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Fri: 03-18-11

Seleta . Coisas que gostamos de guardar . Selo Shadoks

Por Mentalozzz, com colaboração do dr. Jacob Pinheiro Goldberg

Depois dos relançamentos de raridades em CDs na década de 90, a onda agora são os relançamentos em vinil 180 gramas. Até a Polysom voltou, e é só procurar e poder pagar para ter um Tábua de Esmeralda cabaço, cheiroso e gordinho.
Frederico Cesquim é consultor de aeromodelismo (tinha uma turbina no quintal da casa quando eu visitei o cara) e também colecionador de LPs, mas está aqui na Seleta porque é um dos responsáveis pelos relançamentos de títulos raríssimos da música brasileira pelo selo Shadoks, da Alemanha. Esses relançamentos fazem a alegria de guardadores de LPs, limitados a 500 cópias numeradas a mão pelo próprio alemão, que mora em uma ilha na Europa e é o idealizador da Shadoks. Na falta do original, esses discos são a única maneira de desfrutar da audição analógica de músicas que só estavam disponíveis em versão digital.

Você entrou nessa pela grana ou pela música?
O meu interesse pelo LP "Vida e Obra de Johnny McCartney" – disco de 1971 do Leno, da dupla Leno e Lilian, que fazia sucesso na Jovem Guarda – foi responsável por tudo. Esse disco é uma lenda, é bem rock and roll e tem a participação do Raul Seixas, mas foi censurado. A CBS não o lançou, saiu apenas um EP bem raro, com quatro músicas, do qual eu só consegui um exemplar recentemente.

Você conhecia o disco ou só queria porque é raro?
Eu conhecia porque, na década de 90, alguém achou esses tapes e lançou em CD com uma tiragem de mil cópias, e eu tive a sorte de ter uma em mãos.

Você gostou tanto que resolveu lançar em vinil?
Na época eu estava trocando meus três LPs psicodélicos originais do Ronnie Von por uma prensagem em 180 gramas que saiu na Europa, e na troca com um gringo mandei de presente uma cópia do CD do Leno. O gringo ficou louco, achou muito bom, e pediu pra eu fazer contato com o Leno pra tentar re-editar lá fora em CD. Achei o cara através de uma amiga no Orkut, e ele topou, então fomos atrás das fitas masters e demais burocracias e lançamos em CD, mas o LP já está por vir.

Como você virou o braço direito da Shadoks aqui no Brasil?
Escrevi um e-mail pra saber sobre o relançamento anunciado por eles do LP "Por Favor Sucesso", do Liverpool, e o dono me respondeu que não faria mais relançamentos brasileiros, “porque lancei o  raríssimo álbum duplo 'Paêbirú', creditado a Lula Cortês e Zé Ramalho, e fui processado, quase quebrei e perdi o interesse”, então eu falei pra ele que faria a ponte com os artistas, e que, como a gravadora deles acabou, seria mais fácil. Ele topou e nós lançamos.

Qual o lançamento mais recente?
Acabamos de relançar o LP do Bando. As cópias, limitadas a 500, já estão por ai. Fiz também uma entrevista com o Bando, que está no encarte.

Por que você não lança aqui no Brasil?
Aqui as gravadoras nem respondem aos meus pedidos. Ninguém sabe resolver o emaranhado jurídico.

Parecer do dr Jacob Pinheiros Goldberg
O resgate do passado é uma das manifestações mais importantes do psiquismo humano. Quando se vive um processo de amnésia, pessoal ou coletivo, como no caso da música, é como se desperdiçássemos um patrimônio precioso para o presente e para o futuro. A preocupação de recuperar esse acervo é um contributo comunitário social, mas também manifestação de maturidade. Somente o neurótico acredita que pode enterrar o passado. Apesar de as pessoas usarem a expressão “virei a página”, nossa vida não é um livro, é uma dinâmica de carne, sangue, osso e memória.

Saiba mais:
recordcollector.com.br