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Tue: 11-03-09

Slayer . World Painted Blood

America Recordings . 2009


Muitas bandas lutam durante toda a carreira para que sua música sobreviva a sua própria fama. O Slayer conseguiu essa proeza há muito tempo, com Reign in Blood (1986), álbum monumental que segue ditando o padrão para o que há de verdadeiramente agressivo no metal. Se a banda chegou a um nível muito difícil de ser superado, não há dúvidas quanto ao seu esforço por se manter fiel a sua missão de destruição. O segredo está em sua simplicidade brutal e na resistência em ceder a tendências passageiras, algo a que o Slayer tem dedicado uma atitude incansável e totalmente punk. Bateria barulhenta como uma britadeira, vocais grunhidos, guitarras massacrantes: bem ou mal, a esta altura você já sabe o que esperar deles.

Isso também vale para World Painted Blood, segundo álbum desde o retorno do baterista Dave Lombardo e talvez, caso você acredite no baixista/vocalista Tom Araya, o último da banda. Essa última questão faz pouca diferença na prática, já que, caso o Slayer grave outro álbum, sabemos exatamente como ele será. O primeiro ponto, porém, é vital: Lombardo se encaixa tão perfeitamente na banda que sua simples presença já leva os guitarristas/compositores Jeff Hanneman e Kerry King a pegar mais pesado. Músicas como “Snuff” não demoram a cair com os dois pés em um hardcore ultra-rápido, ao passo que músicas relativamente amenas como “Beauty Through Order” são combinadas com a pancadaria ininterrupta de faixas como “Public Display of Dismemberment”.

Boa parte do novo material remete a temas familiares à banda, como a guerra e o fascismo, o imaginário apocalíptico da faixa título ou, ainda, mais uma história de serial killer (“Psychopathy Red”). Esse é o tipo de coisa que aprendemos a esperar do Slayer, porque é o tipo de coisa que faz do Slayer o Slayer. Mais importante ainda, é o que impediu a banda de sucumbir diante das fraquezas que acometeram seus antigos companheiros de trash metal Metallica, Megadeth e Anthrax, bandas outrora formidáveis que hoje não passam de sombras do que já foram. World Painted Blood não se compara ao que o Slayer já produziu de melhor, mas, como bombas que erram o alvo por muito pouco, faixas explosivas como “Human Stain” e “Not Of This God” chegam bem perto disso.

 

Por Joshua Klein