O segundo álbum do quarteto americano Vampire Weekend, lançado no Brasil em novembro pela Lab 344 (às vésperas de uma turnê da banda pelo país) retoma a trilha percorrida pelo grupo no seu homônimo disco de estreia, de 2008. As influências africanas – sempre filtradas pelo escopo da world music – permanecem importantes, mas o novo trabalho mostra que as lições aprendidas com luminares do art rock oitentista como David Byrne e Peter Gabriel vão além dapilhagem cultural. "Contra" é um disco de uma época em que ainda fazia sentido pensar em álbuns, obras autocontidas e autorreferenciadas. Menos abrasivo que seu predecessor, todas as faixas do disco ganham cuidado especial, sempre com a intenção de “alta arte”, ou pelo menos o limite elegante que se assume para a arte no rock mais careta. Não são só os detalhes, como os violinos fechando a ótima "Giving Up The Gun" ou o vibrafone e o cravo de "Taxi Cab": a atmosfera diletante do disco segue até em seus momentos mais "globais", como "Diplomat's Son". Mesmo as faixas mais animadas, como "Cousins", "Holiday" e "California English" vão além das estruturas mais simples de hits do primeiro álbum, como "Mansard Roof". Compensando o risco com hype (o disco ficou em primeiro lugar na Billboard), o Vampire Weekend entrou para um dos clubes mais selecionados do novo rock: o daqueles que sobrevivem ao primeiro disco sem se repetir.
Por Amauri Stamboroski Jr.