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Tue: 06-23-09

Michel Laub . O Gato Diz Adeus

Companhia das Letras . 2009

Um acurado e sintético (e inversamente vigoroso em níveis de leituras) tratado sobre o consumo e a produção das neuroses e humilhações em tempos de amores líquidos. Essa é uma definição rápida de O Gato Diz Adeus, recém-lançado romance de Michel Laub, o quarto de sua curta e produtiva carreira. A linguagem ágil e prosaica da escrita dissimula as muitas camadas de interpretações possíveis, que surgem nos relatos de quatro personagens: uma atriz, um escritor, um professor universitário e uma estudante de Letras. Saber da ocupação de cada um é importante para compreender o tom dos depoimentos e suas “verdades”, conscientes e inconscientes. Há curtos relatos tidos como mais objetivos (uma resenha, uma notícia de jornal) e o tom geral é quase o de um thriller policial, já que aparentemente há um crime subjacente a toda trama. Esse norte dado ao livro confere angústia à leitura, nos confrontando em diversos momentos com a questão maniqueísta de saber quem é bom e quem é ruim na história. Mas, quando há um doentio triângulo amoroso em jogo, descobrimos que pouco importa tal dúvida. Essa história de amor que é engodo, farsa e agressão é muito aparentada a boa parte dos contos de amor desiludidos do grupo Sonic Youth, como na música “Beauty Lies In The Eyes”: “Tem algo no ar ali/ que te deixa louco/ te traz de volta pra mim/ faz tanto tempo/ tudo que tenho que fazer é ir vivendo”. Leitura rápida e lancinante.

Por Arthur Dantas.