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Wed: 09-01-10

Península Fernandes . Malta Cloud Chapel . 2010

O Península Fernandes não é uma banda ou um pseudônimo, é uma entidade sônica, um pressuposto atonal. Com três EPs temáticos já lançados, incluindo o mais recente “Tá Logo Aí”, sobre a Copa do Mundo, o projeto de noise do baixista dos Telepatas Daniel Monteiro se transforma em uma sucessão de platôs sonoros e terrorismos aurais dispostos sem muita cerimônia em nove faixas, que vão da construção em camadas da abertura “Petencostes” ao incômodo minimalismo de “Tel Aviv Allegro”.

O disco não é nada confortável ou palatável, mas não deixa de ser fascinante. É fácil imaginar um paralelo entre os momentos mais caóticos de “Malta” e os desencontros urbanos de São Paulo, especialmente em uma faixa como “Do 16 ao 18 (Flui Bem)”, montada a partir de boletins radiofônico de trânsito aleatórios, algo tão cotidiano na cidade que só volta a parecer estranho quando isolado de seu contexto inicial.

Por outro lado, o disco encontra um componente bem-humorado em momentos como “Divertimento Gostoso”, em que a voz de Daniel, distorcida, aparece ironicamente declarando que “Península Fernandes é para relaxar”. Ele mesmo já definiu o projeto como “música pop de baixos recursos” e já foi comparado a Joy Orbinson e a Dan Deacon. Faz todo o sentido – descontração tensa e contraponto para um mundo onde o mp3 player levou a música de elevador para todo o cotidiano.

Por Amauri Stamboroski Jr.