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Thu: 07-21-11

Bill Callahan . Apocalypse . Drag City . 2011

 

Todo mundo já sentiu a sedução da estrada – se perder em caminhos que seguem até o infinito, deixando para trás as decepções de um cotidiano prosaico. Tomar mil estradas em busca de uma coisa só: a jornada, e não o destino. Essa trajetória é uma afirmação política, uma maneira de buscar novas prioridades. Em Apocalypse, Bill Callahan quer expressar esse amor pela estrada como uma maneira de rever a história de uma América que precisa se repensar.

“Desde o ataque de 11 de setembro, o mundo ficou contra a América – e ela também se virou contra si mesma. É algo como: ‘já que todos nos odeiam, talvez nós realmente sejamos ruins’”, declarou. Ser americano hoje é saber processar esse ódio. A impressão é que o cantor reuniu duas influências em um mesmo sentimento: o engajamento vigilante de Gil Scott-Heron e o trovadorismo mais otimista de Bob Dylan em seu Together Through Life. Desiludido e lutando contra seu próprio país, mas ao mesmo tempo vislumbrando uma luz no fim do túnel.

O apocalipse de Callahan é um adeus. Depois de anos de estrada, de tentar chegar a algum lugar, a questão é: estar aqui já não é o suficiente? “E se no fim eu dissesse que a resposta para qualquer pergunta é: viaje pelo prazer da jornada? Seria uma despedida adequada?”, ele pergunta em “Riding for The Feeling”. Em “One Fine Morning”, última faixa do álbum, tudo parece se aproximar de uma revelação. D-C 4-5-0, repete ele. Código? Não. Só o número de catálogo do álbum. Porque tudo isso é narrativa, e não realidade. Desconstruindo a própria ficção, Bill Callahan convida a experimentar uma América feita de jornadas e sem finalidades.

Por Stefanie Gaspar