lt;font&gt;&lt;br /&gt;&amp;copy;Todas as imagens s&amp;atilde;o de propriedade de Maya Hayuk e n&amp;atilde;o podem ser usadas ou reproduzidas sem permiss&amp;atilde;o.&amp;lt;/font&gt;&lt;br /&gt;&amp;lt;/font&gt;
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      <name>fernanda</name>
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    <title>Nelson Leirner</title>
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            Confira mais trabalhos de um dos mais importantes e influentes artistas brasileiros dos &amp;uacute;ltimos cinquenta anos - &lt;strong&gt;Nelson Leirner&lt;/strong&gt;. Sua obra, se n&amp;atilde;o est&amp;aacute; exposta, j&amp;aacute; passou por todos os grandes museus e galerias em nosso pa&amp;iacute;s, aos seus 76 anos prestamos nossa homenagem nas p&amp;aacute;ginas da +Soma #6 e mais uma palinha do seu trabalho aqui. Confiram!
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    <title>Don Pendleton</title>
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<content type="html">
            Confira mais trabalhos de um dos artistas mais influentes e respeitados do cen&amp;aacute;rio de skate mundial, entrevistado na quinta edi&amp;ccedil;&amp;atilde;o da Revista +Soma.
          </content>  </entry>
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    <author>
      <name>tiago</name>
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    <published>2008-03-06T08:24:00Z</published>
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    <title>Shepard Fairey</title>
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<content type="html">
            Confira aqui uma exposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o virtual com artes recentes do Shepard Fairey, nosso entrevistado e capa da Revista +Soma #4. Se voc&amp;ecirc; j&amp;aacute; est&amp;aacute; com a revista na m&amp;atilde;o e leu a entrevista, aproveite para conhecer um pouco mais o trabalho desse artista que &amp;eacute; um dos nomes mais importantes, sen&amp;atilde;o o mais importante da cena de arte urbana mundial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se ainda n&amp;atilde;o garantiu o seu exemplar, corra por que essa edi&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; hist&amp;oacute;rica!
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