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Tue: 05-10-11

Thomas Pynchon . Vício Inerente . Cia das Letras . 2010


Thomas Pynchon é um desses heróis da literatura que unem descontração, desvario e rigor formal e narrativo de uma maneira tão peculiar e inextricável que se tornou referência e paradigma. O tal do “diálogo com a cultura pop”, que serve de muleta para muitos, é apenas um ponto de partida para o escritor americano responsável por um dos grandes clássicos psicodélicos em qualquer forma de arte, o monumental "Arco-íris da Gravidade". Voltando ao cenário de alguns de seus romances/esfinges anteriores, a Califórnia dos anos 1970, em "Vício Inerente" ele trata do declínio da curva do verão do amor hippie e, numa escolha provavelmente nem um pouco ocasional, lança mão do gênero policial para tanto, criando um detetive doidão, Doc Sportello, misto de Sam Spade e Hunter Thompson. O detetive da vez se mete em encrenca por causa de uma ex-namorada e termina por lidar com uma conspiração na qual se misturam especuladores judeus e seus seguranças nazis, hippies de diversas matizes, surfistas, traficantes, contrabandistas, bandas de rock, prostitutas e as mais variadas drogas. Ao contrário de muitos escritores com pretensões pop, Pynchon não é preguiçoso nem condescendente com seus leitores, com suas afinidades eletivas e nem com seus personagens, de forma que ninguém passa impune por seus livros. Ótima leitura introdutória para as obras mais densas do autor.

Por Velot Wamba