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Thu: 08-25-11
Exposição Virtual:
Ensaio de Fotos . Irreversível
Por Azul Serra “A situação era muito tensa, porque você até podia entrar, mas não sabia como ia sair.” Repórter cinematográfico free-lancer e diretor de fotografia, o paulistano radicado em Londres Azul Serra partiu no final de fevereiro para a Tunísia, com o objetivo de acompanhar a situação na vizinha Líbia, que passava a protagonizar mais um capítulo das revoltas populares que varreram o mundo árabe em 2011. O que ele encontrou foi uma fronteira cheia de refugiados do conflito entre rebeldes e as tropas do presidente Muammar Kadhafi. Impedido de entrar na Líbia, Azul acabou voando para a fronteira do país com o Egito, região já controlada pelos rebeldes. Em Benghazi e Ra’s Lanuf, testemunhou a “precariedade das forças militares”, palavras que usou para descrever os que lutavam contra o governo central com pouquíssimos recursos, incluindo armas antiaéreas montadas em picapes. De volta à Europa durante os bombardeios realizados pela Otan contra Kadhafi, o fotógrafo transformou as imagens registradas durante a viagem na exposição “Irreversível”, que já passou pela Inglaterra, República Tcheca e Itália e que deve chegar a São Paulo em agosto. As fotografias mostram os contrastes do conflito, entre os refugiados desesperados para entrar no território “livre” da Tunísia e o orgulho disfarçado dos rebeldes enfrentando o governo de seu próprio país.
Mon: 06-20-11
Exposição Virtual:
Ensaio de fotos: Autorretrato Sensorial
Autorretrato Sensorial
Tal qual um homem-bomba, que abre mão da sua identidade em nome de uma ideologia, Edu Monteiro esconde o rosto sob máscaras, obscurecendo sua condição humana à medida em que se transforma em um ser híbrido. A diferença, entretanto, reside na poética que o artista alcança, brutal por um lado, repleta de humor por outro. As texturas que o fotógrafo busca em elementos orgânicos – plantas, pimentões e carvões – aproximam sua pesquisa daquilo que Archimboldo fazia na pintura: retratos que confundem os sentidos ao deturpar a própria natureza. Já as imagens que ele obtém através da fusão do corpo humano com o corpo artificial – cigarros e bichinhos de pelúcia – remetem a um futuro sombrio ou decadente, habitado por criaturas mutantes. De uma forma ou de outra, a carga política é intrínseca ao trabalho do artista, seja nas mutações orgânicas que suscitam discussões ecológicas, seja naquelas em que o consumo se sobrepõe ao indivíduo, modificando suas feições, como que se houvesse adulterado sua carga genética. Os híbridos construídos na série de autorretratos são tão plurais quanto excludentes, evidenciando e ocultando as complexas facetas que forjam e tão bem caracterizam a espécie humana. Por Bernardo José de Souza
Fri: 04-08-11
Exposição Virtual:
Ensaio de fotos: O Jardim
O Jardim
Um documentário imaginário sobre a relação do homem com o meio ambiente nos bairros Jardim Canadá e Vale do Sol, às margens da rodovia BR-040, subúrbio de Belo Horizonte.
Em duas pequenas porções de periferia, com toda a diversidade que pode haver entre pequenas indústrias, ateliês de artistas, restaurantes chiques, residências de classe média, favelas, oficinas e até galerias de arte, esses bairros aparecem em minha imaginação como um resumo do avanço da ocupação humana no planeta, a materialização do pequeno - mas poderoso -, conto de Jorge Luís Borges, Do Rigor da Ciência:
“... Naquele Império, a arte da cartografia atingiu uma tal perfeição que o mapa duma só província ocupava toda uma cidade, e o mapa do império, toda uma província. (...) (...) menos apegadas ao estudo da cartografia, as gerações seguintes entenderam que esse extenso mapa era inútil e não sem impiedade o entregaram às inclemências do Sol e dos invernos. Nos desertos do oeste subsistem despedaçadas ruínas do mapa, habitadas por animais e por mendigos. (...)”
Em dezembro de 2008, passei a residir na região e identifiquei ali essa diversidade pulsante. Passei a percorrer cada canto desses bairros para realizar fotografias, através das quais procuro entender esta "mistura" cultural.
O título “O Jardim” tem o intuito de levar o entendimento sobre o trabalho para o lado metafórico da fotografia. Aqui o que mais importa não é apenas a ocupação dos bairros, mas o avanço da civilização sobre o que resta da natureza.
Pedro David
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