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Wed: 01-06-10

Guy Delisle . Shenzen, Uma viagem à China
Zarabatana . 2009 

As histórias em quadrinhos sobre os três meses em que o canadense Guy Delisle passou trabalhando como chefe de uma equipe de animação em Shenzen, cidade no sul da China, foram publicadas separadamente em revistas antes de se tornarem o primeiro livro de uma série de “guias de viagem” do autor. Recém-lançado no Brasil, Shenzen, Uma viagem à China faz um relato dessa experiência e retrata o cotidiano de Delisle em uma cidade que se transformou rapidamente de uma pequena vila de pescadores para uma megalópole de 14 milhões de habitantes voltada para os negócios.

Quem já viajou nas duas outras histórias do autor, Pyongyang, Uma viagem à Coreia do Norte e Crônicas Birmanesas, vai sentir falta das situações bem detalhadas sobre os costumes e o modo de viver dos chineses, mas isso tem uma explicação: apesar de ser bem perto de Hong Kong, a cidade é isolada por cercas elétricas e vigiada por guardas armados, o que dificulta a formação de círculos sociais e torna a vivência do autor fria e impessoal. A falta de relacionamentos com outras pessoas fez com que Guy Delisle sentisse diariamente na pele o sentimento perturbador da solidão, que aparece nas falas e nos traços sujos e empoeirados feitos com giz de cera em preto e branco.

Mesmo sendo o álbum menos denso da série, foi em Shenzen que Delisle estreou a sua multiplicidade de estilos, que consegue ilustrar desde as experiências mais realistas até as mais fantasiosas. Neste primeiro quadrinho da série, o ponto mais notável é o modo como o artista usa habilmente sua arte para contar suas histórias: além dos desenhos autobiográficos, Deslile agrega aos quadrinhos um roteiro com base sólida permeado por seu humor suave.

Por Marina Mantovanini