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Fri: 04-08-11

Shuffle . Maurício Takara

 

Por Tiago Nicolas

Maurício Sanches Takara é o “mi” da Família Dó-Ré-Mi e o nosso M. Takara, um pequeno gênio da música de vanguarda e de retaguarda. Caçula de uma promissora família de Pinheiros, Maurício foi criado para criar – batidas, ritmos e melodias –, aprendeu música a fundo e transcendeu do hardcore para as composições mais bem elaboradas com moral e autoridade. Conheça uns plays que contribuíram para a formação do nosso garoto de ouro.

Disco que você tirou inteiro na batera
Safari Hamburgers – "Good Times". Comprei esse logo que saiu. Um dos meus discos preferidos do hardcore nacional. Teve um pequeno período em que eu toquei bateria no Safari. Lembro do primeiro ensaio, eu na febre, sabia todas as viradas de cor.

Disco que você acha mais legal ler do que escutar
Chico Buarque – "Construção". Esse disco é só ideia foda, arranjo cabuloso, letras sinistras... Mas faz muito tempo que eu não ponho pra ouvir.

Um disco pra meditações
John Coltrane – "Meditations". Disco que bombou no meu walkman no busão indo pra escola. Marcou muito. O Coltrane começando a tocar mais com formações diferentes depois do quarteto. Fora que tem “meu parcel” Pharoah...

Disco de um irmão (de sangue)

Againe – "Sem Açúcar". Época bem doida do Againe, com o Carlos cantando mais, e o som, um skatepunk estranhão. E é o disco de onde saiu o clipe que pôs os desengonçados pra correr. Cena linda.

Disco de um japonês cabeludo

Trio de Dez – "Juntando as Letra". Disco mais de improvisação do Rubinho, que tocava no Tube Screamers. Ele tocou baixo, bateria, teclado, instrumentos de sopro e gravou. Processo bem raro pra esse tipo de música, e que resultou numa sonoridade muito boa.

Disco da Low End Theory

A Tribe Called Quest – "Low End Theory". O único disco que eu conheço desses caras é o do Flying Lotus. Low End Theory me lembra mesmo o do Tribe. Já começa explodindo. Também bombou no walkman.

Disco do clube dos prodígios
Grachan Moncur III – "Some Other Stuff". Esse tá bombando neste momento pra mim. Com umas composições soltas, improvisos meio “minimalistas” e uma banda cabulosa com o Tony Williams na bateria. O danado devia ter uns 18 anos quando gravou esse disco. Esse é do clube.

Disco Dodecafônico

Black Flag – "Process of Weeding Out". Esse entortou a cabeça de muita gente. As guitarras mais dodecafônicas do punk. Conexão boa de música com improvisação, atonalismo, levada pra frente e criatividade.

Disco pra ouvir num barco em plena Nova York

Dorival Caymmi – "Caymmi e Seu Violão". Poderia ser um Built to Spill também. Mas o Caymmi já vem com uma caipirinha pra matar a saudade do meu, do seu, do nosso Brasilzão.

Disco desse pequeno que eu paguei mais pau
"Conta"