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Fri: 10-29-10

Exposição Virtual: +Ensaio de Fotos: One Love, por Fabio Bitão

(Ensaio publicado na +Soma 19/Sep-Out 2010. Baixe aqui ou descubra aqui onde conseguir uma.)    

One Love

 

Texto por Marina Mantovanini Fotos por Fabio Bitão

 

Com uma história muito parecida com a do Brasil, a Jamaica também teve a sua população indígena dizimada, foi colonizada por um país europeu e a economia era baseada no trabalho de escravos africanos e na monocultura da cana-de-açúcar. Com a abolição da escravatura, levantou-se uma questão: o que fazer com os ex-escravos?

Sem solução, a capital Kingston passou a abrigar uma população que não tinha nenhuma opção de trabalho, e o empobrecimento crescente se reflete até hoje nas ruas e na arquitetura da cidade. Localizada na Costa Sudeste da ilha jamaicana, Kingston parece um labirinto formado por avenidas principais, estradas secundárias, ruelas e bairros praticamente fechados. As casas são construídas de uma maneira muito específica: telhas de metal ondulado, chão de terra batida e paredes sem reboco, fruto da falta de dinheiro que acomete a maioria dos jamaicanos.

Como uma grande favela, parte de Kingston tem uma estética crua - como se ainda vivesse nos anos 1970. A música reggae, marca registrada da ilha, cresceu em dois bairros, que são fundamentais para a formação artística da capital: o violento Trench Town e Red Hills Road. Nos anos 1960, Trench Town foi a base para a maior parte dos artistas, músicos e poetas. Hoje, eles vivem em Red Hills Road. Foi em Red Hills Road, aliás, que o fotógrafo Fabio Bitão ficou hospedado nos 12 dias que esteve em Kingston. Instalado na casa da jamaicana Lorna Beckford, Fabio teve a oportunidade de conhecer profundamente a história da música e dos preceitos que envolvem o Rastafári.

Durante sua passagem pela cidade, visitou Bobo Hills, uma comunidade rastafári ortodoxa, conheceu o lendário estúdio Tuff Gong, a Randy's, loja de discos mais tradicional do país, e assistiu a um dos maiores festivais de dancehall, o Rebel Salute Festival. Enquanto fazia o rolê, ele registrou todos os momentos e montou um ensaio para mostrar um pouco do que é a Jamaica: música, religião e história.