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Wed: 06-09-10
Neill Blomkamp . Distrito 9 Tristar Pictures/Block/Hanson . 2010
Quando a onda de filmes na favela já aparentava ter dado no saco – especialmente com aquela pataquada-pra-americano-sentir-culpinha de “Quem Quer Ser Um Milionário” –, o cineasta sul-africano Neill Bloomkamp mostrou que o filão ainda tem muita lenha pra queimar. Em “Distrito 9”, apadrinhado pelo pica-grossa Peter Jackson, ele não só inventou sozinho todo um gênero (que alguns têm chamado de “favela sci-fi”), como ensinou lições valiosas à indústria do cinema.
Inteiramente rodado nas favelas de Soweto, em Joanesburgo, com um orçamento minúsculo para os padrões de Hollywood (e com retorno financeiro estrondoso), Distrito 9 conta a história de uma nave perdida de alienígenas que estaciona sobre a cidade. Contrariando as expectativas dos terráqueos, os etês estão fragilizados pela fome, são sujos, horrendos e estúpidos. Em vez de ajudar a Terra a evoluir, tentar nos conquistar ou ao menos explodir o planeta, eles logo se tornam mais um indesejável dejeto social em uma metrópole já caótica. Isolados em um gueto em Soweto, estão prestes a ser removidos para um local ainda pior, em uma operação higienista do governo.
A contagem regressiva da bomba-relógio começa quando o chefe da operação, o burocrata panaca Wikus van de Merwe, acaba se envolvendo com os aliens em uma trama bizarra e repulsiva (não vou dar detalhes para não estragar a surpresa de quem não viu o filme no cinema, mas a diversão vale cada segundo). No decorrer da história, o papel de Wikus é invertido: de carrasco, ele passa a herói da resistência. Completamente contra sua vontade.
Nos extras do DVD, quem já viu o filme não pode perder o documentário “A Agenda Alienígena” – “Diário do Cineasta”, que conta a saga de Bloomkamp desde o curta “Alive in Joburg”, de 2005, pontapé inicial de “Distrito 9”. Há belos depoimentos do elenco – em especial do genial Sharlto Copley, que faz o papel de Wikus – e detalhes sobre os efeitos especiais, que praticamente não usaram computadores e produziram efeitos tão impressionantes quanto os de um “Avatar” (e muito mais sujos). Item essencial não só para fãs de ficção científica, mas para qualquer apreciador de um cinema inteligente, desafiador e não acomodado.
Por Mateus Potumati
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