“Everybody sing”, convida com sua voz leve e insidiosamente nipônica a vocalista do Deerhoof, Satomi Matsuzaki, em diferentes momentos do disco novo do grupo, "Deerhoof Vs. Evil". O pinball sonoro que é característico do quarteto – que completa 16 anos de carreira – pode dificultar um pouco o trabalho da plateia, mas a principal função aqui é lembrar que, por mais que pareça um improvável candidato às ondas do rádio, a música da banda é mais acessível do que pode parecer à primeira orelhada. O aspecto caleidoscópico do som do Deerhoof vem da estratégia usada pelo grupo na hora de compor cada disco – todos trazem as suas próprias ideias de canções, que são então remodeladas, criticadas e expandidas pelos outros membros “até você não saber mais se aquela música existe”, como explicou o baterista e fundador da banda Greg Saunier em uma entrevista recente. O resultado é um mosaico que reúne sob o mesmo teto polirritmos à Konono No 1, samba de gringo, folk adocicado, efeitos de dub, riffs de hard rock, lounge sessentista de mentira e mais outras camadas de idiossincrasias sônicas. Apesar de o panorama parecer confuso em uma limitada descrição verbal, a voz de Matsuzaki e as melodias fácies unem tudo com uma insuspeita simplicidade e – surpresa! – o disco chega a ter momentos dançantes, como “Super Duper Rescue Heads!” e “Hey I Can”. Mas no final tudo parece um grande Katamari musical, cheio de elementos brilhantes sobrepostos – nada que um jogador/ouvinte não possa capturar com um pouco de perspicácia.
Por Amauri Stamboroski Jr.