Há cerca de um ano, Hervé Bourhis era um completo desconhecido no Brasil. Aí a Conrad resolveu lançar por aqui seu "Pequeno Livro do Rock", relato em quadrinhos abertamente subjetivo da história do gênero musical mais highlander de todos. As tiradas bem humoradas e o traço punk-realista de Bourhis caíram nas graças dos brasileiros, que fizeram do quadrinho um hit.
É nessa maré extremamente favorável que chegou às lojas brasileiras "O Pequeno Livro dos Beatles". Se você gostou do primeiro, vá com fé: este é ainda melhor. Além da timeline pela carreira do grupo e dos integrantes (até 2009), marca registrada do autor, Bourhis vai mais fundo nas análises, dando notas para cada álbum, single, EP e disco solo de John, Paul, George e Ringo (só esqueceu de "Shaved Fish"). Isso traz momentos ainda mais engraçados, polêmicos e apaixonados, em que fã, crítico e artista se misturam num equilíbrio empolgante. Como no review do "Álbum Branco": “É a única obra-prima que tem 25% das músicas dispensáveis, sendo uma inaudível, e da qual gostamos mesmo assim!” Ou no do "Sgt Pepper’s": “Ao fim e ao cabo, um álbum apaixonante (...), que a falta de espontaneidade torna, porém, um tanto gélido e intimidante.”
Outro atrativo é a capacidade gráfica que Bourhis tem de mesclar assuntos maiores com notas curiosas, como as prisões de Paul por porte de maconha ou um desenho do túmulo de Eleanor Rigby. Bourhis tem uma memória privilegiada e tenta ao máximo ser sincero consigo mesmo e com o legado da banda. Com isso, nos deu um livro que, se não é genial, supre com louvor a necessidade de se ler algo sobre os Beatles de tempos em tempos.
Por Mateus Potumati