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Wed: 02-23-11

Mostra "Idioma Comum", em Lisboa, reúne artistas de países lusófonos

Por Carla Isidoro, de Lisboa

 

Legenda da foto: em primeiro plano o tríptico "Un recuerdo para ti" de Kiluanji Kia Henda, e a tela "Man Power Revolution" de Francisco Vidal.
 

Nem sempre temos a oportunidade de ver reunidas obras de artistas marcantes da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa). Mas agora Lisboa mostra-as na exposição "Idioma Comum", que recomendamos vivamente.

É sabido que Lisboa, capital portuguesa, é ponto de encontro de vários artistas que marcam a produção de arte contemporânea, tendo ascendência brasileira, angolana, cabo-verdiana ou timorense, entre outras. É nesta cidade, no Espaço da Fundação PLMJ, que agora podemos ver parte do acervo desta fundação que há 10 anos investe em arte produzida em português. A coletiva "Idioma Comum" mostra obras feitas a partir das cidades de Maputo, Luanda, São Paulo, Lisboa, Cidade da Praia e São Tomé, assinadas por artistas que em vários momentos extrapolaram as fronteiras políticas e ganharam visibilidade em feiras de arte internacionais como a Bienal de São Paulo ou de Veneza. Sinal dos tempos, alguns dos países que recentemente estavam afundados na guerra civil, como Moçambique ou Angola, têm os seus artistas sendo observados e seguidos pela crítica internacional, potencializando o interesse na arte vinda de países emergentes e periféricos por parte de um circuito ocidental ainda centralizador.


O curador Miguel Amado fala-nos da exposição: "Numa cena artística internacional cada vez mais atenta aos fenômenos locais e às regiões exteriores ao eixo de poder protagonizado pela Europa Central e do Norte e pelos Estados Unidos da América, o potencial deste acervo é elevado porque oferece uma leitura panorâmica e sistemática da produção artística emergente no espaço lusófono, suscitando o seu contato com a realidade internacional. A Fundação pode operar como placa giratória para os artistas da CPLP, cruzando-os com as cenas artísticas centrais, ou como plataforma para a sua divulgação nesses contextos."

Enquanto se exige que alguns destes países se emancipem culturalmente, catapultando para fora das fronteiras o que de mais relevante se produz internamente e apoiando infra-estruturas locais para que o conhecimento e a produção artísticos aumentem, agora podemos conhecer alguns dos seus artistas que trabalham dentro de um contexto globalizado: são cosmopolitas, estão ligados ao mundo e em constante mobilidade.

Nesta mostra encontramos Abrãao Vicente (vive em Cabo Verde), Délio Jasse (é de Angola e vive em Lisboa), Flávio Miranda (nasceu em Lisboa, é filho de pais timorenses e vive em Viena de Áustria), Ihosvanny (angolano que tem trabalhado em Lisboa), Pinto (vive em Maputo), Francisco Vidal (nasceu em Lisboa, é filho de pai angolano e mãe cabo-verdiana e vive em Nova York), Jorge Dias (vive em Moçambique), Júlia Kater (trabalha em São Paulo, tem mãe francesa e pai brasileiro), Kiluanji Kia Henda (vive em Luanda), Lino Damião (vive em Luanda), Mário Macilau (vive em Maputo), Mauro Pinto (em Maputo), Mudaulane (em Maputo), René Tavares (é da ilha de S. Tomé) e Yonamine (angolano que trabalha em Lisboa).

 

Serviço

"Idioma Comum"

Exposição visitável até 26 de Março
Espaço Fundação PLMJ: Rua Rodrigues Sampaio, 29 – Lisboa (Portugal)
Mais informações no site da Fundação PLMJ