(Ensaio publicado na +Soma 18/Jul-Ago 2010. Baixe aqui ou descubra aqui onde conseguir uma.)
Por onde andou Clara Crocodilo
Como Arrigo Barnabé costurou música erudita contemporânea, canção brasileira, arquitetura, HQs, sensacionalismo, submundo e transgressão e, encarnando uma espécie de doutor Frankenstein da MPB, criou o monstro/obra-de-arte que completa 30 anos em 2010
Por Raquel Setz . Ilustrações por Luiz Gê . Fotos da banda por Antonio Carlos Toneli
São Paulo, 21 de maio de 1979. O teatro Pixinguinha, do SESC Anchieta, estava absolutamente lotado. O público esperava ansioso pela final do I Festival Universitário de Música Popular Brasileira, promovido pela TV Cultura. Assim como nos históricos festivais da TV Record do final dos anos 60, a plateia não era exatamente bem comportada: podia tanto aplaudir efusivamente um concorrente como fuzilá-lo com vaias. Quando um jovem compositor londrinense, que atendia pelo exótico nome Arrigo Barnabé, subiu ao palco com sua banda de treze integrantes para apresentar as finalistas “Infortúnio” e “Diversões Eletrônicas”, as reações foram divididas. Enquanto alguns empunhavam faixas com dizeres como “Vai firme, Arrigo”, outros vaiavam, gritavam “Fora!” e até atiravam objetos no palco – a cantora Neuza Pinheiro foi alvejada na testa por uma bola de papel.
Esse estranhamento já era um tanto esperado: para quem tinha esperança de que o festival revelasse a nova “A Banda”, aquelas músicas complexas, que mesclavam dissonâncias e ritmos pouco convencionais com performance teatral, além de letras que tratavam de personagens do submundo urbano, eram simplesmente intoleráveis. Quando, em novembro daquele mesmo ano, Arrigo concorreu com a música “Sabor de Veneno” no Festival 79 de Música Popular Brasileira, da TV Tupi, a reação da plateia foi ainda mais agressiva: em vez de inofensivas bolas de papel, foram arremessados cinzeiros de metal arrancados das cadeiras do teatro – por sorte, desta vez ninguém foi atingido.
Durante a apresentação, o baixista da banda (que na época era um ilustre desconhecido chamado Itamar Assumpção), provocava os espectadores perguntando “Sabor de quê?” “De merda!”, eles berravam em resposta.
“Diversões Eletrônicas” ficou com o primeiro lugar no Festival da TV Cultura, e “Sabor de Veneno” levou os prêmios de melhor intérprete (Neuza Pinheiro) e melhor arranjo. Mais importante que os prêmios, a participação nesses dois festivais mostrou que havia algo novo sendo proposto na MPB. Nos anos seguintes, uma cena musical começou a tomar força na cidade de São Paulo: foi a chamada Vanguarda Paulista. Muitos artistas de destaque dessa cena estavam na banda que acompanhou Arrigo nos festivais – além do genial Itamar Assumpção, havia também o multi-instrumentista Paulo Barnabé (irmão de Arrigo), o trombonista Bocato, as cantoras Suzana Salles, Vânia Bastos e Tetê Espíndola, e Claus Petersen, flautista e saxofonista do grupo Premeditando o Breque, que pegou o segundo lugar no Festival da Cultura com o divertidíssimo samba de breque “Brigando na Lua”.
Havia ali um evidente elogio à figura do marginal – o que, no contexto da ditadura militar e, especialmente, dos anos de chumbo do governo Médici, significava muito mais um ato de resistência do que uma apologia ao crime
Um mutante na linha evolutiva
Desde o início dos anos 70, Arrigo Barnabé vinha desenvolvendo um estilo muito particular de trabalhar a canção popular brasileira. Ao ler o livro “O Balanço da Bossa”, de Augusto de Campos, ele começou a pensar em qual seria o salto seguinte na linha evolutiva da MPB. A bossa nova havia trazido inovações rítmicas, melódicas e, principalmente, harmônicas; a tropicália tinha ousado bastante nos arranjos e nas letras. Um novo passo possível seria mexer na própria estrutura da música, mudando as fórmulas de compasso (dos tradicionais 2/4 ou 4/4 para os pouco utilizados 5/4 ou 7/4, por exemplo) e radicalizando harmonias e melodias com o abandono da tonalidade.
Em 1971, com essas ideias na cabeça, Arrigo e Mario Lúcio Côrtes resolveram escrever uma música em parceria. Amigos desde a adolescência em Londrina, os dois fizeram aulas de piano clássico juntos e passaram várias tardes tocando Bach e conversando sobre música. Em 1970, Arrigo veio para São Paulo fazer cursinho e, em seguida, estudar Arquitetura na FAU; Mario Lucio também saiu de Londrina para cursar Engenharia no ITA, em São José dos Campos. Os amigos passaram a se encontrar somente nas férias, período em que trocavam informações sobre a música erudita do século XX, tema que pesquisavam com afinco.
Dessa vez, aproveitaram a ocasião para compor em conjunto, e assim começou a lenta e trabalhosa criação da música “Clara Crocodilo”. Primeiro, eles decidiram que ela seria feita sobre um compasso 7/4 – o mesmo que o Pink Floyd utilizaria anos depois na música Money, de 1973. Em seguida, criaram algumas linhas melódicas e uma harmonia.
Cada linha melódica funcionava como um módulo – conceito que Arrigo importou das aulas de desenho arquitetônico do cursinho: “Módulo é uma forma plana, que criávamos na cartolina. Montávamos mais de uma estrutura usando os mesmos módulos encaixados de formas diferentes. É quase como um brinquedo. Eu era péssimo nisso, mas achei a ideia muito legal”, conta Arrigo em entrevista à +Soma na sala de sua casa, em uma vila bucólica encravada no agitado coração do Itaim, bairro na Zona Sul de São Paulo. Juntando esse conceito com o procedimento do “caos controlado” utilizado na música aleatória, os “módulos musicais” seriam distribuídos aos instrumentistas, e cada um poderia escolher a ordem de execução.
“Tem uma quantidade de acaso pela escolha dos instrumentistas, mas também tem o controle, que são os módulos que você mesmo produziu”, ele detalha. “Clara Crocodilo” foi apresentada em público pela primeira vez em março de 1973, no show coletivo Na Boca do Bode, que reuniu diversos compositores jovens de Londrina. A essa altura, Arrigo havia colocado letra na música, que inicialmente era instrumental. O personagem Clara Crocodilo já aparecia como um fora-da-lei que não se curva ao poder e por isso tem que “fugir, escapulir”. Havia ali um evidente elogio à figura do marginal – o que, no contexto da ditadura militar e, especialmente, dos anos de chumbo do governo Médici, significava muito mais um ato de resistência do que uma apologia ao crime. “Ele também é sexualmente um marginal, tem uma ambiguidade sexual. Esse tipo de transgressão era elogiado como modelo de liberdade”, explica Arrigo. O nome do personagem, além de misturar masculino e feminino, trabalha com as oposições entre luz (Clara) e escuridão (Crocodilo, animal que vive nos pântanos) e entre a sonoridade das sílabas “cla” e “cro”.
A banda que apresentou “Clara Crocodilo” no Na Boca do Bode era formada por Arrigo no piano, Mario Lúcio no teclado, Paulo Barnabé na bateria, Antonio Carlos Tonelli no baixo e Paulo Côrtes, irmão de Mario, nos vocais. Durante um ensaio, o compositor Valter Guimarães, um dos organizadores do evento, gritou que estava tudo errado. Eles ficaram espantados, já que parecia que daquela vez o grupo finalmente havia conseguido acertar. Para tirar a prova, um dos integrantes foi para o fundo do teatro ouvir o que os outros tocavam.
Na verdade, a música estava sendo executada perfeitamente, só que era tão estranha e propositalmente desencontrada que, para ouvidos pouco acostumados, parecia simplesmente um grande equívoco.
Em 1977, em um outro show coletivo chamado Invasão, “Clara Crocodilo” foi apresentada pela primeira vez com uma narração no início. Imitando um repórter policial de programa de rádio sensacionalista, Arrigo alertava os ouvintes sobre “o perigoso marginal, o delinquente, o facínora, o inimigo público número 1”. Alguns anos depois, ele compôs “Office Boy”, na qual o personagem Clara Crocodilo é apresentado como um terrível monstro mutante criado em laboratório.
Essa história ao mesmo tempo bizarra, sinistra e engraçada foi inspirada em quadrinhos de ficção científica. Arrigo começou a se interessar por HQs por influência do quadrinista Luiz Gê, colega de turma no cursinho e na FAU. “Na época, havia o underground americano e os quadrinhos europeus que fizeram a introdução do erótico. Os quadrinhos antes dessa fase eram infanto-juvenis; nessa época, estava indo pro mundo adulto”, explica Luiz Gê. Além desse material de vanguarda, ele apresentou a Arrigo os gibis da Marvel, que se tornaram uma fonte de inspiração, principalmente “Homem-Aranha”. “O Lagarto, que é o inimigo do Homem-Aranha, é meio Clara Crocodilo. O próprio herói é meio Clara Crocodilo, porque é picado por uma aranha radioativa e assim se transforma no Homem-Aranha”, revela Arrigo.
Enquanto Schoenberg utilizava o atonalismo como continuidade histórica e libertação do sistema tonal, Arrigo Barnabé o faz como forma de confronto com a tradição. No entanto, sua música soa bem menos estranha do que a do mestre alemão. Isso acontece porque Arrigo inseriu o dodecafonismo dentro da estrutura da canção: as faixas de Clara Crocodilo possuem estrofes, ponte e refrão. Elas também trabalham com repetição de frases musicais – assim, mesmo melodias “tortas”, tornam-se familiares aos ouvidos. O resultado dessa união de opostos é uma música atonal que pode ser assobiada
Canção dodecafônica
Na construção de sua linguagem musical, Arrigo Barnabé sofreu influência direta da música erudita do século XX e, principalmente, do compositor alemão Arnold Schoenberg, criador do dodecafonismo. Para entender esse conceito é preciso uma rápida explicação sobre a música ocidental. Como esclarece Julio Medaglia no livro “Música Impopular”, da Grécia Antiga até o fim da Idade Média, o ouvido dos ocidentais se habituou a ouvir melodias; do fim da Idade Média em diante, também se acostumou a acordes e harmonias. É do relacionamento entre melodias e harmonias que surgiu o sistema tonal, no qual uma certa nota (tom) é “um pólo imantado de onde partia e aonde chegava a composição”. Quando se diz que uma música está em Dó maior, por exemplo, quer dizer que a nota principal, o centro da música é Dó. A tonalidade atingiu o aprimoramento absoluto com Bach e o máximo de dilatação com Wagner, entrando no século XX em profunda crise. Como não havia mais possibilidades a serem exploradas dentro desse sistema, Schoenberg tomou para si a ingrata tarefa de implodi-lo.
Na década de 1910, ele já criava peças atonais, como a famosa “Pierrot Lunaire”. Mas foi somente na primeira metade dos anos 1920 que desenvolveu um método organizado de composição atonal, chamado de dodecafonismo ou serialismo. Nesse método, as doze notas da escala cromática (no piano, as 12 teclas brancas e pretas no espaço de uma oitava) têm a mesma importância, fazendo com que a música deixe de ter um centro tonal. Desaparecem os conceitos de tensão e repouso, consonância e dissonância, e o movimento harmônico e melódico é completamente imprevisível. Para o ouvinte ocidental, adestrado por séculos de música tonal, é como se a lei da gravidade fosse revogada.
Nos anos 70, Arrigo aprendeu essas técnicas de composição em um livro de bolso em espanhol chamado “Que Es el Dodecafonismo”, presente da então namorada Cristina Santeiro. “Infortúnio” e “Diversões Eletrônicas”, que causaram polêmica no Festival da TV Cultura, foram compostas utilizando essas técnicas, mas nenhuma delas segue inteiramente o método elaborado por Schoenberg. Em “Infortúnio”, a primeira parte é serial, mas a segunda é tonal. Em “Diversões Eletrônicas”, o baixo e o piano tocam uma série de doze notas, enquanto o vocal segue uma melodia ora livre, ora serial. Dentre as composições que foram para o disco de estreia de Arrigo, a que se vale do método dodecafônico de maneira mais rigorosa é “Orgasmo Total”, mas mesmo esta acaba apelando para a tonalidade no final.
O pesquisador André Cavazotti, autor de um estudo sobre o uso do serialismo e do atonalismo livre no disco “Clara Crocodilo”, defende a ideia de que, enquanto Schoenberg utilizava o atonalismo como continuidade histórica e libertação do sistema tonal, Arrigo Barnabé o faz como forma de confronto com a tradição. No entanto, sua música soa bem menos estranha do que a do mestre alemão. Isso acontece porque Arrigo inseriu o dodecafonismo dentro da estrutura da canção: as faixas de “Clara Crocodilo” possuem estrofes, ponte e refrão. Elas também trabalham com repetição de frases musicais – assim, mesmo melodias “tortas”, tornam-se familiares aos ouvidos. O resultado dessa união de opostos é uma música atonal que pode ser assobiada.
“O Lagarto, que é o inimigo do Homem-Aranha, é meio Clara Crocodilo. O próprio herói é meio Clara Crocodilo, porque é picado por uma aranha radioativa e assim se transforma no Homem-Aranha”
Olho de réptil
Após a participação nos festivais em 1979, Arrigo ficou conhecido e foi elogiado por artistas como Caetano Veloso, Elis Regina e Paulinho da Viola. Um amigo de infância chamado Robinson Borba veio para São Paulo e passou a empresariá-lo. Arrigo e seu grupo, batizado como Sabor de Veneno, ensaiavam nos fundos da casa onde Robinson morava com a esposa e os filhos pequenos.
Já em meados dos anos 1970, Robinson, que também era compositor, percebeu que o tipo de música que ele, Arrigo e outros jovens de Londrina faziam não teria espaço nas gravadoras. Arquitetou então um plano: após se formar em engenharia, no fim de 1974, passaria cinco anos trabalhando como engenheiro em Londrina e, com o dinheiro do trabalho, viria para São Paulo investir em música. Sua ideia original era fazer um disco coletivo com os compositores jovens de Londrina – Arrigo, Paulo Barnabé, Itamar Assumpção, Antonio Carlos Tonelli e ele próprio.
Arrigo Barnabé discordava do amigo. Para ele, o público iria exigir que as gravadoras dessem espaço a essa música nova. E, de fato, ele foi procurado pelo produtor Marcos Maynard, da Polygram. Porém, apesar do interesse em lançar Arrigo, o produtor se dispôs a pagar somente cinco músicos. Depois desse aceno inicial, as gravadoras deixaram de procurá-lo. Os shows, no entanto, estavam cada vez mais lotados. Após uma entrevista ao repórter Dirceu Soares, da Folha de S. Paulo, Arrigo começou a aparecer na mídia impressa. Foi quando resolveu deixar de perder tempo e fazer um disco sem gravadora, inspirado no sucesso estrondoso do disco independente lançado em 79 pelo quarteto vocal Boca Livre, que em apenas um ano vendeu mais de 100 mil cópias.
O LP de estreia de Arrigo, “Clara Crocodilo”, foi inteiramente financiado por Robinson Borba. Na casa onde vivia com a família, ele improvisou o escritório da firma de um homem só que criou para administrar as muitas cifras e os números envolvidos na produção e comercialização de um disco. A microempresa chegou a contar com três funcionários, além do próprio Robinson e de sua esposa, Cristina Borba. “A autonomia da arte é fundamental para que surjam novas ideias, e acho que o “Clara Crocodilo” é um exemplo disso: mostrou autonomia do mercado e do Estado, uma independência na proposta estética e na proposta de produção”, afirma Robinson.
Mas trabalhar à margem do grande capital exigia uma boa dose de criatividade. As táticas de divulgação do disco incluíam colar adesivos em banheiros de bar, distribuir filipetas e pichar muros: “Mas eram sempre pichações bonitas, da capa do disco, do Arrigo de perfil”, garante Robinson. A parte gráfica do álbum foi um trabalho incrível, feito por Luiz Gê. Na capa, um imenso olho de réptil é emoldurado pelas palavras Clara Crocodilo, escritas com letras que parecem feitas de sangue. Esse mesmo olho foi impresso no rótulo do disco, criando uma relação entre a capa e o objeto. Tudo isso também foi feito com recursos limitados, realidade à qual o quadrinista já estava acostumado. “Era uma coisa instigante: estar tolhido graficamente, mas pegar os elementos que eu tinha e criar coisas diferentes com eles”, conta Gê. “E isso tinha a ver com essa proposta alternativa que o disco representava.”
“O Lagarto, que é o inimigo do Homem-Aranha, é meio Clara Crocodilo. O próprio herói é meio Clara Crocodilo, porque é picado por uma aranha radioativa e assim se transforma no Homem-Aranha”
Eterno retorno
“Clara Crocodilo” foi lançado no dia 15 de novembro de 1980, em um show com lotação completa no Auditório da FAU. Era a síntese da linguagem que Arrigo vinha desenvolvendo há quase dez anos, desde o dia em que sentou ao piano com Mario Lúcio Côrtes para compor uma música diferente. Um trabalho transgressor tanto na parte musical (por incorporar música erudita contemporânea à canção) como na temática: monstros mutantes, prostitutas, bêbados, viúvas desesperadas e uma espécie de Garota de Ipanema que, em vez do “doce balanço a caminho do mar”, oferece o “gosto amargo do futuro” (“Sabor de Veneno”).
Com esse álbum, Arrigo abriu um novo caminho na MPB. O problema é que, depois dele, ninguém mais ousou criar em um nível de radicalismo tão grande. “É um negócio inacreditável, porque é música erudita que virou sucesso por ser tocada com guitarra, baixo, bateria”, Arrigo comenta, admirado. Ele mesmo, apesar de ter lançado outros trabalhos depois de “Clara”, está sempre voltando ao material do álbum. Com arranjos diferentes, o repertório já foi regravado três vezes: nos discos ao vivo “A Saga de Clara Crocodilo e Ao Vivo em Porto” (com o pianista Paulo Braga) e no DVD com a Orquestra a Base de Sopros de Curitiba, que deve ser lançado em 2011. Além disso, desde 2004, Arrigo faz shows esporádicos com repertório exclusivo do disco.
O tão almejado salto na linha evolutiva da MPB foi atingido, mas parece que o mutante “Clara Crocodilo” se mantém, ainda hoje, como o único representante de sua espécie.
Um trabalho transgressor tanto na parte musical como na temática: monstros mutantes, prostitutas, bêbados, viúvas desesperadas e uma espécie de Garota de Ipanema que, em vez do “doce balanço a caminho do mar”, oferece o “gosto amargo do futuro”
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