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Fri: 05-27-11

Jaca e Renan Cruz estreiam individuais na Choque Cultural neste sábado

 

A galeria paulistana Choque Cultural inaugura neste sábado (28) duas exposições individuais, com os artistas Jaca e Renan Cruz.

O veterano Jaca (pseudônimo do gaúcho radicado em SP Paulo Carvalho) já foi capa da Soma e faz a sua segunda individual na Choque – e desta vez ele promete “pinturas em tela, quadros feitos com latas de azeite e outros produtos industriais (cuja gráfica é usada como pano de fundo para as suas pinturas) e assemblages”.

Já o paulista de Mogi das Cruzes Renan Cruz, que já teve uma individual no Espaço Soma em 2009, se destaca com sua mistura de técnicas – aquarela, spray, colagem - , e vai trazer telas, desenhos e instalações na sua nova exposição na Choque.


Renan Cruz Promo from Renan Cruz on Vimeo.



Confira abaixo a conversa da Soma com os artistas – por e-mail com o Jaca e por telefone com o Renan:

Jaca

Você começou a carreira como ilustrador e também trabalhou muito com quadrinhos. Você se vê hoje seguindo a carreira apenas como artista, vivendo do trabalho autoral?

Ainda continuo fazendo ilustrações, quadrinhos faço por hobby. Penso em dedicar a maior parte do tempo ao trabalho autoral.

Como você decide com que materiais trabalhar – quando vai fazer algo em tela, quando vai usar uma lata de azeite?

Não costumo planejar, a ideia aparece por acaso,

Li no site da Choque que você está preparando uma exposição de telas “de grandes  dimensões” para outubro. Existem  diferenças significativas para você na  hora de trabalhar com diferentes tamanhos de telas ou outros materiais?

Quando o formato é grande, trabalho na vertical, quando é menor, na horizontal.


É a sua segunda exposição individual na Choque Cultural – o que você lembra da experiência da primeira?

Foi meio na correria. Eu estava trabalhando num emprego fixo em redação de jornal. Chegava a noite em casa e tinha pouco tempo para pintar, fui terminando durante a exposição.

Em uma entrevista (ainda inédita) para a +Soma, o Luciano Scherer afirmou que você é uma grande influência. Você acompanha essa nova  geração de artistas? Você se considera uma boa influência para essa  gurizada?

Acompanho sim. A nova geração me estimula muito.

Renan Cruz

Vendo o vídeo que você postou sobre o trabalho para a exposição, dá para perceber uma velocidade na produção, e também uma quantidade grande de trabalhos, esboços. O quanto você planeja dos seus trabalhos, e o quanto você deixa acontecer sem planejamento?

Eu acho q eu cada artista tem seu fluxo – esse é o meu gesto, da velocidade. Esse lance de deixar fluir funcionam como etapas. Quando eu estou trabalhando por um período mais logo eu consigo deixar fluir – mas é algo mais maduro, não uma coisa automática. Eu parei de pensar em problemas e soluções, passei a pensar em questões positivas, em uma certa evolução, e essas questões começam a se aglutinar em novas obras quando elas pareciam se completar, se fortalecer.

O vídeo também traz muitas imagens de natureza, você pintando na grama, assim como seu site também mostra diferentes referências com o mesmo tema. Qual é a extensão da presença do mundo natural no seu trabalho?

Eu acho que o caos existe em toda situação, e a natureza procura um caos harmônico – é como uma semente, que contém em si toda a informação do que ela vai se transformar, da própria árvore. É essa questão de uma ciência oculta da natureza que me atrai para o tema. A energia na natureza tem alguns padrões que se repetem, e eu gosto de enxergar como esses padrões também se repetem no nosso dia-a-dia. Eu procuro investigar com eu posso absorver essas questões e trabalhar em cima disso. Quando a gente pensa ou fala em natureza, parece que ela acontece fora da gente, mas na verdade nós mesmos somos a natureza.

Falando em universo, a trilha do vídeo é do Pharoah Sanders – você dialoga com a música? O que prefere ouvir quando está trabalhando?

Eu vi um programa da SESC TV com o Pharoah Sanders e me interessei muito por essa espiritualidade dele, acho que ele dialoga com o Hermeto Pascoal – eu gosto de artistas que tem certa liberdade que comove, e não lidam com problemas, e sim com questões positivas. Qualquer música que eu goste de ouvir no trabalho tem essa questão do espírito, positiva. Meu trabalho tem essa questão da ascensão. Achei que essa música tem uma ligação com a natureza, com o pássaro, e acho que completou bem a apresentação. Eu tenho tocado flauta, aprendendo bem devagar, e esse som de sopro tem uma relação com isso também.

Seu trabalho com desenho e ilustração tem uma dimensão mais figurativa, enquanto as suas pinturas resvalam no abstrato, muitas vezes com forte presença de elementos geométricos. Existe uma tensão entre essas diferentes produções ou são simplesmente faces e interesses diversos do mesmo artista?

São diferentes faces mesmo – eu sou um artista novo, estou evoluindo. São duas coisas que estão caminhando em vias separadas, mas acredito que com a maturidade eles vão se juntar no mesmo rio. E junto com tudo isso eu tenho mais alguns estudos – como com a fotografia, não só a questão da imagem, mas a questão da captura, da luz – e a ideia é de fazer isso se juntar em uma coisa só. Um contrapesa o outro, em cada um desses lugares tem uma informação nova que fazem eles se completarem.

Você realizou uma exposição individual no Espaço +Soma em 2009 – o que diferencia o trabalho realizado na +Soma e aquele que você vai expor agora? Como você enxerga essa evolução?

Eu acredito que essas exposições têm uma continuidade. Agora eu trago uma nova postura para um mesmo caminho. Os elementos escolhidos são primitivos na medida em que eles não têm uma interpretação pronta. Tudo está em movimento, isso tem a ver com a velocidade, com a vontade de transformação, de movimento.

Jaca e Renan Cruz na Choque Cultural
Quando: a partir de sábado (28) até 9 de julho. De terça à sábado, das 12h às 19h
Onde: galeria Choque Cultural - Rua João Moura, 997 - São Paulo - SP
Quanto: entrada franca
Informações: choquecultural.com.br

Por Amauri Stamboroski Jr.